Em 24 de abril de 2005, o futebol brasileiro mudou para sempre com o fim da Geral no Maracanã. O setor era conhecido por ser financeiramente acessível e ficava na parte inferior do estádio, próxima ao gramado, apenas uma grade a separava do campo, ocupando uma grande parte do local.
Era conhecido por sua energia contagiante e pelas pessoas que ocupavam aquele espaço, que ficavam em pé, porque não tinha cadeiras, cantando e torcendo pelo seu time. Mas, o que parecia mais uma partida normal entre Fluminense e São Paulo, marcava o fim do setor popular em um dos estádios mais importantes do mundo.
Da geral À Elite
O que para muitos foi apenas o fim de um setor, pode ter mudado o futuro e de certa forma, encerrado o futebol acessível, o futebol de todos. O Brasil é conhecido mundialmente por este esporte e pelo amor incondicional que muitos brasileiros sentem por ele, mas o preço alto dos ingressos, das camisas e das assinaturas de streaming para assistir aos jogos, não condiz com o cenário social em que vivemos.
Segundo o IBGE, 60% dos brasileiros vivem com um salário-mínimo por mês, logo é incabível uma camisa custar 250 reais e um ingresso estar na média de 80 reais para mais. Não condiz com a realidade dessa parcela da população e deturpa o verdadeiro significado do futebol.
Por exemplo, a Sociedade Esportiva Palmeiras, que tem um dos estádios mais modernos do Brasil, e após a sua construção, os preços aumentaram significativamente. Além disso, o clube passou a focar em contratos de TV e acordos milionários, resultando em produtos oficiais, entradas ao estádio e pacotes de sócio torcedor, um aumento considerável nos valores.
Tornando-se assim quase inacessível para torcedores de baixa renda, e o futebol que antes era para o povo, se tornou apenas para quem pode pagar, distanciando e excluindo torcedores de todas as classes.
A falta do acesso igualitário nos estádios, tem sido um tema bastante criticado pelos torcedores aos clubes. Iniciando-se com, o fim da Geral, o setor mais democrático e popular do maior estádio do país. Os ingressos para os jogos costumavam ser R$3,00, equivalente a R$11,00 atualmente, segundo a reportagem do Trivela. O fim deste marco democrático ocorreu por causa do padrão que a Fifa exige para jogos internacionais, no qual os jogos só podem ser feitos em estádios que tenham 100% dos lugares com assentos.
O preço da modernização
O aumento significativo dos ingressos, segrega as famílias de baixa renda, que antes eram frequentadoras assíduas e as deixa cada vez mais afastadas dos estádios. E a torcida que se torna predominante nesses locais é advinda da classe média e alta.
É compreensível que o futebol precisou ser modernizado e principalmente os estádios, assim como todos os outros no mundo. Mas, para isso acontecer, não é preciso isolar a camada mais pobre da sociedade e visar apenas o retorno financeiro.
O futebol, é conduzido pela sua torcida e quando você a exclui, visando apenas no lucro, abandona-se fiéis torcedores. A modernização e as mudanças precisam acontecer, mas sem a exclusão daqueles que movem e trazem a paixão para o time.
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O texto acima foi editado por Maria Eduarda Barreira.
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