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Stage set and designed for “Shrek – The Musical”
Stage set and designed for “Shrek – The Musical”
Original photo by Ana Clara Bezson Dalla Costa
Casper Libero | Culture > Entertainment

Shrek – O Musical: vale a pena assistir?

Ana Clara Dalla Costa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O musical que conta sobre a vida do ogro mais amado do mundo chegou em São Paulo no dia 15 de abril, estrelando Tiago Abravanel como Shrek, Myra Ruiz e Fabi Bang interpretando a Princesa Fiona, Baccic como Lorde Farquaad e Evelyn Castro no papel inédito de Burro Falante.

Os cenários grandiosos, as caracterizações detalhistas e performances marcadas pelo humor e pela nostalgia tem chamado atenção do público desde a estreia. Ao longo da peça, elementos como a adaptação brasileira, os efeitos visuais, as referências aos filmes e as atuações do elenco ajudam a entender se o espetáculo consegue fazer jus ao sucesso da franquia nos palcos.

Teatro Renault vira cenário do Reino Tão Tão Distante

Ao entrar no Teatro Renault, o espectador já se depara com inúmeros pontos para tirar foto, como a varanda da Princesa Fiona e uma parte do pântano do Shrek, isso é marca registrada do teatro musical, que faz as pessoas começarem a se sentirem imersas naquele mundo desde sua entrada no teatro. Banners com alguns personagens também podem ser vistos pendurados e são ótimos para fotografar e postar nas redes. Uma boa jogada de marketing.

No momento em que os fãs se acomodam nas poltronas, observam com calma e de perto a cenografia ao redor do palco. É imersiva e majestosa. O jogo de cores e luzes fazem com que o pântano pareça “logo ali”. E a cenografia não deixa nada a desejar em nenhum momento do espetáculo.

O cenário demandou inúmeras horas de idealização, a execução foi totalmente artesanal e inspirado no projeto criado por Tim Hatley em 2013 para a produção de Shrek – O Musical na Broadway. O cenário é um dos pontos fortes da peça.

Quando o terceiro sinal toca e as cortinas se abrem, o show começa. Cores vibrantes, a música e a empolgação do elenco se espalham por todos os cantos e envolvem toda a plateia. A jogada de cores diz muito sobre a ideia lúdica da obra, tudo no cenário, figurino e na maquiagem dos atores é convidativo e bem pensado, o que torna a performance mais enérgica.

O show começa

Depois de alguns minutos, o Shrek aparece em seu pantâno, saindo do banheiro — que, por sinal, é muito parecido com o dos filmes, trazendo à tona uma memória afetiva de mais de uma geração — e Tiago Abravanel se entrega ao personagem. Com tantas próteses cênicas, seus movimentos ficam um pouco limitados, mas ele não se abala e faz o possível para mostrar o que seu personagem sente por meio de sua expressão corporal e facial.

Então, os personagens de contos de fadas invadem o pântano de Shrek, nesse momento é notável o cuidado da produção e do diretor Gustavo Barchilon para adicionar um toque brasileiro à peça. Olhando para o palco, podemos ver Emília, Cuca e Caipora, além disso, a icônica personagem de Wicked, Elphaba aparece e deixa todos encantados em ver essa figura tão significativa no mundo dos musicais de volta.

As referências à outros musicais estão sempre presentes nas entrelinhas das coreografias e algumas falas, esse pequeno detalhe provoca os fãs de musicais a procurarem todas. Então, se querem uma dica, prestem sempre atenção no geral, não foque sempre em observar um personagem só, assim, vão conseguir ver o musical de uma forma bem diferente. 

Agora, quando Evelyn Castro entra em cena como Burro Falante, a plateia não consegue mais tirar os olhos dela, e muito menos parar de rir. Ela é um evento caótico e cômico, além de ser uma surpresa bem-vinda. Ela incorpora tão profundamente o personagem, com o corpo, voz e mente, que os olhos de todos se fixam nela, como se fosse algo magnético e a plateia sempre fica ansiosa pela próxima piada. Além disso, a conexão estabelecida por Tiago e Evelyn para interpretar essa amizade é nítida e forte, o que instiga o público a se conectar ainda mais à história contada. 

Ao se encontrar internamente com seu personagem, Tiago também traz à tona um lado mais sensível e real do Shrek, um lado vulnerável e cheio de inseguranças, o que é algo muito discutido nos dias atuais. O personagem mostra o peso que os padrões estéticos e a tentativa de alcançar perfeição podem trazer para a vida de alguém.

