Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture

O último trimestre de 2026 chegou: por que temos a sensação de que o ano passou rápido demais? 

Fernanda Sivieri Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Janeiro parece que foi ontem. Você provavelmente ainda estava fazendo planos para 2026, pensando nas metas do ano, prometendo que dessa vez ia se organizar melhor e, quem sabe, até começar aquela rotina fitness que duraria mais de duas semanas.

Agora, o último trimestre do ano já chegou e bate aquela sensação de que não é possível que falte tão pouco tempo para 2027. Afinal, para onde foram os últimos meses?

Se você sente que o tempo está passando cada vez mais rápido, saiba que não está sozinha. E não, o calendário não decidiu acelerar. Essa sensação pode estar relacionada à maneira como vivemos e, principalmente, à forma como nosso cérebro percebe e registra as nossas experiências.

Segunda-feira, faculdade, trabalho… e de repente é sexta

Pense em uma semana comum. Você acorda cedo, vai para a faculdade ou para o trabalho, responde mensagens no caminho, assiste às aulas, participa de uma reunião, resolve algumas pendências, volta para casa, janta, termina aquele trabalho que deveria ter sido entregue ontem e, antes de dormir, ainda passa alguns minutos, que facilmente viram horas, rolando o feed. 

Na segunda-feira, a sexta parece estar a quilômetros de distância, mas, quando você percebe, já é domingo à noite e tudo vai começar novamente.

Quando os nossos dias seguem uma rotina muito parecida, eles podem acabar se misturando na memória. Isso acontece porque experiências repetitivas podem deixar menos lembranças distintas para diferenciar um dia do outro.

É diferente de uma viagem, por exemplo, quando em poucos dias podemos conhecer lugares diferentes, experimentar comidas novas, encontrar pessoas e viver situações inesperadas. Ao recordar de uma experiência assim, podemos ter a impressão de que ela durou mais tempo que o normal . Já três semanas de aula, estágio e trabalho podem ser resumidas mentalmente em uma única frase: “eu estava ocupada”.

Quanto mais ocupada, mais rápido?

Talvez você já tenha falado, ou ouvido alguém falar, que “não tem tempo para nada”. Acordamos pensando no que precisamos entregar, passamos o dia correndo de um compromisso para outro e vamos dormir fazendo uma lista mental de tudo o que ainda falta resolver. 

Faculdade, trabalho, estágio, academia, vida social, família, relacionamento, tarefas de casa… e ainda existe o celular, que está presente em praticamente todos esses momentos.

Estamos constantemente recebendo notificações, respondendo mensagens, acompanhando vídeos, vendo o que outras pessoas estão fazendo e pensando no próximo conteúdo antes mesmo de terminar o atual.

Não é difícil entender por que os dias se tornam uma sequência de pequenas tarefas. O curioso é que um dia cheio de compromissos pode parecer longo enquanto acontece, mas, quando olhamos para trás, a semana inteira dá a impressão de ter passado em um instante. É como se estivéssemos tão preocupadas em chegar ao próximo compromisso que esquecemos de notar o que estava acontecendo no caminho.

O famoso piloto automático

Sabe quando você chega em casa depois da faculdade ou do trabalho e percebe que nem lembra direito do caminho que fez? Esse é um exemplo simples de como podemos realizar determinadas atividades no automático. 

Quando algo já faz parte da nossa rotina, precisamos prestar menos atenção aos detalhes. O cérebro já conhece aquele caminho, aquela tarefa e aquele horário, então não precisa processar tudo com a mesma intensidade de quando estamos diante de uma situação nova.

Isso também pode acontecer com os nossos dias. Se toda terça-feira é praticamente igual, se toda quarta tem as mesmas aulas, se toda quinta termina com trabalho acumulado e se todo fim de semana é ocupado pelas mesmas atividades, podemos ter dificuldade para distinguir as lembranças de um dia das de outro. Por isso, às vezes, temos a impressão de que um mês inteiro passou em uma semana.

Talvez você só esteja precisando de novidades

Uma das coisas que podem fazer um período parecer mais marcante é justamente sair um pouco da repetição. 

Isso não significa largar a faculdade, pedir demissão ou comprar uma passagem de avião para outro país toda vez que sentir que o ano está passando rápido. Às vezes, pequenas mudanças já são suficientes para quebrar o piloto automático: conhecer um café novo, fazer um caminho diferente até a faculdade, começar um hobby, marcar aquele encontro que está sendo adiado há meses ou simplesmente fazer alguma coisa pela primeira vez.

Novas experiências criam novos pontos de referência para a nossa memória. Talvez seja por isso que, quando lembramos de um período cheio de novidades, temos a impressão de que ele foi muito mais longo. Não necessariamente porque os dias duraram mais, mas porque temos mais acontecimentos para separar uma semana da outra e lembrar de cada momento.

Então, como fazer o ano parecer menos acelerado?

A resposta não é tentar controlar o relógio, porque isso, infelizmente, ainda não conseguimos fazer. Mas podemos tentar prestar mais atenção no caminho. Em vez de pensar apenas na próxima prova, no próximo trabalho, no próximo salário, no próximo feriado ou nas férias, talvez valha a pena notar um pouco mais o que está acontecendo agora.

Isso pode significar deixar o celular de lado durante uma refeição, conversar sem olhar para as notificações, registrar pequenas conquistas, experimentar algo novo ou simplesmente reservar alguns minutos do dia para não fazer absolutamente nada. Nenhuma dessas atitudes vai fazer outubro voltar para janeiro, mas pode ajudar a tornar as experiências cotidianas mais significativas e fáceis de recordar.

Afinal, já é outubro mesmo?

Sim, infelizmente não temos como negociar com o calendário. Mas talvez a chegada do último trimestre não precise ser motivo para entrar em pânico com todas as coisas que você ainda não fez. Ainda existem alguns meses para viver, mudar planos, começar alguma coisa, desistir de outra, encontrar pessoas, criar memórias e, principalmente, sair um pouco do piloto automático.

Porque o tempo vai continuar passando. A questão é: quando você olhar para trás, vai lembrar apenas de como ele passou rápido ou também de tudo o que aconteceu enquanto ele passava?

———————————————————————————————————————————————————————————————————————

O artigo acima foi editado por Ana Flávia Rossi.

Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!

Fernanda Sivieri

Casper Libero '26

Estudante de jornalismo na Cásper Líbero.
Amo esportes, livros, filmes e séries.