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Dia mundial do doador de sangue: Qual a importância dessa prática que salva vidas?

Julia Galoro Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

No dia 14 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, uma data crucial para reforçar a importância desse gesto solidário que, muitas vezes, define a linha entre a vida e a morte.

Criado para conscientizar a população e homenagear quem doa regularmente, o dia também traz um alerta: a quantidade de doações ainda é insuficiente diante da demanda crescente nos hospitais.

A DOAÇÃO DE SANGUE NO BRASIL

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que entre 1% a 3% da população de um país seja doadora ativa. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, apenas 1,6% dos brasileiros doam sangue regularmente. Embora esse número esteja dentro da média mínima recomendada, a realidade de um país com mais de 218 milhões de habitantes exige muito mais. O Brasil ocupa a posição de quinto maior território do planeta e é o sétimo país mais populoso, mesmo assim, apenas 2 milhões de pessoas contribuem ativamente com as doações. E esse número precisa crescer.

Todos os dias, hospitais do país inteiro enfrentam estoques críticos nos bancos de sangue, o que coloca em risco o atendimento de pacientes em cirurgias, tratamentos de câncer, acidentes graves e doenças crônicas. Sem sangue, não há tratamento. 

A IMPORTÂNCIA DA DOAÇÃO

Além de garantir o funcionamento do sistema de saúde, a doação é um ato simples, rápido e que pode salvar até quatro vidas em uma única coleta. É um gesto de empatia, solidariedade e cidadania.

Luísa Portella, estudante de Publicidade e Propaganda na ESPM, tem 21 anos e é doadora frequente de sangue, compartilhando sua trajetória com a prática que salva vidas. Segundo ela, embora muitas pessoas saibam da importância da doação, poucas realmente se mobilizam, ela mesma só passou a doar após uma experiência marcante: “A virada de chave foi em 2019, quando meu pai teve um problema em uma cirurgia e só sobreviveu porque recebeu duas bolsas de sangue. Aí é que você olha e não só agradece por ele ter recebido a transfusão, mas percebe que alguém, voluntariamente, doou para que meu pai pudesse sobreviver.”

Desde então, Luísa fez uma promessa a si mesma: doar sangue todos os anos. “Minha vida tomou uma proporção muito grande em relação a isso. Minhas tatuagens, meus piercings, tudo o que faço no meu corpo é muito bem pensado, seguindo um calendário para que eu ainda possa doar sangue.”

Luisa também destaca um mito comum entre os iniciantes, e que pode afastar possíveis doadores: “Muita gente diz: ‘Ah, eu não dou [sangue] porque passo mal’, sendo que, muitas vezes, a pessoa nunca nem doou. É como se não existisse uma equipe muito bem treinada para lidar com essas situações.”

CUIDADOS PARA A DOAÇÃO

Os principais cuidados que uma pessoa deve tomar antes de doar sangue são: alimentar-se bem, dormir bem, não consumir álcool nas últimas 12 horas e, principalmente, evitar o uso de drogas. Também há outros impedimentos, como certos medicamentos, viagens recentes, tatuagens, piercings e procedimentos dentários. Após a doação, é importante evitar atividades físicas no mesmo dia, alimentar-se bem e fazer menos esforço.

Luisa explica que se planeja para conseguir doar sempre que possível. “Quando doei sangue há alguns dias, logo em seguida fiz um piercing porque só poderei doar novamente daqui a quatro meses e, dependendo do protocolo, espero até seis. Eu escolho um banco de sangue onde posso doar de novo e me moldo a isso.” 

A estudante e doadora dá um conselho a quem tem vontade de doar, mas ainda não tomou essa atitude. Ela conta que já foi essa pessoa, mas que, olhando para trás, percebe que só não começou antes porque não reconhecia a verdadeira importância da doação.

“É muito difícil a gente se colocar no lugar do outro nesse cenário. Eu mesma só entendi o valor da prática quando meu pai precisou. Então, o que eu diria é: não espere uma situação te pegar de surpresa para entender a importância da doação.” 

Ela recomenda que as pessoas pesquisem mais sobre o assunto para entender o quanto esse gesto é significativo: “Eu sei que empatia é algo que não se cobra de ninguém, ela precisa vir de dentro. Mas, se você tem ao menos um leve interesse, procure entender o impacto dessa ação. Não seja mais uma daquelas pessoas que diz ‘eu quero muito doar, mas não vou’, como se algo realmente impedisse.”

Luísa reforça que, se as pessoas olhassem os estoques dos bancos de sangue, perceberiam que muitos estão em situação crítica, e por isso, é fundamental a mobilização para a doação. “Não é difícil, leva, no máximo, uma hora do seu dia, a cada quatro meses (para homens) ou a cada três meses (para mulheres). Mesmo que você consiga doar só uma vez por ano, já faz diferença. Acima de tudo, se respeite, mas abrace essa causa, porque ela é realmente importante. Deixe de lado essa mentalidade de ‘eu sei que é importante, mas não faço nada’, porque, um dia, pode ser uma pessoa muito importante para você, ou até você mesmo que vai precisar de uma doação para continuar vivendo.”

Neste Dia Mundial do Doador de Sangue, faça parte dessa corrente do bem. Procure o hemocentro mais próximo, doe e incentive outras pessoas a fazerem o mesmo. Você pode ser o herói anônimo de alguém que precisa ds sua ajuda para continuar vivo.

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O artigo acima foi editado por Júlia Salvi.

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Julia Galoro

Casper Libero '28

Journalism student who writes about a bit of everything. Book, film, and travel lover. Dreaming of writing for a living and telling stories that matter.