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Casper Libero | Culture

O Que O BBB 21 Tem Nos Mostrado Sobre Os Perigos Da Cultura Do Cancelamento?

Julia Marsan Student Contributor, Casper Libero University
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Casper Libero Contributor Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

É evidente que o Big Brother Brasil deixou de ser apenas um programa de entretenimento brasileiro e se tornou um ambiente propício à abordagem de questões de grande relevância. Este cenário se tornou ainda mais claro na edição de 2020, em que temas como racismo e machismo foram amplamente discutidos entre os participantes e tiveram uma grande repercussão fora da casa mais vigiada do Brasil. 

Nesta edição de 2021, por sua vez, a temática discutida é a cultura do cancelamento, visto que, o apoio às figuras públicas passou a ser determinado pelos “tribunais” das redes sociais, que julgam se sua postura é condenável, ofensiva ou preconceituosa. Diante disto, os brothers demonstram cada vez mais apreensão diante de um possível cancelamento, o que reflete em mudanças de comportamento, perda de espontaneidade e maior insegurança. 

Polêmicas cada vez mais frequentes

Com as polêmicas que estão acontecendo com frequência no reality, muitos participantes estão sendo cancelados, tanto dentro, quanto fora da casa. É o caso da rapper Karol Conká, por exemplo, a qual foi eliminada do programa com recorde de rejeição do público devido às atitudes agressivas e preconceituosas da sister com os outros participantes, sobretudo com o ator Lucas Penteado. Assim, a cantora perdeu milhares de seguidores, participações em festivais de música e patrocínios de inúmeras marcas.

Quais são os perigos dessa cultura?

Quais são os efeitos deste boicote às figuras públicas? Para melhor entendimento desta questão, a Her Campus Cásper Líbero conversou com Matheus Watson, estudante de Relações Públicas, assessor da agência de gerenciamento de carreira de artistas, influenciadores e blogueiros, Chango Digital, e amigo da Youtuber e influenciadora Viih Tube, uma das participantes do BBB 21. 

Desde o ano passado o BBB mudou a sua dinâmica, tendo seu elenco composto por pessoas desconhecidas e outras já famosas nas redes. Para Matheus Watson, além do prêmio de 1 milhão e meio de reais, existe outro motivo pelo qual pessoas anônimas e, sobretudo, influenciadores e artistas topam entrar na casa mais vigiada do Brasil. “Eu acho que os influenciadores, em geral, optam por participar do BBB para ter maior visibilidade nacional, já que o Brasil inteiro acompanha o programa e por conta da repercussão do Big Brother 20. Então é mais para diversificar os seus seguidores, porque muita gente quando entra tem um público muito específico, em relação a conteúdo, faixa etária…”, deduz o assessor sobre as figuras públicas que aceitam entrar na casa.

“Para mim a cultura do cancelamento é hipócrita”

No entanto, uma vez dentro do reality, os participantes se expõem às críticas de todo o povo brasileiro telespectador do programa, estando sujeitos ao cancelamento. Assim, Matheus ressalta a apreensão dos brothers de serem cancelados “Eu acho que a cultura do cancelamento gera medo, e ao entrar no BBB o sentimento aumenta por ser um programa monitorado 24h00. Assim, as pessoas ficam com medo de cometer qualquer deslize e serem mal interpretadas, como aconteceu na edição passada”. 

Por trabalhar no ramo e ser próximo de pessoas influentes, Matheus Watson diz perceber um certo receio das figuras públicas em como se portar, o que fazer e falar: “Eu trabalho em uma empresa com mais de 30 influenciadores e trabalho com 15 deles. Todos os que com quem trabalho, sem exceção, sempre perguntam se o que eles vão publicar, responder ou falar pode ser mal interpretado e trazer algum tipo de cancelamento”. Assim, expõe: “Para mim a cultura do cancelamento é hipócrita, porque quando o influenciador erra ele merece sim um ‘puxão de orelha’ tanto da sua equipe, quanto dos seus fãs. Mas tem muitas pessoas que aproveitam o gancho do erro do influenciador para atacar, e não ensinar”.

Neste sentido, o assessor faz uma comparação entre a cultura do cancelamento e a situação entre Karol Conka e Lucas Penteado, alegando ter contribuído para a conscientização do público diante a cultura do cancelamento. “O que aconteceu com o Lucas foi um ótimo exemplo de como o influenciador se sente quando erra e é cancelado. O Lucas representa o influenciador quando erra e a Karol o público, que só julga, ataca e trata mal, ou seja, a canceladora. Foi bom para as pessoas verem como o Lucas ficou porque é aquele o estado que o influenciador fica (diante o cancelamento).”

Influencers erram

“Eu acho que as pessoas que acompanham influenciadores e artistas no geral esquecem que eles são seres humanos como qualquer outra pessoa, e por sempre acompanharem uma vida perfeita, já que os influenciadores mostram só a parte boa da vida, eles passam a acreditar que aquela é a realidade. Dependendo da proporção do cancelamento, traz um trauma, crises de ansiedade, pânico…”, conclui Matheus.

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O artigo acima foi editado por Vivian Cerri.

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Julia Marsan

Casper Libero '24

Jornalism student at Casper Libero