Kellyn Simpkin-Girl In Front Of Eiffel Tower France Hat Paris

Paris Fashion Week: Veja Os Highlights Das Coleções Outono/Inverno

A paixão é um sentimento contínuo na Cidade das Luzes, casais sentam-se aos bistrôs e até mesmo as flores se apaixonam no jardim de Luxemburgo. Nos dias 24 de fevereiro ao dia 3 de março não poderia ser diferente, Paris foi regada de amor pela moda com a tão aguardada Fashion Week Outono/Inverno. 

Os nove dias de evento não deixaram de fornecer tudo o que um amante de high fashion deseja. A capital francesa serviu de espaço para desfiles que exibiram múltiplas denúncias políticas combinadas com costuras diversas. 

Abaixo, confira os principais highlights do evento. 

  1. 1. Primeiro dia: Nigéria e corações em Paris

    Paris estava gelada pelo inverno quando Naomi Campbell tomou a passarela no show da Kenneth Ize no primeiro dia da Semana. Foi a primeira apresentação da marca no PFW, e não existiria jeito melhor de estrelar sua coleção do que uma das maiores modelos globais servindo um clássico catwalk profissional. 

    Com cores vibrantes e estampas variadas, Ize é um entre os designers presentes no festival que exprimiram a moda africana. 

    Kimhekim também marcou presença na inauguração da Semana.

    Em 2019, a marca recebeu críticas a respeito do uso de bolsas de soro como agregado aos looks apresentados no show; entretanto, em 2020 a ousadia e autenticidade não foram perdidas com sua nova coleção de Outono/Inverno “Lonely Lovers”. Kiminte, o diretor criativo da Kimhekim, continuou com sua forma de fazer moda a partir das emoções abstratas e o formato do coração tomou a runway da Fashion Week. 

  2. 2. Segundo dia: Consent

    Provavelmente um dos line ups mais fortes do evento estavam no dia 25 de fevereiro. Concorrendo a agenda com Saint Laurent, Dior apresentou o maior show da Semana até aquele ponto com a coleção “I Say I” elaborada pela diretora Maria Grazia Chiuri em parceria com a artista Claire Fontaine. 

    Pelo Instagram, a marca explicou que o desfile foi a sintetização do diário de Chiuri durante a adolescência, o qual confere sua visão sobre a moda feminina e ação do feminismo no âmbito fashion: “A moda é uma escolha, não uma imposição e, em última análise, deve ser um reflexo da mulher que a veste.” 

    O cenário do show retratou tal ideia com manifestos confeccionados por Fontaine. Frases como “Feminine beauty is already made”, “When women strike the world stops” e “Patriarchy = Oppression” pendiam do teto criando ligação direta com a ideia de Chiuri e a denúncia feminista.

     

  3. 3. YSL chama atenção

    Ainda no segundo dia do evento, YSL (Yves Saint Laurent) chegou a França all about legs & latex. A marca capturou os olhos parisienses e de diversos famosos presentes na plateia, como Lily Collins, Rami Malek e Hailey Bieber, com a mais nova coleção Women’s Winter 20.

    Executadas por Anthony Vaccarello, as peças  — curiosamente  — não seguiram a clássica paleta de cores da marca tão explorada pelo designer (de roxos vibrantes ao costumeiro preto), e sim, trouxeram tons coloridos e diversos que chegaram a surpreender ao serem comparadas com as costuras passadas da Saint Laurent.  

    Vaccarello trouxe inúmeras confecções surpreendentes, como os feitos em látex — em destaque às calças que abraçam as pernas femininas e acentuam a beleza delas como uma segunda pele — e os overcoats. 

  4. 4. Terceiro dia: The eye (and head) of the tiger

    A manhã do dia 26 de fevereiro foi tomada pela Kenzo com o primeiro show do português Felipe Oliveira Baptista. A passarela recebeu um cenário moldado com tubulações para representar a coleção Outono/Inverno: “Going Places”. 

