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‘The Cure’ de Olivia Rodrigo: como a música transforma a desilusão amorosa em reflexão sobre vazio emocional

Nina Simonetti Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O amor cura tudo? Para Olivia Rodrigo, a resposta é um doloroso e maduro “não”. Em “the cure”, sua faixa favorita da nova era, a cantora desconstroi a ideia de que um parceiro ideal seria o antídoto perfeito para nossas crises existenciais. 

A PAIXÃO COMO REMÉDIO TEMPORÁRIO

Em “drop dead”, primeira música de seu novo álbum, Olivia devaneia sobre a empolgação e a vulnerabilidade que sentimos quando temos um primeiro encontro perfeito: a vivacidade com as pequenas coisas e a ambição com as possibilidades. A música é sobre se jogar de cabeça e viver o romance. Porém, enquanto em “drop dead” ela traça um devaneio vibrante, em “the cure” ela acorda desse transe e entende a realidade.

Olivia acreditava que viver um relacionamento romântico e saudável seria o suficiente para uma vida plena, sem traumas antigos e questionamentos constantes. Porém, em “the cure” ela percebe que, na prática, não é bem assim. A música não é sobre um término feio ou um relacionamento ruim, na verdade, é sobre a quebra de expectativa com a ilusão que ela mesma criou. 

Ao longo da letra, Olivia mostra que o sentimento avassalador que sentia por estar em um relacionamento tão ideal não era uma cura, e sim uma anestesia temporária. Ela admite que o amor que vem do outro lado é bom e funciona como um remédio, mas remédios apenas tratam sintomas. A questão veio desse estalo de realidade: ela pensou que estar apaixonada resolveria seus traumas antigos, mas o efeito da “droga” passou e os problemas continuaram lá.

NA VERDADE, O AMOR NÃO BASTA

No início do relacionamento, o garoto era quase como uma divindade de tão perfeito, porém, ainda havia algo errado. As dúvidas continuavam lá, matutando na cabeça dela, o sentimento estranho ainda rondava seu coração: o trauma não havia sido curado. 

A chegada da maturidade foi um banho de água fria. Em “the cure”, Olivia mostra como percebeu que, no final das contas, por mais puro que o amor seja, seu parceiro é apenas outro ser humano, não é suficiente para salvá-la milagrosamente de seus próprios monstros. Ela canta sobre como a mente dela está cheia de “veneno” e como é injusto ver o parceiro tentar desesperadamente “sugar as toxinas para fora” sem sucesso. É nesse momento que ela entende que a promessa de que “o amor cura tudo” é somente um mito comercial.

Essa desilusão a obriga a olhar para si mesma e entender o que realmente está acontecendo. A música reflete que nenhuma validação externa ou paixão avassaladora é suficiente para preencher um vazio emocional. Tentar usar outra pessoa para tapar esse buraco é como tentar tratar uma doença com um analgésico, ineficaz a longo prazo.

@livbedumb

THE CURE SONG AND VIDEO IS OUT NOW!!!!!❤️❤️❤️❤️

♬ the cure – Olivia Rodrigo

ATÉ O CENÁRIO SE DESMORONA

Para além da letra, o videoclipe também é um elemento essencial para ser analisado. O clipe é feito em um cenário construído inteiramente de papelão. O hospital, os instrumentos médicos, o microfone e até o violão. Essa construção molda a materialização da transformação dos sentimentos da cantora.

O papelão representa a fragilidade da estrutura emocional que ela construiu. Enquanto achava que estava sendo protegida e “tratada” pelo amor, bastou um momento de lucidez para perceber que o cenário era falso e artificial. No fim, o hospital desmorona e ela se vê sozinha, sendo obrigada a cuidar da situação, de seu próprio vazio emocional, por ela mesma.

ENFIM, A MATURIDADE

Em SOUR e GUTS, a culpa pela dor que sentia era sempre de algum ex-namorado. Em “the cure” ela finalmente assume a responsabilidade pelo seu próprio bem-estar e talvez seja isso que torne a música uma de suas composições preferidas. Por fim, Olivia chega à conclusão de que o vazio emocional não é preenchido encontrando a “pessoa certa”, mas aprendendo a lidar com seus próprios monstros, até porque o amor nunca será a cura.

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O artigo acima foi editado por Luana Zanardi.

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Nina Simonetti

Casper Libero '29

Journalism student passionate about social issues, politics, culture and entertainment.