Lançado em 30 de maio, Something Beautiful, nono álbum de estúdio de Miley Cyrus, já havia sido anunciado como um álbum visual. A estreia do filme musical aconteceu em 6 de junho, durante o Festival de Cinema de Tribeca 2025. Mas foi só no dia 27 de junho que ele chegou oficialmente às salas de cinema.
Something Beautiful é o primeiro projeto musical de Miley com totalmente visual. Também é seu trabalho mais audacioso e experimental até hoje. Com 13 faixas, sendo um prelúdio e dois interlúdios, o álbum conta com a participação de Brittany Howard e Naomi Campbell. Nele, Miley mergulha em um pop operático, combinando elementos da música pop com técnicas da ópera. Também explora arranjos de R&B, funk, rock e EDM, muitas vezes na mesma música, para mostrar essa nova era mais atrevida.
Em entrevista a Zane Lowe, para a Apple Music, ela resume: “seja algo antigo ou eletrônico, um baixo psicodélico, majestic melodies, peças originais para piano, eu quero que tudo isso coexista no mesmo espaço.”
Psicodélico e atemporal: os visuais que constroem Something Beautiful
Após o sucesso de Endless Summer Vacation, a cantora revela ter pensado em suas experiências de vida e como, agora, consegue enxergar algo bonito em tudo que viveu. O novo álbum transmite o sentimento de cura, amor, desilusão e o poder de encontrar significado em tudo isso.
Para os visuais, Miley se inspirou no filme Mandy – Sede de Vingança, de 2018, no clássico álbum, The Wall, da banda Pink Floyd, e também na moda. Peças do acervo de Mugler, Alexander McQuenn e Jean Paul Gaultier, por exemplo, foram usadas como parte do processo criativo. “Esta era tem uma riqueza e profundidade que parecem modernas e atemporais. Os looks refletem essa mesma energia. Para mim, tratava-se de traduzir a música por meio do estilo em algo visual e elevado”, disse o estilista Bradley Kenneth à Vogue.
No prelúdio, é mostrado diversas flores que podem ter um simbolismo de renascimento e transformação, o que combina com a música que tem como objetivo transmitir sensações de nostalgia e a busca de beleza em momentos difíceis. O look Spider, de Mugler, complementa afirmando a estética psicodélica que Miley quer passar, “Eu quero ser um psicodélico humano para as pessoas.”
Já no clipe da faixa-título, é descrito um amor muito intenso e com sentimentos explosivos, mas essa não é a única explosão que tem. Depois da repetição da palavra bomb, a sensação que se tem é de que uma bomba realmente explode no instrumental e, no videoclipe, com a luz estourando. A exploração desses elementos manifesta exatamente o que a música quer expressar, exatamente como no resto desse trabalho.
A criação desse álbum como um todo foi muito pessoal para Cyrus, “o álbum é uma tentativa de medicar uma cultura doente através da música”, relata para Apple Music. A ideia de transmitir nos cinemas foi pensada para manter a conexão com quem assiste, para que algo mude no cérebro e a atenção esteja na mensagem que as letras, sons e visuais querem passar.
A MAGIA DOS VISUAIS
O filme musical de Something Beautiful nos leva a uma pergunta: o pop atual está esquecendo o poder dos visuais?Por mais que cantores façam clipes para algumas músicas, os tornando singles, a ausência de um maior investimento em identidade visual é uma reclamação frequente de fãs desse entretenimento.
Vídeos, fotos e até mesmo um álbum inteiro visual, que acompanham as músicas, trazem uma imersão e uma construção mais complexa para a era atual dos artistas. Quando contemplados os elementos juntos, é possível compreender o desenvolvimento do álbum e, também, se sentir parte do universo do cantor. Ou seja, o mundo pop precisa de mais visuais, afinal, a magia do pop não é alimentada só de música.
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O artigo acima foi editado por Beatriz Martins.
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