    Casacos reversíveis e sacos de dormir que tornam-se jaquetas (e vice-versa) fazem parte e inauguram a obra de Baptista em um perfeito street style que conta com praticidade sem descartar os elementos do high fashion. 

    Além desse destaque, a marca informou em seu site que as estampas seguem a cor da natureza e algumas peças contam com a ilustração de uma cabeça de tigre confeccionada por um dos maiores nomes da arte contemporânea portuguesa: Júlio Pomar. 

  5. 5. Quarto dia: De totens à carros

    “If You Listen Carefully… I’ll Show You How to Dance” é o nome da coleção Outono/Inverno da Chloé que abre a manhã de quinta feira no Grand Palais. O cartão postal das peças confeccionadas por Natacha Ramsay-Levi’s foi a arte da húngaro-americana Rita Ackermann, exibindo mensagens e representações gráficas que exprimem as emoções femininas. 

    Além disso, o show foi tomado pela mistura da formosura da literatura e pela elegância da arquitetura. “She walks in Beauty, like the night” de Lord Byron é narrado na voz de Marianne Faithfull em construção de uma trilha sonora poética que tomou os ouvidos da front row. A apresentação também contou com a beleza de totens produzidos pela francesa Marion Verboom que preencheram o cenário parisiense com tons metálicos.  

  6. 6. Virgil Abloh e a Off White

    O dia 27 também foi palco para uma das maiores e mais instagramaveis marcas dos últimos anos: a Off White. 

    Não é novidade que Virgil Abloh tenha produzido mais uma coleção que retrata a alta costura de maneira autêntica. Dessa vez, em um cenário decorado com partes de Mercedes, tules combinados com jaquetas abrem a passarela da coleção Slightly Off.

    Entretanto, por mais que as peças tenham ganhado a atenção da plateia, a aparição da família Hadid conquistou os olhares da internet. Bella, Gigi e Yolanda, a mãe, dominam a passarela trajando a obra de Abloh e quebrando o estigma de que a marca é voltada para o público jovem.

  7. 7. Quinto dia: 70’s

    A sexta feira na Cidade das Luzes seguiu com desfiles de nomes que irão, possivelmente, crescer ainda mais no ano de 2020. Loewe marcou sua presença na Semana após a eclosão de seus óculos escuros ao lado de Yohji Yamamoto e Balmain.

    Entretanto, o carro chefe do dia 28 foi Celine e suas cores neutras. Elaborada por Hedi Slimane, a coleção Outono/Inverno deste ano relembra a moda dos anos 70 ao trazer o caráter unissex em suas peças. 

  8. 8. Sexto dia: Call me by your eccentricity

    No último dia do mês, a presença de Timothée Chalamet ganhou os holofotes do Instagram. Para dar suporte a seu amigo e designer Haider Ackermann, o ator garantiu seu lugar na front row do desfile trajando sua simplicidade fashion — uma camiseta branca, jeans, um par de McQueen desgastados e óculos escuros cobrindo os olhos.

    Além da visita inesperada de um dos atuais favoritos de Hollywood, a Comme Des Garçons chega às passarelas sem abandonar seu caráter que causa estranhamento por sua costura única. Silhuetas que escondem a forma humana e cores vibrantes foram a marca da coleção de Rei Kawakubo em 2020. 

    Em uma Semana de Moda onde o esperado é ver contornos femininos finos, cinturas definidas e penteados milimetricamente retos, a Comme Des Garçons desafia mais uma vez o conceito de moda de forma fantástica sem deixar de fazer arte. 

  9. 9. Sétimo dia: Climate change

    Março começou com o desfile de mais uma marca que não deixa de entregar confecções extraordinárias. A Balenciaga tomou as passarelas com toda sua força em uma denúncia às mudanças climáticas.

