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O impacto do voto das mulheres: Por que as campanhas estão voltadas ao público feminino?

Maria Eduarda Garcia Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nas eleições brasileiras, conquistar o voto feminino deixou de ser apenas uma estratégia de campanha e tornou-se uma necessidade para candidatos que buscam ampliar suas chances nas urnas. As mulheres são maioria entre os eleitores do país e apresentam demandas específicas que podem influenciar suas escolhas políticas. Em um cenário eleitoral cada vez mais polarizado, atingir essa parcela da população tornou-se fundamental para partidos e candidatos.

A atenção ao eleitorado feminino também pode se relacionar à diversidade de perfis existentes entre as mulheres. Diferenças de idade, renda, escolaridade, região e situação profissional fazem com que não exista um único “voto feminino”, embora, outros setores do eleitorado dividam as mesmas preocupações. Determinados assuntos aparecem com frequência entre esse grupo, como acesso à saúde, segurança, emprego, educação, combate à violência e políticas de cuidado.

Mulheres são maioria entre os eleitores

O peso eleitoral das mulheres pode ser observado nos próprios dados do eleitorado brasileiro. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas representam mais da metade das pessoas aptas a votar no país. Isso significa que uma campanha que consiga dialogar com uma parcela significativa desse público pode conquistar uma vantagem importante na disputa.

O cenário faz com que partidos e candidatos desenvolvam estratégias específicas de comunicação. Publicidade, discursos, propostas e até a escolha dos temas abordados nas redes sociais passam a considerar as preocupações de diferentes grupos de eleitoras.

As estratégias, entretanto, não buscaram incluir em suas propostas líderes e representantes mulheres. Por exemplo, essa foi a primeira eleição do século em que não houve nenhuma candidata competitiva à Presidência da República 

Além disso, a lei n 12.034, criada em 2009, estabeleceu que 30% das candidaturas às vagas proporcionais deveriam ser preenchidas por mulheres. Porém, desde o decretamento da norma, a representatividade feminina permanece estagnada nos partidos.

Vale ressaltar que mulheres têm o poder de influenciar ativamente a decisão de votos nos núcleos familiares. Tendo em vista que, principalmente entre famílias mais conservadoras, é a figura feminina a responsável por discernir e influenciar as decisões familiares.

Da conquista ao voto ao protagonismo

A participação de mulheres na política brasileira é resultado de um processo histórico gradual. O voto feminino foi estabelecido no Brasil em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. Dois anos depois, a Constituição de 1934 consolidou este direito, embora a participação política das mulheres fosse quase inexistente.

Desde então, a presença feminina na política institucional ainda é inferior à participação delas no eleitorado. Essa diferença cria um paradoxo: as mulheres possuem grande peso para eleger os candidatos, mas continuam sub-representadas nos espaços de poder.

Quais temas podem influenciar o voto feminino?

Entre os assuntos que foram destaques durante as campanhas eleitorais estão questões diretamente relacionadas ao cotidiano das eleitoras. A violência contra a mulher, por exemplo, é o tema mais recorrente de preocupação entre as eleitoras. Além de políticas públicas relacionadas à segurança, justiça, assistência social e saúde. A discussão envolve desde medidas de prevenção até o atendimento às vítimas e o funcionamento da rede de proteção.

Outro tema é a saúde. Questões como atendimento ginecológico, saúde materna, planejamento familiar e acesso a serviços públicos fazem parte das demandas específicas das mulheres. Esse ano, também houve a movimentação acerca das bets e os malefícios para a saúde mental entre os apostadores.

No campo econômico, a desigualdade salarial e o espaço feminino no mercado de trabalho figuram entre as principais preocupações do eleitorado. Além disso, o endividamento, a informalidade e a oferta de linhas de crédito mais caras para as mulheres também estão entre os pontos de atenção do eleitorado.

Há ainda questões relacionadas ao cuidado. A responsabilidade pela criação dos filhos e pelo cuidado de familiares ainda recai de maneira desproporcional sobre as mulheres, fazendo com que políticas de educação infantil, creches e assistência social tenham impacto direto sobre sua rotina.

Não basta falar com as mulheres

Para especialistas, transformar o eleitorado feminino em prioridade eleitoral exige mais do que utilizar imagens de mulheres em propagandas ou incluir propostas que façam acenos a este público nos discursos. Uma estratégia eleitoral direcionada a elas precisa combinar pautas específicas com promessas capazes de melhorar as condições de vida da população.

No lugar disso, há propostas que ultrapassam os limites da realidade, como a do candidato Augusto Cury (Avante). Para ele, uma das possibilidades para combater o feminicídio seria a adoção de drones que, assim que acionado por meio de um aplicativo, entraria em contato com a polícia. Ou a medida pretendida por Flávio Bolsonaro (PL), que ao propor a Central Mulher em seu programa de governo, não destrinchou os meios que utilizaria para concretizar suas ideias.

À medida que as eleições se aproximam, a disputa pelo eleitorado feminino tende a ganhar espaço nas campanhas. O voto das mulheres, porém, não representa apenas uma questão quantitativa. É também uma disputa pela definição das prioridades que chegarão ao poder público.

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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.

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Maria Eduarda Garcia

Casper Libero '29

são paulo, br