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Solidariedade infantil: como incentivar crianças a doar seus brinquedos?

Giovanna Ghenaim Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Quando se trata de doação, o primeiro pensamento de muitos é passar para frente os “restos” ou “sobras”, ou seja, tudo aquilo que não os serve mais. No entanto, essa ação é muito mais sobre compartilhar o que ainda pode ter utilidade para outras pessoas.

Essa partilha contribui em diversos âmbitos, como o ambiental, prolongando a vida útil dos utensílios; o social, suprindo algumas necessidades básicas que outras pessoas não têm acesso; e, principalmente, o desenvolvimento pessoal, uma vez que ajudar o próximo auxilia na formação do caráter, princípios, valores, solidariedade e altruísmo.

Como visto, práticas solidárias são necessárias em diversos aspectos e com elas a sociedade progride, logo, toda contribuição é válida, inclusive a infantil.

Porém, durante a infância é criado um vínculo emocional entre os pequenos e seus pertences, principalmente com os brinquedos. De acordo com a psicóloga Delfina Garcia Navarro Scarpin, 61 anos, isso acontece porque esses objetos trazem uma sensação de conforto, de segurança e, ao mesmo tempo, eles conseguem descobrir o mundo ao redor enquanto desenvolvem funções cognitivas, motoras e comunicativas.

Então, como fazê-los querer contribuir? Diante desse questionamento, a Her Campus Cásper Líbero selecionou seis técnicas para incentivar as crianças a doarem seus brinquedos.

Escolha as palavras na hora de conversar

O primeiro passo é a conversa, para fazê-las compreender que outros indivíduos não têm recursos para comprar divertimentos e que os que têm condições, podem dividir. Dessa forma, todos saem felizes porque não parece que houve uma perda.

Outro ponto é não falar como se fosse uma obrigação, como a típica frase “você precisa doar”. Isso faz com que elas não sintam prazer nem facilitem isso. Faça com que elas fiquem comovidas e queiram realizar esse gesto. Utilizar, por exemplo, a frase “pense em alguém que pode estar precisando desse brinquedo” é uma opção.

Seja o exemplo

Não existe uma faixa etária mínima para doar, mas, quanto mais nova for a pessoa, mais difícil é explicar sobre a necessidade desse ato para combater a desigualdade. Por isso, primeiro seja você o exemplo!

Os pequenos têm a tendência de copiar o que os adultos fazem, visto que eles aprendem muito observando. Se as pessoas próximas deles são solidárias, eles não vão querer ficar de fora. Assim, a ideia será, aos poucos, plantada na sua cabeça.

Uma dica valiosa: se possível, coloque tudo o que for separado para doação em embrulhos de presente. Se os itens forem colocados em sacos pretos, como os utilizados para descarte de lixo, essa é a impressão que ficará na mente da criança, que só se reparte aquilo que não serve mais, que é “lixo” ou desprezível, e é esse pensamento que os menores precisam evitar guardar sobre a experiência.

Crie hábitos constantes

Quem não gosta de tradições familiares? Fixem datas especiais como, por exemplo, Páscoa, Dia das Crianças, aniversários e Natal. Os eventos se tornarão datas em que todos os parentes contribuirão com o que podem.

Essas comemorações são um excelente pretexto para o desapego, pois novos passatempos e brinquedos naturalmente virão, fazendo com que os antigos, mesmo que em bom estado, percam a graça aos olhos das crianças e sejam deixados de lado.

E, quanto mais dividirem, mais comum se tornará essa ação, vindo a ser um hábito que, posteriormente, não será mais associado somente a essas ocasiões e poderá ser passado de geração em geração de maneira espontânea.

Visite instituições

É importante que eles sejam inseridos nesse mundo com uma participação ativa, pois assim solidarizam-se com a causa.

Explicar sobre diferenças sociais pode não fazer muito sentido na cabeça deles, por isso, é importante que eles vejam pessoalmente como realmente é a realidade de outras crianças. Visitar ONGs e abrigos infantis pode fazer com que essa percepção seja desenvolvida e, dessa forma, apoiem também a causa.

Envolva-os no processo

É comum que nessa fase haja um acúmulo de brinquedos, mas pegar todos e dar um fim neles não é a solução, pelo contrário, pode traumatizar aqueles que estão sendo ensinados, podendo haver uma associação negativa em relação ao compartilhamento.

A melhor opção é deixá-los ter autonomia. Eles podem decidir o que gostariam, ou não, que fosse para outras pessoas. Inclusive, é interessante que eles escolham para quem ou para onde doar.

Além disso, torne o momento divertido! Façam brincadeiras enquanto separam os objetos, coloquem músicas e dancem. Quanto mais positivas forem as lembranças desses momentos, mais recorrente eles se tornarão.

Outra forma de incentivo, recomendada pela psicóloga, é na hora da doação, a criança precisa estar presente e ela deve fazer essa ação de entregar para a outra criança. Ver os efeitos que essa simples ação causará, motiva-os a continuar fazendo isso.

faça Associação etária e comparação

Ninguém gosta de estar ultrapassado ou sentir que ficou para trás. Então, ao relacionar o item a uma idade, torna-o desinteressante. Às vezes, um brinquedo de quando a pessoa era bebê ainda está guardado, esquecido, enquanto ele poderia estar servindo aos demais. Por não querer ser comparado a uma “criancinha”, fica mais fácil abrir mão do pertence.

Doar é uma das atitudes mais preciosas que o ser humano pode fazer por si mesmo e pelos demais. Promover experiências que talvez nunca foram vivenciadas por alguém e ver a felicidade que esse gesto singelo provoca é reconfortante.

Portanto, o incentivo à doação desde cedo é indispensável. “Quando você ensina uma criança a doar desde cedo, você está construindo uma personalidade diferenciada, a criança que aprende a dividir os seus brinquedos, divide tudo. Ela aprende a pensar no outro e ter empatia”, afirma Delfina.

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O artigo acima foi editado por Mariana Garcia.

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Giovanna Ghenaim

Casper Libero '28

Journalism student at Cásper Líbero University, passionate about fashion, entertainment, travel and sports.