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Vale a pena assistir a última temporada de Sex Education?

The opinions expressed in this article are the writer’s own and do not reflect the views of Her Campus.
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter.

Desde a sua estreia, em 2019, Sex Education é um sucesso mundial. Porém, no mês passado, ela chegou ao fim. A produção britânica da Netflix contém quatro temporadas e tem como principal objetivo dialogar com adolescentes sobre sexualidade e seus tabus, fazendo isso de uma forma divertida, didática e permitindo a todo mundo se identificar profundamente com diversas situações.

O começo

Dessa forma, Sex Education se baseia na vida de Otis Milburn (Asa Butterfield), um menino tímido, com apenas um melhor amigo, Eric Effiong (Ncuti Gatwa) e nada popular em sua escola, mas que tem dotes extraordinários para terapia – sendo ótimo em escutar problemas, aconselhar e acalmar as pessoas. Isso ocorre porque sua mãe, Jean (Gillian Anderson), é uma prestigiada terapeuta sexual. Em uma aula de educação sexual, Otis conhece Maeve Wiley (Emma Mackey), uma garota exótica e um tanto assustadora. Porém, ela percebe o talento do garoto quando ele começa a dar conselhos sexuais para um valentão da escola, Adam Groff (Connor Swindells), e ela finalmente escuta as orientações do garoto. Precisando de dinheiro para sustentar a sua família, Maeve sugere a abertura de uma “clínica sexual” na escola junto a Otis, na qual ela a administraria e ele aconselharia as pessoas. 

Assim, após o enorme sucesso, Sex Education chegou ao fim em setembro de 2023 e trouxe consigo uma última temporada polêmica. Há uma variedade de aspectos a serem discutidos. 

A temporada final

A quarta temporada da série experimentou trazer personagens novos e, consequentemente, com tramas complexas, à série. Porém, isso causou questões complicadas: Sex Education já tem muitos personagens com histórias extensas que precisavam ser abordadas e concluídas no final do programa. Logo, os protagonistas (Otis, a Maeve e o Eric) foram posicionados em enredos fracos e simples. Apenas um acontecimento marcante ocorreu para cada durante a última temporada, o que, para os protagonistas, é pouco, já que eles precisam vivenciar muitas situações difíceis para termos o famoso character development que geraria a identificação do público com esses personagens. 

Infelizmente, é bem provável que o protagonismo de Emma Mackey, de Ncuti Gatwa e de Connor Swindells tenha sido prejudicado devido às gravações de Barbie, porém eles poderiam ter tido um desfecho melhor – o que nos leva a outros pontos. 

O que deixou a desejar

Mais um episódio. Era tudo que precisaríamos. Apenas mais um episódio. Muitos conflitos ficaram sem resolução aparente e, consequentemente, o último episódio não teve a emoção de um series finale. Ele foi bom para um episódio qualquer. Um exemplo foi o fato de que o público não conhece a menina por quem Adam se apaixonou. Além do desfecho da Maeve e Otis. O que aconteceu?

Não é ousado alegar que a dupla de protagonistas é um dos casais de seriados do século XXI com a melhor construção de química e conflito. O potencial para ambos terminarem a série juntos era gigante, além de ser o que os fãs precisavam após três temporadas de tensão. Logo, foi extremamente decepcionante o final proposto pelos produtores: um término confuso, sem comunicação e contato. 

@netflix

“of course” is their love language sexeducation #netflix

♬ original sound – Netflix

Adam e Ruby (Mimi Keene) também foram vítimas de um desfecho preguiçoso. Ambos foram delicadamente construídos para amadurecerem. Assim, portanto, se tornaram figuras queridas, mas que foram esquecidas para a última temporada.

Ademais, um fator indignante e contraditório com os ideias da série foi o que fizeram com a Jean. Uma mulher poderosa e madura. Inteligente e perfeitamente escrita para ser o ponto de equilíbrio do programa – o telespectador poderia seguir os conselhos sérios e responsáveis dela. Porém, ela se tornou uma bagunça. A imagem de mãe solteira que a Netflix irresponsável e insensivelmente buscou passar é até ofensiva. Isso foi uma forma de mostrar como a depressão afeta a vida de uma mãe, um caso muito sério e pouco abrangido na mídia. Mas, assim como todas as outras questões da quarta temporada, foi tratada superficialmente.

Uma série necessária

Todavia, apesar das críticas, Sex Education é uma série muito inteligente e moderna, capaz de abranger os assuntos que estão sendo discutidos no momento.

Cada temporada tem uma militância principal – muito bem escrita, e, coincidentemente, são essas cenas que mais fazem sucesso na internet e que mantém o programa na boca do povo. Em 2019, seu ano de estreia, o sexo foi abordado – claro, é o que dá nome à série, mas o foco no sexo foi muito maior do que no restante das temporadas.

Em 2020, a questão do assédio foi tratada na famigerada cena do ônibus, a qual todas as meninas da série se juntam para entrar no ônibus onde Aimee Gibbs (Aimee Lou Wood) sofreu o desconforto, todo o panorama é muito sensível e merece todos os aplausos.

Em 2021, primeira temporada “pós” pandemia, época na qual discussões de gênero foram fortíssimas, um personagem não-binário, Cal Bowman (Dua Saleh), foi introduzido e muito bem desenvolvido.

Por fim, em 2023, a questão dos PCD foi discorrida durante a série, nos surpreendendo com a cena na qual Isaac Goodwin (George Robinson) impede a saída dos alunos das salas de aula ao colocar cadeiras nas escadas e portas, demonstrando a eles que é assim que ele se sente em uma escola que não tem acessibilidade para cadeirantes. 

Afinal, vale a pena?

A resposta é: sim! Feliz ou infelizmente, Sex Education chegou ao fim e é interessante saber o destino dos personagens e as suas evoluções durante as quartas temporadas. Além disso, é uma série muito inteligente e sensível em abordar assuntos sérios, que precisam ser de conhecimento geral.

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O artigo acima foi editado por Livia Nomoto.

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Isadora Restiffe

Casper Libero '26

Studying journalism at Cásper Líbero College, I am amused by the culture world- such as movies, books, tv shows and theatre. I aim to inspire girls to develop the same passion I feel for those things by my articles and words.