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Elenco de Wicked Brasil na pré-estreia do musical
Elenco de Wicked Brasil na pré-estreia do musical
Original photo by Clarissa Palácio
Casper Libero | Culture > Entertainment

Wicked for Good: o que mudou da Broadway para o cinema?

Helena Maluf Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

A chegada de Wicked: For Good aos cinemas brasileiros marca a segunda metade de uma das adaptações mais aguardadas pelos fãs de teatro musical. Após o lançamento de Wicked – Parte 1 em 2024, que recontou o Ato 1 do espetáculo da Broadway, a continuação finalmente entrega a parte mais sombria, emocional e politicamente carregada da história de Elphaba e Glinda. E, como toda adaptação, muita coisa mudou no trajeto entre o palco e a tela.

A pergunta que ecoa entre fãs antigos e novos espectadores é simples: o que Wicked: For Good faz de diferente em relação ao musical original?

Um ato inteiro transformado em cinema

O Ato 2 de Wicked sempre foi narrativamente mais complexo, carregado de temas pesados, desenvolvimentos políticos, viradas dramáticas e um arco emocional intenso. No filme, os roteiristas e o diretor Jon M. Chu optam por expandir essas camadas com cenas inéditas, diálogos aprofundados e um ritmo claramente cinematográfico.

Enquanto o musical original depende da força performática ao vivo, a adaptação usa o cinema para mostrar Oz como nunca foi possível no palco. Palácios, revoltas, batalhas, fugas e o colapso da ordem ganham escala, textura e novos sentidos visuais. O resultado é uma narrativa que mantém o esqueleto da Broadway, mas expande a musculatura muito além do teatro.

Mudanças estruturais importantes

A divisão da história em dois filmes, por si só, já representa uma grande mudança. Ela permitiu que For Good tivesse tempo e espaço para trabalhar momentos que, no palco, precisavam ser comprimidos entre números musicais.

Diversas cenas foram ampliadas ou reescritas para criar transições mais suaves e aprofundar o impacto emocional da jornada de Elphaba, que neste ato se transforma oficialmente na “Bruxa Má do Oeste”, enquanto Glinda assume a face pública do “bem”.

Momentos apenas sugeridos na peça ganham corpo no filme: a manipulação política do Mágico, a pressão pública sobre Glinda e a perseguição crescente a Elphaba são mostradas de forma mais íntima e explícita. O público acompanha a queda de Oz em desordem com uma clareza que o teatro, por suas limitações físicas, nunca poderia oferecer.

Novas canções e músicas expandidas

Uma das novidades mais comentadas é a inclusão de canções inéditas, criadas especialmente para o cinema. Músicas como “No Place Like Home” e “The Girl in the Bubble” aparecem para ilustrar os estados emocionais das protagonistas em momentos que, na Broadway, não tinham números musicais.

Além disso, algumas músicas clássicas foram reorganizadas ou ganharam novos arranjos. No cinema, a trilha assume dois extremos: mais íntima em cenas de introspecção e mais grandiosa em momentos épicos. Reformular trechos permite que as emoções sejam transmitidas com mais precisão, sem as limitações cênicas do palco.

Tudo isso evidencia que For Good não pretende replicar a peça, mas reinterpretá-la, assumindo o cinema como linguagem principal.

Alterações em personagens e representações

A adaptação revisita personagens com um olhar mais contemporâneo.

A trama de Nessarose, por exemplo, foi reformulada para evitar leituras capacitistas que sempre foram alvo de críticas no musical original. No filme, ela ganha mais agência, profundidade emocional e participação narrativa. Outras figuras secundárias também recebem mais tempo de tela, ganhando diálogos e camadas adicionais.

O tom geral do filme é mais emocional e, em certos momentos, mais sombrio. A transição de Elphaba para a figura temida de Oz é mais gradual e explicada, enquanto Glinda ganha nuances de fragilidade e conflito interno que no palco eram menos exploradas.

Madame Morrible e o Mágico também aparecem com ajustes importantes, reforçando críticas sociais e políticas já presentes no espetáculo, mas agora mais evidentes para um público acostumado à fantasia cinematográfica moderna.

Por que essas mudanças importam

Toda adaptação enfrenta o desafio de equilibrar fidelidade e reinvenção. Em Wicked: For Good, o resultado parece buscar um meio-termo afetivo: preserva o coração da história que encantou a Broadway, mas abraça o cinema como linguagem independente, com ritmos e necessidades próprias.

Para fãs antigos, algumas mudanças podem surpreender e até gerar debate, especialmente entre quem conhece cada acorde das versões originais. Para novos espectadores, o filme funciona como uma porta de entrada ideal: acessível, grandioso e profundamente emocional.

As primeiras reações internacionais indicam que a continuação é mais densa e mais madura do que o primeiro filme, oferecendo uma conclusão que amarra arcos e faz jus ao impacto do musical.

O veredito

Wicked: For Good não busca ser uma réplica do palco, mas uma reinterpretação dele. Com novas músicas, cenas expandidas, personagens revisados e uma escala impossível no teatro, o filme honra o legado da Broadway ao mesmo tempo em que se abre para novas leituras e um novo público.

Para quem viveu a febre do musical, a adaptação provoca nostalgia e surpresa ao mesmo tempo. Para quem está entrando em Oz pela primeira vez, é a chance de descobrir uma das histórias mais queridas dos últimos 20 anos com frescor, modernidade e emoção.

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O artigo acima foi editado por Beatriz Tomagnini.

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Helena Maluf

Casper Libero '26

Future journalist, passionate about fashion, literature, music, food and art! <3