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Culture

Sample Ou Plágio? Descubra As Diferenças Entre Essas Duas Formas De “Compor” Músicas

É como diz aquele velho ditado popular: nada se cria, nada se forma, tudo se… copia? Bom, na indústria musical, muitas vezes, as coisas podem acontecer mais ou menos assim. 

Recentemente, os internautas entraram em polvorosa com a notícia de que a diva britânica Adele estava sendo acusada de plágio por um compositor brasileiro. Essa polêmica internacional teve como protagonistas as canções “Million Years Ago”, uma das faixas do álbum “25”, lançado em 2015 pela cantora, e “Mulheres”, composição do mineiro Toninho Geraes popularizada na voz de Martinho da Vila. As muitas semelhanças melódicas entre o pop de Adele e o pagode dos anos 1990, causaram burburinho na internet e impulsionaram discussões a respeito dos limites entre inspiração e cópia.

Porque, sim, esses limites existem! Em alguns – não tão raros – casos, o ato de pegar emprestado alguns elementos de uma outra canção não caracteriza, de fato, plágio – mas sim, o chamado “sample”, prática que é mais comum do que você imagina. Aqui, a Her Campus Cásper Líbero te explica como diferenciar a cópia descarada – e, diga-se de passagem, ilegal – da licença poética… Continue lendo!

“Sample”: o Frankenstein da música

Em tradução literal, “sample” significa “amostra”. No universo fonográfico, esse termo da língua inglesa é usado para denominar uma prática de composição que consiste em construir uma nova obra a partir de trechos de outras canções. 

Basicamente, são utilizados recortes de outras obras, sejam eles partes da melodia ou da letra, riffs de guitarra ou, até mesmo, sons instrumentais do arranjo, como base para dar origem a algo totalmente – ou parcialmente – novo. É uma espécie de control C + control V musical, que pode ou não ser identificado pelos ouvintes.

Ué, mas isso não é plágio?

Nesse caso, não. A prática do sample é legalmente permitida, desde que haja menção à obra original e o nome do compositor da peça que serviu de inspiração seja devidamente creditado. 

Aliás, a legalidade – ou a falta dela – é a única fronteira que distingue o sample do plágio. Segundo o artigo 29 da Lei Brasileira de Direitos Autorais, qualquer pessoa que queira reproduzir, adaptar ou traduzir uma música, tem permissão jurídica para fazê-lo, desde que haja autorização do compositor ou da gravadora que reúne os direitos daquela produção. Essa é a única linha que separa o universo da criação do submundo da clandestinidade. 

Portanto, resumindo: se houver autorização prévia, essa colcha de retalhos musical é chamada de “sample”. Caso o uso do trecho não tenha sido aprovado pelos detentores da obra original, chamamos de “plágio”. 

Sample no topo das paradas

A técnica de sample ganhou o mundo na década de 1980, popularizada devido aos avanços tecnológicos da época, que facilitaram a obtenção e o manejo de amostras musicais. A partir de então, essa virou uma prática frequente, sobretudo no Hip-Hop, onde foi a solução perfeita para a escassez de recursos: na falta de uma banda ou orquestra, os DJs levavam seu próprio toca discos com samples fresquinhos, prontos para servirem de base a composições originais executadas ao vivo.

Mas não são apenas os DJs que se aventuram nesse modelo criativo. Confira abaixo alguns artistas que já usaram e abusaram do sample para criar grandes hits:

7 Rings” – Ariana Grande

Apaixonada por musicais desde criança, a musa dos melismas adora incorporar trechos de canções consagradas na Broadway às suas produções. Em “7 Rings”, lançada em janeiro de 2019, Ariana assimila a melodia do clássico “My Favorite Things”, de “A Noviça Rebelde” (1965), composta por Oscar Hammerstein II e Richard Rogers. Transposta a um trap-pop dançante, o single estreou em janeiro de 2019 já no primeiro lugar na lista Billboard Hot 100 e contabilizou, nas primeiras 24 horas, 14,9 milhões de streams, batendo um recorde mundial até então monopolizado por Mariah Carey. 

Good 4 U” – Olivia Rodrigo

Esse caso de sample virou até trend no Tik Tok! “Good 4 U” é parte do álbum de estreia da nova princesinha do pop e estreou no top 10 de diversos países, como Alemanha, Austrália, Canadá e Brasil. Bastaram poucos dias para que os internautas começassem a identificar a referência rock’n’roll que inspirou a canção: o arranjo de “Misery Business”, do Paramore. O nome dos compositores originais, Hayley Williams e Josh Farro, agora consta nos créditos da canção.

AmarElo”, de Emicida

A parceria de Emicida com as cantoras Majur e Pabllo Vittar gerou elogios e virou até trilha sonora de novela. O que os novos ouvintes talvez não saibam é que a estrofe que ganhou o gosto do público (“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro / Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro”) faz referência à letra de “Sujeito de Sorte”, composição de Belchior. 

Toxic”, de Britney Spears

Os compositores desse hit, que é um dos mais icônicos dos anos 2000, foram longe para buscar referências melódicas. “Toxic” encontrou samples na Índia, e traz trechos da melodia de “Tere Mere Beech Mein”, faixa da trilha sonora do filme bollywoodiano “Ek Duuje Ke Liye” (1981).

“hung up”, de madonna

Lá para meados dos anos 2000, a diva pop Madonna se lançou em uma vibe disco até então inédita em sua carreira, com o lançamento do álbum “Confessions On a Dance Floor“. Mas para se jogar nessa nova área do mercado musical, a cantora usou algumas ajudinhas da já consagradíssima banda sueca Abba. Para o single, Madonna se apropriou de um trecho da introdução instrumental de “Gimme! Gimme! Gimme!”, sucesso de 1979.

O artigo acima foi editado por Giulia Howard.

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Helena Cardoso

Casper Libero '21

A journalism student who loves musical theater and dreams about living in Disney World.
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