    Com direito a um cenário apocalíptico, pisos pretos cobertos de água e um jogo de luz incessante, a marca estabelece sua crítica às políticas ambientais em uma coleção produzida por Demna Gvasalia. 

    O preto, o tom de couro e a borracha foram os highlights da nova coleção da Balenciaga, seguidos por peças mais desafiadoras como ombros e braços exuberantes e botas masculinas que rompem a padronização com seus canos altos.

  10. 10. Oitavo dia: “Safety & Comfort”

    A moda detalhista de Alexander McQueen não poderia estar de fora da PFW e, como de costume, a coleção Outono/Inverno 2020 contou com curvas delineadas. Desenvolvidas por Sarah Burton, as peças da McQueen incluíram uma paleta de cores que abrange o branco, o cinza, o preto e até o vermelho. 

    Na apresentação de sua produção, a designer descreve a coleção como “uma carta de amor às mulheres e às famílias, colegas e amigos” destacando que a costura de sua confecção busca trazer “segurança e conforto”. 

  11. 11. Nono e último dia

    La Ville des Lumières não poderia terminar o Fashion Week sem Chanel e sua eterna chama francesa. 

    O terceiro dia de março foi preenchido por um show esquematizado para assemelhar-se com o rio Sena. Modelos, algumas em pares, em trios e outras, ainda, individualmente, dominam a passarela com nada mais Coco do que cintura alta, casacos longos e bolsas compactas. No entanto, as inovações estavam nas botas “mosqueteiro” que acompanharam todos os looks da runway sem exceção e nas calças folgadas com botões subindo pela lateral. 

    Além do mais, Kaia Gerber trouxe aos olhares da passarela uma das maiores produções da coleção Fall-Winter 2020/21: um vestido preto longo, sem alças, com mangas bufantes e leves.

  12. 12. Miu Miu & Prada

    A terça feira da Semana continua e, com ela, a filha de apenas 27 anos da Prada chega às passarelas: Miu Miu. 

    Miuccia Prada sempre traz às suas apresentações rostos conhecidos, a coleção Fall/Winter 2020 não poderia ser diferente ao iniciar um show com celebridades arriscando o catwalk. O desfile foi aberto pela estrela da série Euphoria, Storm Reid trajando o primeiro look: um vestido alaranjado e longo — que também apresenta versões nas tonalidades amarelas e verdes — acompanhado de um casaco também de grande comprimento. As surpresas não acabam e Rita Ora sobe à passarela com uma combinação com direito a luvas de borracha

    Outros grandes nomes também remarcaram presença na PFW como Gerber, as irmãs Hadids, Law e Adut Akech. 

    A própria marca descreveu a coleção, via Instagram, como “o fascínio duradouro do charme, um exercício de atração — o prazer da moda e o prazer que a moda pode proporcionar.”

  13. 13. Louis Vuitton fecha a PFW com chave de ouro

    Para fechar o PFW com chave de ouro, Louis Vuitton chega com um show que agregou 6 séculos em apenas, aproximadamente, 13 minutos. Confeccionada por Nicolas Chesquiere, a coleção Fall-Winter exibiu looks desde arcaicos até mais futuristas acompanhada de um coral vestido de roupas de época. Como uma máquina do tempo, LV faz uma viagem entre os centenários de maneira artística e surpreendente.

    É preciso frisar que as estampas e cortes da marca traduziram perfeitamente uma linha do tempo entre os séculos XV e XX. Saias bufantes e “intricate jackets” mergulharam na passarela como um perfeito livro de história da moda. 

    De Kenneth Ize e Naomi Campbell à Louis Vuitton e seu barroco, o Paris Fashion Week exibiu as coleções Outono/Inverno de 2020 sem abandonar o viés artístico e as correntes políticas para falar de moda. Foram, no total, nove dias de espetáculos em City of Lights, explorando cada vez mais a paixão interminável por haute couture. 

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O artigo acima foi editado por Laura Ferrazzano

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