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Empreendedorismo Feminino No Brasil: A Luta É Contra O Machismo

O artigo abaixo foi escrito por Sophye Fiori e editado por Larissa Cassano de Abreu. Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!

Desde 2020, o Brasil trilha um caminho de mudanças em decorrência da pandemia da Covid-19, sejam estas boas ou ruins. Neste período, o país registrou, no ano passado, o maior número de empreendedores na história, não exatamente por vocação, mas a maioria por necessidade.

Durante os dez primeiros meses de 2020, o número de microempreendedores individuais (MEIs) cresceu 14,8% em comparação com o mesmo período, em 2019. Ao enfrentar a crise financeira gerada pela pandemia, esses empreendedores lidam com incontáveis dificuldades. Entretanto, quando enxergamos a situação de forma microcósmica e tomamos ciência de que estes números são, na verdade, pessoas e vivências reais, o espanto é natural. 

Ampliando ainda mais a situação, percebemos que grande parte desses números são ocupados por mulheres empreendedoras, o que acaba tornando tudo ainda mais difícil, levando em conta a sociedade patriarcal e o machismo estrutural ao qual temos de superar diariamente. 

Buscando dar voz à parcela feminina empreendedora que, por muito tempo, foi tão silenciada, Ana Cláudia Reinoso (cujo nome artístico é Nahla Morani) conversou com a Her Campus e abordou as dificuldades que enfrenta nesse cenário empreendedor, com o agravante de se encontrar no ramo artístico. 

Formada em economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Nahla conta: ” Eu já trabalhei em banco, coordenei equipes e estudei muito. Entre o final de 2019 e o começo de 2020, me foi dada a missão de tomar conta da Khan el Khalili.” De São Paulo, a Khan el Khalili possui 40 anos de história e é referência em formação bailarina em dança do ventre. A famosa casa de chá árabe conta com shows, eventos, apresentações, jantares árabes e, paralelo a isso, fornece aulas de dança e de cultura árabe.

Foto: Reprodução/Instagram – Festival Dahab Brasil-Egito

Sobre o enfrentamento da pandemia logo que assumiu tal cargo, Nahla revela: “A primeira coisa que passou na minha cabeça foi que eu estava lascada. Peguei um negócio quebrado e com pouco retorno, e concluí que ia precisar me virar com o que podia. As bailarinas que vem dançar aqui, infelizmente, não é o que sustenta a casa. Se eu não abrir pra brasileiro, eu não me sustento. E infelizmente, a arte no Brasil é extremamente desvalorizada.”

Pensando em saídas para resolver o problema, ela percebeu que os festivais de dança e cultura árabe, algo que costumava assistir fora do país, não aconteciam no Brasil. Foi então que decidiu criar o seu próprio evento. “Assim nasceu o Dahab Brasil-Egito, fundado por mim. Esse festival foi – e é – um estouro! Pessoas do mundo inteiro querem participar! Na edição deste ano tivemos participantes do Vietnã, Chile, Estados Unidos, Rússia e tantos outros países. Isso me dá muito fôlego para continuar.”

Nahla contou que sua história com o lugar começou muito cedo. Durante a entrevista para a vaga no Banco, a entrevistadora perguntou a economista sobre o que faria com o primeiro salário. Foi quando a economista revelou seu grande sonho em fazer dança do ventre.

“Ela me recomendou a Khan. Comecei com aulas uma vez por semana, depois duas, três, quatro até não parar mais.” O antigo dono enfrentou muitos problemas durante esse período e confiou nela para passar o seu negócio. “Ele passou essa responsabilidade pra mim, já que eu era uma frequentadora e bailarina assídua da Khan el Khalili. Às vezes nem acredito nas voltas que o mundo dá.”

“Eu disse que meu sonho era fazer dança do ventre, porque era mesmo!”

Foto: Reprodução/Instagram

Em seu Instagram, Nahla desabafou sobre os desafios de ser mulher em um cargo de liderança:

Descobri que para vencer sendo mulher, precisava de muita força de vontade, persistência e uma boa dose de resiliência para conquistar aquilo que queria em minha vida. (…) Nada foi fácil e, por ser mulher, parecia tudo impossível. Aprendi muito com meus erros e acertos e percebi que é melhor errar porque tento fazer algo do que não fazer nada e ficar pensando no que teria acontecido se tivesse feito.

Sobre esses aprendizados, ela conta que o financeiro é apenas consequência do seu trabalho bem executado, mas que algo mais profundo e significativo para ela passou a fazer parte deste novo momento da sua vida. “Ao longo do meu processo atuando e trabalhando com a dança, eu comecei a perceber que a arte não era para me libertar. Era um processo para minha libertação. Apesar dessa minha responsabilidade de cuidar da casa e não poder fugir do mundo dos negócios, quando estou dançando, é um universo completamente diferente. Um universo meu, eu e eu.”

No último dia 19 de novembro, foi celebrado o Dia Mundial do Empreendedorismo feminino. Assim como Nahla Morani, existem várias mulheres dotadas de coragem ao assumirem seu próprio negócio e que enfrentam, diariamente, todas as dificuldades do universo empreendedor. Não é uma tarefa fácil por si só, mas em um mundo em que a competência feminina é questionada a todo momento, determinação é a palavra-chave para não desistir dos próprios sonhos. E nós temos o compromisso de apoiá-las e respeitá-las. 

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Sophye Fiori

Casper Libero '24

Graduate student of journalism at Cásper Líbero college. Since always looking for stories to be told.
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