Futebol é emoção, celebração e, para muitos, paixão. Mas, por trás dos gritos da torcida e da disputa em campo, existe uma realidade que nem sempre é notada: o risco. No recente duelo entre São Paulo x Primavera, no Morumbis, pela sétima rodada do Campeonato Paulista, o Tricolor venceu a equipe de Indaiatuba por 2 a 1, com gols de Lucas Moura, aos 71 minutos, e Jonathan Calleri, no pênalti convertido aos 81 minutos.
Entretanto, o placar ficou em segundo plano diante de uma intercorrência que expôs a necessidade vital de protocolos de emergência eficientes. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Afonso, do Primavera, sofreu um forte choque de cabeça em uma disputa aérea e caiu inconsciente. A partida foi interrompida imediatamente.
Diante da gravidade, o defensor foi retirado de ambulância sob aplausos e encaminhado para exames detalhados. O susto serviu como um lembrete de que, em campo, o suporte médico não é um detalhe operacional, mas uma garantia de sobrevivência.
EMERGÊNCIAS NÃO SÃO RARAS, SÓ SÃO INVISÍVEIS
Embora muitos torcedores não percebam, o futebol acumula um histórico significativo de episódios graves. O caso mais emblemático da última década ocorreu em 12 de junho de 2021, quando o dinamarquês Christian Eriksen sofreu uma parada cardíaca súbita durante a Eurocopa. O atendimento com desfibrilador e as manobras de reanimação feitas ainda no gramado do Stade Parken, em Copenhague, foram cruciais para que o atleta sobrevivesse.
Outro trauma marcante envolveu o atacante Raúl Jiménez, na Premier League em 2020-21. Um choque de cabeça em disputa com o zagueiro David Luiz, resultou em traumatismo craniano e oito meses de afastamento.
Casos como esses e reforçam a importância do tempo de resposta e da capacitação da equipe para reduzir as chances de sequelas irreversíveis. Contar apenas com uma ambulância estacionada é contar com a sorte. É preciso planejamento, protocolo, integração entre profissionais e equipamentos adequados prontos para uso imediato.
O QUE É PRECISO PARA UM JOGO SEGURO?
Segundo o médico do esporte Asafe Cesar, que atua em competições vinculadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o suporte médico em eventos esportivos deve ser pensado como um sistema, não como uma formalidade.
“O atendimento começa antes mesmo do apito inicial. Existe uma preparação prévia que envolve avaliação de riscos, posicionamento estratégico da equipe médica, equipamentos de emergência e protocolos bem definidos para diferentes tipos de ocorrência”, explica.
Entre os recursos considerados essenciais estão:
- Desfibriladores externos automáticos (DEA);
- Macas de imobilização e retirada rápida;
- Ambulâncias de Suporte Avançado (UTI móvel);
- Comunicação imediata entre arbitragem e corpo clínico.
A PRESSÃO DO TEMPO E O PESO DA RESPONSABILIDADE
Diferente de um hospital, o campo é um ambiente não controlado. Os médicos decidem sob o olhar de milhares de espectadores e câmeras. Para Asafe, isso exige preparo técnico, emocional e ético.
“As decisões em campo precisam ser rápidas e seguras. Em muitos casos, é o médico quem determina se um atleta pode ou não continuar jogando, mesmo diante da pressão do clube, do jogador ou da torcida”, destaca o médico esportivo.
COMPROMISSO COM A VIDA
Episódios como o de Afonso no Morumbis provam que que a discussão sobre segurança médica deve ser prioridade constante para clubes e federações. Investir em infraestrutura não é excesso de zelo, é obrigação ética. No futebol, onde tudo pode mudar em questão de segundos, estar preparado para agir é tão importante quanto qualquer estratégia tática. Porque quando cada segundo conta, o preparo é o único resultado que importa.
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O artigo acima foi editado por Isabella Gouvea.
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