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Casper Libero | Culture > Entertainment

Recordes, transferências e investimento: o novo mercado do futebol feminino

Júlia Holanda Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O futebol feminino está em crescimento e deixa de ser visto apenas como uma modalidade que precisa ser desenvolvida para se tornar um mercado esportivo cada vez mais valorizado. Clubes movimentaram US$28,6 milhões na janela do meio do ano, mais que o dobro de movimentações registradas no mesmo período do ano passado. O que durante anos foi proibido e limitado por leis e decretos, encontra-se em uma mudança no seu cenário econômico.

Em 2019, novas regras de licenciamento passaram a exigir que clubes interessados em disputar competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Conmebol tivessem uma equipe profissional feminina própria ou fossem associados a um clube que já possuísse uma. As regras também passaram a exigir ao menos uma categoria feminina juvenil. A mudança contribuiu para ampliar a estrutura disponível para o futebol feminino no país, que, no mesmo ano, já possuía 205 times femininos em atividade e, de acordo com o relatório Convocados de 2025, este número se encontra em 197 em meio a retomada pós-pandemia. 

O seu crescimento levou a criação de um calendário estruturado e contínuo, que garante estabilidade a todos os envolvidos no esporte. Atletas que jogam e treinam de forma regular têm um maior desempenho e mantêm um alto nível de competitividade, melhorando o espetáculo que é entregue ao público, além de tornar o produto mais atraente para as marcas. A estratégia expandiu-se para as categorias de base, garantindo a formação de novos talentos que irão sustentar o futuro da categoria.

A estabilidade cativou as emissoras que, por sua vez, geram dinheiro e visibilidade através das transmissões. Plataformas de streaming, como a Cazé TV no Youtube e canais da TV aberta como a TV Globo, tiram o futebol feminino do nicho e o apresentam ao público de massa. Essa grande exposição atrai grandes patrocinadores que desejam ser vistos. Através desta dinâmica, cria-se um ciclo econômico autossustentável.

RECORDES DE AUDIÊNCIA E O RETORNO DAS MARCAS

O Barcelona Feminino é o principal motor de bilheteria da modalidade, detendo os dois maiores públicos da história moderna. Com 91.648 torcedores, a semifinal da UEFA Women’s Champions League, entre Barcelona e Wolfsburg em abril de 2022, é reconhecida pela FIFA como o maior público em jogos de clubes femininos. Essa marca superou o El Clásico com o Real Madrid pelas quartas de final da competição, que contou com 91.553 de torcedores no Camp Nou. 

No Brasil, o futebol feminino se tornou uma realidade. O Brasileirão Feminino 2025 contou com jogos emocionantes, estádios cheios e aumento nos números de audiência e financeiros. Nos canais Globo a transmissão alcançou 60 milhões de pessoas, além de ocupar o espaço nobre nas manhãs de domingo. No Globoplay o aumento foi de 29% em relação a 2024. O torneio também bateu um recorde histórico ao arrecadar R$3,4 milhões em bilheteria e mostrou um nível técnico e estrutural que gera o engajamento e entretenimento necessários para as marcas.

Das 92 marcas que estamparam as camisas das 16 equipes do Brasileirão feminino, metade delas foram patrocínios exclusivos. Esse índice representa um avanço significativo na maturidade da modalidade, já que boa parte das marcas chegava ao feminino por extensão de contratos já existentes no masculino. Agora, as empresas enxergam um valor e audiência própria da modalidade, direcionando seus investimentos às equipes femininas.

O “boom” nas transferências

A janela do meio do ano mostrou grande movimentação, contabilizando o dobro dos investimentos do ano passado. Essa expansão financeira veio acompanhada pelo aumento na circulação de atletas, que apresentou alta de 19,2% em relação ao recorde anterior, com 1.406 transferências internacionais.

A Women’s Super League segue sendo a grande força financeira, consolidando mais uma vez sua estrutura comercial desenvolvida. A Inglaterra chegou a ter gastos de US$8 milhões, com 125 atletas contratadas e 95 vendidas. Na sequência, os espanhóis marcaram US$6,6 milhões, seguida por Alemanha com US$4,9 milhões e Estados Unidos com US$2,9 milhões. Os clubes que possuem mais poder de compra passam a buscar atletas em mercados que tradicionalmente apresentavam menor participação nos grandes negócios internacionais.

O atual destaque internacional foi a transferência da atacante brasileira Kerolin, que estava no Manchester City e foi para o Barcelona. Estima-se que a transação teve um valor próximo aos 1,5 milhões de euros (8,6 milhões de reais) e se tornou a maior venda do clube inglês, a compra mais cara do clube catalão e a maior transferência de uma brasileira na história. Amanda Gutierres assumia o posto brasileiro anteriormente, vendida ao Boston Legacy por R$5,89 milhões.

A zagueira Letícia Teles foi outro sucesso nas negociações brasileiras. Deixou o Corinthians por aproximadamente 700 mil dólares (3,5 milhões de reais) rumo ao Al-Qadsiah, da Arábia Saudita. Tornou-se a maior venda da história do clube, superando a marca da zagueira Tarciane que deixou o clube por cerca de R$2,59 milhões, além de ser a segunda maior transferência do futebol brasileiro feminino.

a importância para o futuro do esporte

No passado a modalidade feminina era vista apenas como um complemento do masculino, mas hoje já possui seus próprios meios de crescimento: patrocínios exclusivos, audiência, produtos licenciados e personalidade própria. A trajetória de resistência inspira meninas e mulheres no mundo inteiro. Por isso, devemos sempre promover a igualdade de oportunidades para ampliar o acesso ao esporte e fortalecer a formação e valorização das profissionais. 

A ampliação das competições nacionais colaboram para a projeção de atletas brasileiras no cenário internacional. Nomes como Marta, Kerolin, Debinha e Priscila Silva contribuíram para a visibilidade do futebol feminino brasileiro ao protagonizarem contratos milionários e grandes transferências, que mostram a verdadeira proporção e capacidade dos nossos talentos que se tornam referência no esporte. 

O crescimento do mercado financeiro vai além dos números e das balanças comerciais. Cada investimento, transferência e recordes batidos representam mais um passo para firmar o valor do esporte feminino na sociedade. Ao provar sua visibilidade e atração do público, a modalidade encerra a era dependente de favores institucionais para iniciar a sua própria história.

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O artigo acima foi editado por Sophia Foster 

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Júlia Holanda

Casper Libero '29

Estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, amante da área de comunicação esportiva e cultural ✨️