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Resenha: “Cara de um, Focinho de Outro”, nova animação da Pixar

Melissa de Melo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Atenção: essa resenha contém spoilers

Na última quinta-feira (5), a nova animação da PixarCara de um focinho de outro -, intitulado originalmente como Hoppers, chegou às telas de cinema.

Se você, assim como eu, curte filmes de animação, assistir a esse filme no cinema acompanhado de uma pipoquinha é uma ótima opção de passeio para o final de semana: com um enredo envolvente e personagens carismáticos, Cara de um, focinho de outro nos faz matar a saudade das produções queridinhas do estúdio Pixar ao mesmo tempo que propõe uma experiência única.

Ficou curioso? Continue lendo essa resenha feita para a Her Campus e conheça um pouquinho mais sobre a surpreendente sociedade animal retratada nesta obra cinematográfica.

HISTÓRIA DO FILME

A animação conta a história de Mabel (dublada por Manuela Macedo), uma jovem ativista defensora da causa animal que luta pelos direitos das outras espécies. Quando a protagonista descobre que a clareira de sua cidade – lar de diversos outros mamíferos e espaço em que passou boa parte da infância – está prestes à ser demolida por ordens do prefeito da cidade, a protagonista decide tentar impedir a demolição dela. Ao longo desse processo, Mabel descobre uma invenção científica que transfere sua consciência para a de um robô parecido com um animal, fazendo a personagem se passar por castor com o intuito de entrosar-se dentro do universo dos bichos. Mabel acaba descobrindo uma nova realidade e formato de sociedade ao mesmo tempo que tenta proteger seus amigos animais dos perigos que eles enfrentam.

POR QUE A ANIMAÇÃO VALE A PENA?

A premissa dessa animação por si só é empolgante e consegue emocionar logo no início – por meio de flashbacks mostrando os passeios que Mabel e sua avó realizavam na região da clareira–, e essa emoção continua até o final da obra – quando o prefeito e a protagonista conversam sobre encontrar um meio termo para a construção da ponte –. Para além do drama sentimental , o filme estava recheado de piadas. Não faltaram boas risadas com a grande maioria das piadas (pessoalmente, a minha favorita foi a piada feita durante a morte da personagem Rainha Borboleta, risos). 

Outro ponto forte a ser mencionado é a personalidade de cada personagem. A protagonista, Mabel, é uma garota convicta em seus objetivos e aqueles que acreditam fielmente em uma causa e a defendem irão sentir uma grande identificação com ela.  Os personagens animais também conseguem ter o seu espaço próprio e criar conexões com o público – eu particularmente adoraria saber mais sobre a linhagem do George e sobre o background dele, ou me aprofundar na história de algum dos outros grupos de animais para além dos mamíferos –. Sem contar o prefeito Jerry, que, apesar de ser o antagonista, acaba gerando momentos de leve empatia na segunda metade da trama, demonstrando as camadas dos seres humanos: ninguém é apenas bom ou mau – algo que a Pixar sabe fazer muito bem.

E indo um pouco além da personalidade dos personagens em si, algo que me fascinou ao longo do filme foi a mudança de expressão dos animais de acordo com a interação – com olhos vivos e comunicáveis quando estavam juntos de outros animais, em oposição aos olhos inexpressivos e linguagem ininteligível na visão dos humanos.

Um dos principais motivos pelo qual Hoppers conseguiu se destacar tanto foi o fato dele conversar com a atualidade por meio das críticas sociais feitas. 

O conflito principal do filme pode ser diretamente associada ao desmatamento e à segregação socioespacial: foi proposta a demolição de uma clareira no intuito de construir uma ponte para os seres humanos chegarem de forma mais rápida à cidade, cujas espécies que habitavam seus arredores foram expulsas, precisando viver em um lago com um espaço apertado para todos.

Também é possível perceber uma crítica sutil à robotização de seres vivos, já que em alguns momentos podemos perceber as falhas das máquinas, não apenas explicitamente na explosão dos protótipos dos animais, mas também quando é criada uma réplica do prefeito e esse robô é colocado lado a lado com o ser humano, em que podemos visualizar as falhas visuais e expressivas da máquina.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hoppers é provavelmente o melhor filme que a Pixar lançou na década de 2020, e tem potencial para ser um dos melhores de todo o estúdio. 

Todos os pontos mencionados na resenha – humor, momentos tocantes, personagens carismáticos e pautas sociais levantadas pelo filme – estavam equilibrados e em harmonia com a proposta da animação.

Minha experiência foi maravilhosa, e inclusive, na sessão de cinema em que fui, tanto crianças quanto adultos saíram contentes e satisfeitos da sala. Recomendo que todos os leitores curiosos dessa resenha assistam o filme e que a história da Mabel cative vocês da mesma forma que cativou a mim.

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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann

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Melissa de Melo

Casper Libero '29

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