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Felicity Warner / HCM
Entertainment

Uma Moda Não Tão Nova Assim: O Retorno do Cinema Drive-in

Quem nunca assistiu Grease ou algum filme que retrata a década de 50 e 60 e não ficou se imaginando com o crush em um daqueles cinemas drive-ins? O que antes não era tão fácil de encontrar no Brasil, agora na pandemia acabou voltando com tudo, sendo uma das poucas formas de dar um rolê de forma segura e mantendo o distanciamento social. 

 

Como tudo começou

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A ideia de ver filmes dentro de um carro saiu da cabeça de Richard Hollingshead, lá nos  anos 30, nos Estados Unidos, mas só alcançou seu auge mesmo a partir dos anos 50. No Brasil, ele só pegou mais tarde, por volta dos anos 60 e 70, mas ainda assim não foi tão popular como em outros países. Antes da pandemia, o único sobrevivente desse tipo de cinema foi o  “Cine drive-in”, em Brasília.

Agora, com seu ressurgimento, há cada vez mais opções para ir, permitindo a todas as idades usufruírem dele com filmes que variam entre desenho, romance, aventura, drama, entre outros.

 

Mas como é ir no drive-in afinal?

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Como muitas pessoas, a minha primeira experiência no cinema drive-in foi esse ano. E não por coincidência fui assistir o “Grease - Nos Tempos da Brilhantina”, no drive-in do Centro de Tradições Nordestinas (CTN). Os ingressos precisam ser comprados com antecedência e saíram em torno de R$ 80,00, o que inclui o ingresso e a taxa de meios-serviços. 

O filme começava às 22:00 horas, mas a abertura para os carros foi às 21:00. Como cheguei um pouco em cima da hora, peguei um lugar mais ao fundo  do ‘cinema’ - que antes da pandemia era o estacionamento do CTN - ainda assim não senti dificuldades para ver o filme. Os carros estavam organizados com 2 à 3 metros de distância uns dos outros e ficavam alinhados em filas horizontais e verticais. Dessa forma, mesmo que precisasse sair do carro conseguiria manter o distanciamento social.

O esquema para receber atendimento dos funcionários era ligar o pisca alerta, caso quisesse comprar alguma coisa ou ir ao banheiro. Todos os atendentes estavam de máscara e caminhavam entre os carros esperando alguma solicitação de ajuda. 

Solicitei ajuda umas 2 vezes. Na primeira foi porque queria comprar comida. O cardápio oferece algumas opções de bebidas, doces e comidas salgadas. Lógico que a pipoca não podia faltar! Quase tudo ali vendido era igual as bombonieres dos cinemas convencionais. Respeitando o distanciamento, o cardápio é mostrado via QR code e tem também a opção de adquirir combos no ato da compra dos ingressos, pra quem gosta de se antecipar. 

No segundo momento que liguei o pisca alerta foi para ir ao toalete. O atendente me disse para aguardar um pouco e esperar um segurança vir e me acompanhar. Ele me guiou e esperou do lado de fora do banheiro - para não ter problemas de ficar perdida ou de quebrar o distanciamento social. O banheiro estava extremamente vazio - coisa rara quando se pensa no passado, né meninas? Não pude deixar de notar o que já se tornou comum hoje em dia: marcas no chão para distanciamento e o nosso eterno aliado álcool em gel nas portas.

Na volta ao meu carro, percebi enquanto caminhava às pessoas que estavam ali. De dentro de seus carros aproveitavam os filmes e se divertiam, foi muito bom ver alguns sorrisos em meio ao caos que estamos vivendo. Mas, também não pude deixar de me perguntar “E as pessoas que não podem acessar esse tipo de lazer? Como que faz?

 

O novo rolê não é tão acessível assim

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No Brasil há aproximadamente 1 carro para cada 4,4 habitante, segundo a Associação Nacional dos Detrans (AND). Isso quer dizer que menos da metade da população não pode usufruir da experiência drive-in.

Para Danielle Chinellato, formada em cinema pela FAAP, há meios de tornar o drive-in mais acessível: “Diminuir o valor dos ingressos dos cinemas drive-in privatizados e talvez pensar em alguma área para pessoas que não possuem carro, com limite de pessoas por metro quadrado, área aberta. Outra solução é o Estado prover sessões de cinema em espaços abertos, com número limitado de pessoas.

A disparidade entre quem pode consumir o lazer cultural vem desde antes da pandemia. Isso acarreta uma grande crise nos setores de cultura do país, porque tendo tantas barreiras para ser consumido, é inacessível a grande parte da população. Segundo a Escola de Economia de São Paulo, o ingresso do Brasil é o quarto mais caro do mundo e o crescimento na arrecadação das bilheterias se deve ao aumento de preço dos ingressos. 

Danielle ressalta que “o cinema começou a ter preços abusivos de uns tempos para cá e com certeza afirmo que é uma arte elitista. Ir ao cinema virou programa de luxo, até a meia entrada passou a ter um preço exorbitante. Passou-se o tempo em que pagávamos menos de 10 reais em um ingresso. Uma família classe baixa não consegue levar os filhos ao cinema com a frequência que deveria. Cultura deveria ser obrigação do estado, educar é fornecer cultura”.

 

E a moda veio pra ficar?

 

Sabemos que o drive-in vem de anos, porém com o passar do tempo ela perdeu força e foi desaparecendo, principalmente no Brasil. Mas afinal, agora ele vai durar? Chinellato nos explica melhor a visão sobre esse assunto e para ela, ele perderá sua força novamente. “Sinceramente, acredito que quando tempos pandêmicos passarem as pessoas vão voltar a    frequentar cinemas tradicionais com ainda muito menos força que antes. Até a sociedade voltar a se acostumar e se sentir segura para voltar para uma sala fechada de cinema, infelizmente, vai demorar.” disse, “Cinemas drive-in aos poucos vão começar a perder o seu espaço novamente.” completa.

Será então que após a reabertura das salas de cinema, da distribuição da  vacina e do ressurgimento da ‘aglomeração’, os drive-in serão, em sua maioria, guardados na caixinha novamente, voltando a serem considerados mais uma das “coisas românticas do passado” e sendo apenas um point dos filmes antigos como Grease?

 

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The article above was edited by Vivian Souza.

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Júlia Stavracas

Casper Libero '22

I’m Júlia and i am a Public relation student at Casper Líbero .I have a great knowlegd about issues around lifestyle,beauty and fashion.I speak more than three languages and i am a curious girl that try learn more and more.
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