O cinema de terror já teve sua era de ouro com casas, rituais macabros, exorcismos e brinquedos demoníacos. Só que essa fórmula já começou a cansar. Hoje, o que mais assusta não é o espírito amaldiçoado, mas o trauma guardado dentro da mente. Filmes como Hereditário e Fale Comigo abriram uma nova fase, em que o terror vem de histórias íntimas e familiares. O medo deixou de ser externo e virou interno.
Não significa que o sobrenatural desapareceu. Franquias como Invocação do Mal ainda conseguem multidões para os cinemas, mas não são mais como antes. O problema não está no tema, mas sim na previsibilidade. O público já sabe o que esperar, fazendo com que o susto perca o efeito. Em compensação, quando o filme aborda dores pessoais, a sensação de desconforto é muito mais difícil de ignorar.
Psicológico e sobrenatural
Nos últimos anos, alguns cineastas têm tentado misturar os dois, usando símbolos macabros como fachada, mas colocando o drama psicológico como centro da trama. Faça Ela Voltar, por exemplo, fala de traumas familiares, mas envolve rituais ocultistas para criar uma tensão. Já A Hora do Mal investe nos famosos jumpscares, só que aborda várias perspectivas dos personagens para aprofundar o lado psicológico da narrativa.
A ideia é interessante, mas nem sempre funciona. Quando o drama aparece, o público sente falta do susto. Quando o foco é só no ritual ou no demônio, o resultado é o mesmo. O gênero está nesse impasse de como equilibrar o medo interno com o terror sobrenatural.
O futuro do terror
O que essa passagem nos traz é que o terror sempre acompanha as ansiedades de cada época. Nos anos 70, era o medo da guerra fria. Nos anos 2000, o medo das pandemias e da tecnologia. Hoje, é o medo das próprias emoções, das relações, das dores internas. O lado psicológico da trama fala diretamente com uma geração que se encontra tendo crises de ansiedade e em busca do pertencimento.
Já o sobrenatural, para continuar relevante, precisa se reinventar. Tentando achar novas formas de unir os dois gêneros, dando sustos bem planejados e não previstos, mas que tenham um peso emocional. O terror não se encontra só na tela, mas também nas nossas angústias e anseios nos confronta de um jeito que o sobrenatural sozinho não consegue.
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The article above was edited by Beatriz Gatz.
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