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Casper Libero | Culture > Entertainment

‘O Esquema Fenício’ e a cinematografia de Wes Anderson

Amanda Vernacci Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Imagine sofrer seis acidentes de avião, incontáveis ameaças, tentar uma aproximação com a filha, aprender sobre insetos e jogar basquete com o Tom Hanks, tudo isso enquanto busca acordos para financiar um projeto. O mais novo filme do diretor Wes Anderson, estreado no Festival de Cannes em 2025, te leva para uma aventura muito bem humorada, que vai além de um comum filme de ação.

O Esquema Fenício inicia com o avião do magnata Zsa-Zsa Korda, interpretado por Benicio del Toro, sendo atacado, resultando em uma queda e fazendo Korda ter uma visão de seu julgamento no céu. Após sua quase morte, decide deixar como herdeira de seus negócios a única mulher entre seus 10 filhos. Liesl, interpretada por Mia Threapleton, que sonha em ser freira, agora precisa ajudar o pai a colocar em prática o maior de seus trabalhos.

A excentricidade do enredo

Com o roteiro coescrito  por Roman Coppola, antiga parceria de Anderson, a história é uma ação diferente do que estamos acostumados. Diálogos e cenas inusitadas trazem um tom humorístico já conhecido nos trabalhos do diretor. Desta vez, a relação (ou a falta dela) entre pai e filha que são o completo oposto, uma vez que ele é conhecido por sua ganância e comportamento apático, enquanto ela vive sob votos religiosos e repudia certas escolhas do pai, traz a comicidade para o filme. 

Os dois personagens constroem tensões familiares causadas pelo contraste entre sagrado e profano, entretanto, se aproximam com a promessa de, depois de conseguirem dinheiro para a execução do plano, fazer justiça a quem matou a mãe de Liesl. 

Outro destaque vai para Bjorn, interpretado por Michael Cera, que, inicialmente parece não fazer sentido no enredo – o que um tutor contratado para ensinar a Korda sobre insetos tem a ver com tudo isso? – sem querer é promovido a assistente pessoal e precisa acompanhá-los nas viagens atrás dos parceiros de negócios. Apaixonado por Liesl, futuramente há a descoberta de que sua presença tinha sido, de fato, programada.

O universo de Wes Anderson

As obras de Anderson são facilmente reconhecidas, com uma das direções mais únicas no mundo do cinema. Seus filmes despertam percepções sensoriais e emocionais, e o uso de uma simetria obsessiva nos enquadramentos é uma das técnicas cinematográficas mais utilizadas para formar sua estética. A câmera fixa e a disposição dos elementos em cena são propositais para causar certo alívio a quem está assistindo.

A escolha da paleta de cores também é uma característica do cineasta. Cores mais saturadas ou tons pastéis são escolhidas precisamente para ajudar na interpretação das cenas. No caso de O Esquema Fenício, as cores usadas em cenas dentro da casa de Zsa-Zsa remetem a uma melancolia; já no avião, a uma atemporalidade ao representar uma década específica; e, em quase todo o resto do filme, uma nostalgia.

Será que está preso na estética?

Apesar de ser mais um ótimo filme do dretor, não chamou muita atenção no Festival de Cannes, em comparação a outros. Desde seu trabalho anterior, Asteroid City, vem recebendo críticas sobre parecer fazer “mais do mesmo”, dedicando-se mais a sua estética característica do que ao desenvolvimento da narrativa.

Ainda que pensem assim, a obra é muito bem feita, com atores renomados e roteiro brilhante. Em relação a sua cinematografia única, não tem como deixar de ser importante, mesmo que não agrade a todos, faz um papel de grande importância. O Esquema Fenício é para aqueles que gostam do trabalho de Anderson, para quem quiser se divertir e apreciar a arte em forma de filme.

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Amanda Vernacci

Casper Libero '28

Brazilian journalism student at Faculdade Cásper Líbero.