Quando pensamos em relacionamentos, sejam eles uma amizade, nossos familiares ou até mesmo um namoro, os fatores emocionais são, em sua maioria, a principal causa de empecilhos dentro das relações.
Dilemas emocionais podem gerar inseguranças, dificuldades na comunicação ou, até mesmo, efeitos negativos na vida sexual.
Sentir-se ansioso é quase inevitável diante do mundo complexo no qual vivemos. A geração atual foi capaz de construir uma sociedade em que não sentir medo – do presente e do futuro – parece impossível.
Experimentar esses sentimentos não é necessariamente algo ruim, faz parte da vida. Porém, quando não conseguimos praticar a gestão das emoções, distúrbios como a ansiedade podem influenciar várias áreas da nossa vida, inclusive nossos relacionamentos amorosos.
O grito no silêncio
Falar de ansiedade é falar também da complexidade da sociedade atual. Segundo um artigo publicado pelo site Salu, o especialista em saúde corporativa André Maschietto argumenta que, hoje, vivemos numa sociedade “ansiogênica”, ou seja, capaz de induzir a ansiedade nos indivíduos.
Senti-la depende do contexto social em que se vive, e saber identificá-la e controlá-la é essencial. No caso dos relacionamentos, a ciência explica que estar em paz é uma necessidade biológica, pois o nosso sistema cerebral não foi construído para se manter ansioso.
De certa forma, nós, enquanto seres humanos, buscamos ter controle, certeza e confiança diante de situações que exigem com que nossos comportamentos, sentimentos e modos de pensar e agir mudem – entrar em um relacionamento amoroso é um exemplo disso.
Conviver com a ansiedade dentro de uma relação é aprender a lidar com sentimento, afeto e emoção consigo mesmo e a pessoa com a qual você se relaciona. Independente da relação, o fato é que nem os nossos piores inimigos são capazes de causar danos tão profundos como os nossos próprios pensamentos.
Para aliviar essas pressões, muitas pessoas procuram equilíbrio espiritual. O Padre Marcelo Rossi argumenta em seus livros e pregações que, ao entregar nossas ansiedades a Deus, podemos encontrar “a verdadeira paz que excede todo entendimento”. Ele utiliza de escrituras bíblicas enfatizando que, embora os sintomas de ansiedade sejam reais, a raiz do problema está na mente, e a solução passa pela fé e pela entrega a Deus.
Quando a mente acelera, o corpo sente
Famoso em suas redes sociais, Rafael Gratta, em suas postagens no Instagram, propõe uma reflexão sobre nossas emoções e seus reais significados. Ele diz: “Você é o arquiteto do seu cérebro, e sua mente é o projeto final”.
Pensamentos excessivos, autossabotagem, insegurança, necessidade de afirmação e conflitos são apenas alguns dos dilemas que pessoas ansiosas podem enfrentar em suas relações. Recorrer a espiritualidade ou até mesmo a técnicas terapêuticas são algumas alternativas para lidar melhor com esse impacto negativo nos relacionamentos.
Mas a grande questão por trás dessas ações é: se a ansiedade é o intervalo entre o agora e o então, por que não acabamos com esse intervalo?
O terapeuta Carlos Eduardo Gonçalves, especialista em Técnicas de Florais, esclarece essa questão. Ele argumenta que os florais ajudam a reduzir a ansiedade, equilibram o estado emocional e, consequentemente, ajudam a controlar distúrbios emocionais como no caso da ansiedade.
“Pessoas ansiosas, muitas vezes, têm medo de serem rejeitadas, abandonadas ou não serem boas o suficiente, buscando validação em tudo que fazem, exercendo dependência emocional e ciúmes excessivo”, comenta Carlos.
Ele ainda diz que a dificuldade que muitos enfrentam para se libertar dessa ansiedade se dá por uma barreira imposta pelas pessoas quando, na verdade, essa barreira pode ser quebrada com ajuda psicológica, técnica de florais e respiratórias e medicações, quando necessário:
“Hoje, temos uma geração de adolescentes muito inteligentes, mas infinitamente frágeis emocionalmente, muito ansiosa e imediatista. Então, se ansiedade fosse identificada e tratada desde o início, teríamos menos casos graves hoje em dia” .
Conviver com pessoas ansiosas não significa conviver com monstros, mas sim, conviver com pessoas que querem ser compreendidas – e não consertadas. Estar com pessoas assim é estar com o seu próprio ‘eu’ em estado de alerta, e reconhecer que, o melhor remédio que podemos oferecer para nós mesmos, e para essa ansiedade, é a escuta. O ato de falar e escutar é a prova mais sincera de amor.
Em relacionamentos com pessoas ansiosas, cresce a necessidade do equilíbrio: dar espaço e oferecer presença. A jornada é longa, ninguém disse que seria fácil, mas também, ninguém disse que seria impossível.
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O texto acima foi editado por Anna Goudard
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