Para iniciar essa reflexão, é válido partir do princípio que o ato de representar, vem trazer a necessidade do outro estar, ser e existir. Mais do que ser representada, a comunidade negra, deseja existir. É lindo ver jornalistas como Glória Maria, Zileide Silva e Maju Coutinho ocuparem espaços que muitos almejam alcançar, mas de fato, o marco é chegar onde elas estão e poder ser quem você é; sem precisar substituí-las.
O PASSADO EXPLICA O PRESENTE
A história é marcada por uma cultura de embranquecimento, relacionada ao colonialismo. O outro-negro perde sua individualidade, valor e importância. Na qual o corpo racializado não tem lugar.
Sueli Carneiro, filósofa e escritora brasileira, explica que “O negro chega antes da pessoa, o negro chega antes do indivíduo, o negro chega antes do profissional, o negro chega antes do gênero, o negro chega antes do título universitário, o negro chega antes da riqueza.” O negro chega antes, reforça a ultraviolência proposta pelo colonialismo, ser negro anula toda e qualquer habilidade, conquistas e títulos.
O QUE COMEMORAR?
O Mês da Consciência Negra, é um convite a todos refletirem o impacto de uma construção milenar, sobre o racismo ser o ato de perversidade a um povo. Há anos, a tentativa de diminuir o outro, é comum e infelizmente normalizada.
Consciência, colocada para entender a importância deste mês, dia e grupo racial esquecido. A data foi escolhida como forma de resistência e representatividade, dia na qual ocorreu a morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares (20 de novembro de 1971). Já em 2023, passou a ser feriado nacional e não mais facultativo, para reforçar o combate ao racismo e a luta pela igualdade racial. O dia 20 de novembro, nem sempre foi feriado. Embora, desde 2011 tenha sido instituído, muitos ainda não sabem do que se trata, tão quanto a data comemorativa.
A REPRESENTATIVIDADE ALIADA A REFLEXÃO
Há uma controvérsia, o que comemorar? Em uma sociedade que diariamente se expõe ao preconceito, em olhares, julgamentos e ações tão equivocadas. É preciso abominar, sempre colocar o negro em papéis de subalternos, bandidos e inferioridade. Seja na vida real ou fictícia, como vemos em produções midiáticas.
Criar uma consciência justa e equilibrada é formar um olhar de esperança para o futuro. Visualizar o amanhã, com a expectativa de sermos melhores como cidadãos, sociedade e humanos. A humanidade é o bem mais precioso que temos, anular um indivíduo, é apagar sua história.
Entende-se que o negro possui uma história e bagagem, é preciso ser respeitada, a mesma medida que o branco é, sem muito esforço. Observa-se que não precisa de consciência branca, muito menos de representatividade. Como são muitos, cada um pode representar a si, não precisa que “x” pessoa fale por ele, porque poderá estar por você mesmo. “As mesas e cadeiras” disponíveis são destoantes de acordo com a raça.
POR UM MUNDO MAIS CONSCIENTE
Diante desse contexto, a consciência não é específica deste mês, mas para a vida.
Conforme o psiquiatra francês Frantz Fanon disse: “ A raça é uma invenção do colonialismo e está agregada à experiência histórica dele”. Esta mensagem defende que a luta contra o racismo não é uma questão da raça, mas da luta pela humanidade. Existe um olhar do branco que o aprisiona na sociedade colonial, o que não permite “ser”.
A reparação histórica ainda está em grande lacuna, é preciso continuar o exercício de consciência. Faça parte do grupo que agrega com informação, apoia e incentiva os seus. Ainda preciso falar de representatividade, ainda tem a necessidade de nos representarem em todas as esferas da sociedade. De pouco a pouco, seremos muitos e o novo normal será negros nos mesmos espaços que brancos.
___________________________________________________
O artigo acima foi editado por Ana Azeredo .
Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!