Então, Burro e Shrek vão até Duloc, para enfrentar o Lorde Farquaad e dizer a ele para tirar todos aqueles personagens de conto de fadas do pântano, e é nesse momento que Baccic entra, com toda sua imponência e sem muita estatura. O figurino de Farquaad foi extremamente bem pensado, a ilusão da altura funciona perfeitamente, fazendo Baccic parecer minúsculo perto de todo o resto do elenco em cena, a resiliência do ator para andar de joelhos durante todo musical não é para qualquer um. Além disso, ele consegue fazer os espectadores rirem com sua interpretação e suas brincadeiras, fazendo com que seja difícil não gostar do antagonista da história. 

Shrek e Burro, a pedido do Lorde Farquaad, vão resgatar a princesa, e enfrentam a Dragona para chegar ao topo da torre. Amanda Vicente faz essa cena ser mágica pelo tamanho de seu talento, ela canta um número inteiro voando pelo palco, enquanto o Burro Falante tenta desesperadamente sair de perto de suas garras. A música mostra como a personagem era solitária e que, por ser uma dragona, todos a temiam e se afastaram dela, isto é, mesmo sendo assustadora, ela ainda tinha um coração e sentimentos. 

E então Shrek chega ao topo da torre, e encontra a tão aguardada Princesa Fiona. Myra traz um outro tom de verde para os palcos: uma princesa que viveu por muito tempo presa e que agora está determinada a viver sem amarras — de dia, pelo menos. 

Um novo tom de verde

A partir do momento em que ela aparece pela primeira vez naquela torre até o desfecho do espetáculo, a atriz se entrega completamente à personagem: dança, canta, sapateia e interpreta com intensidade, encantando o público com seu talento. Um dos grandes destaques é a forma como ela incorpora o papel de maneira tão convincente que não se percebe nenhum traço de Elphaba em sua atuação, trata-se de algo novo, fresco e cativante, que contribui para tornar a experiência ainda mais envolvente.

Vale ressaltar que a maquiagem de palco dos personagens foi idealizada por Cris Tákkahashi (design de maquiagem) e é detalhista em todos os sentidos. As maquiagens do Burro e da Dragona apresentam profundidade e trazem a ideia de humanizar os personagens, algo que o diretor do musical quis fazer desde o início. Já a do Pinóquio, mostra algo lúdico, ele parece realmente um menino de madeira.

Risadas que contagiam

As piadas e trocadilhos feitos pelos atores estão sempre mudando, o que faz com que cada sessão seja diferente e especial. Além disso, muitas dessas falas fazem referência a assuntos atuais, o que acaba chamando a atenção das novas gerações e de quem está ligado nas redes sociais. Ao mesmo tempo, também existem piadas mais clássicas, que agradam quem é mais velho, o que torna o espetáculo interessante para públicos bem diversos.

O musical é lúdico, cômico e também profundo, equilibrando esses elementos na medida certa. Ao longo de quase três horas de espetáculo, que passam surpreendentemente rápido. O público se mantém envolvido do início ao fim. Quando as cortinas se fecham, fica a sensação de querer reviver tudo novamente. O elenco se destaca pelo talento e pela energia, enquanto a produção chama atenção pelo cuidado com cada detalhe.

No final, o elenco todo entra em cena e Myra e Tiago cantam “I’m A Believer” (Smash Mouth), música tema de Shrek, que marcou muitos. Neste momento, a energia do público é empolgante, todos cantam, gravam e dançam, aproveitando ainda mais o momento e finalizando com chave de ouro o passeio. 

Essa viagem ao Pântano e à Duloc vale a pena?

A moral da história fica mais do que evidente, mostrando a importância da autoaceitação e reforçando que não se deve julgar uma pessoa pela sua aparência. Além disso, existe uma desconstrução dos clichês ao questionar o padrão nos desfechos dos contos, provando que a felicidade pode ser encontrada fora dos padrões mágicos, uma princesa pode se casar com um ogro ao invés de um príncipe e mesmo assim ter seu final feliz. 

A peça traz um ar lúdico e leve, mesmo retratando assuntos importantes, o que faz dela uma ótima programação para o seu fim de semana. Ao final do musical, o espectador fica sempre com um “gostinho de quero mais”, com vontade de voltar e assistir de novo. 

Shrek – O Musical está em cartaz até o dia 5 de julho no Teatro Renault, com sessões de quarta à domingo. Você pode conferir os horários e mais informações na Tickets For Fun!

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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann

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