Her Campus Logo Her Campus Logo
Casper Libero | Culture

O efeito Bad Bunny no Super Bowl: a porta aberta para o protagonismo da cultura latina

Ana Bia Pacheco Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Na noite do último domingo dia 8 de fevereiro, o cantor porto riquenho, Bad Bunny, fez história no show de intervalo da 60ª edição do Super Bowl, na final da NFL, liga de futebol estadunidense. Com uma audiência de 135 milhões de pessoas, a apresentação se tornou a mais vista da história do evento, superando a do Kendrick Lamar em 2025. 

Em uma apresentação repleta de celebração à história porto-riquenha e a cultura, Benito acolhe toda a América Latina com referências e simbologias, mostrando que, mais do que só uma performance, seu show também é resistência.

Contexto de tensões políticas

No contexto atual do governo estadunidense, o anúncio de Bad Bunny como atração no campeonato gerou diversas discussões. A questão é que, desde 2017, com o primeiro mandato de Donald Trump, os ataques e ódio contra imigrantes, principalmente latinos, vem aumentado. Nesse atual governo de Trump, em seu primeiro discurso em 2025, ele enfatizou a ideia de estado de emergência contra estrangeiros, chamando-os de “aliens”. 

Agora, em meio às manifestações contra as operações violentas do ICE (Serviço de imigração e Alfandega dos EUA), que já causaram a morte de dois cidadãos, em um ambiente em que discursos e um próprio aparato estatal desumaniza imigrantes e minorias, a apresentação do porto-riquenho reafirma o respeito, celebração e a força de latinos em tempos de repressão. Um show que, mesmo antes de acontecer era e foi político. 

A reação de Trump foi chamar o show de “bagunça” e disse em postagem publicada no Truth Social ele afirma: “Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”.

Identidade visual: referências que a América Latina reconhece

Em um espetáculo quase totalmente falado em espanhol, Benito canta músicas de seu último álbum DeBÍ TiRAR MáS FOtoS, vencedor do Grammy de Melhor Álbum do Ano. Em um espaço ambientado como Porto Rico, vimos trabalhadores, uma mesa de bar com dominó, manicure e muito mais; o visual te leva para uma terra e cultura conhecida pelos latinos. 

A famosa “casita”, cenário dos shows de sua turnê, contou com a presença de celebridades latinas ou com ascendência latina, como Cardi B, Pedro Pascal, Karol G e Jessica Alba. Antes da apresentação da Lady Gaga com um grupo de salsa, Los Sobrinos, cantando “Die with a Smile”, um casamento foi realizado, com bolo, dança e a típica crianca “dormindo” nas cadeiras.

Em um cenário que imitava as bodegas americanas, “Nuevayol” fez referência direta a Nova Iorque, centro cultural e demográfico mais importante para os porto-riquenhos fora de San Juan. Em momento emocionante, Bad Bunny entrega Grammy para uma criança que o assistia na TV, vestida com roupas inspirada em uma foto de Benito mais novo.

Sentado em uma das cadeiras de plásticos em referência a capa do último álbum de Bunny, Ricky Martin canta “Lo que le pasó a Hawaii”, uma das canções mais políticas do repertório de Benito. A faixa narra o imperialismo estadunidense no Havaí e o medo de que essas ações também aconteçam em Porto Rico.

@nfl

RICKY MARTIN IN THE HOUSE! @Ricky Martin #AppleMusicHalftime #badbunny #superbowl #nfl

♬ original sound – NFL

Juntos, todos somos americanos

No momento final, Bad Bunny afirma em inglês: “God Bless America” (Deus abençoe a América) e, logo depois, citou todos os nomes dos países do continente americano, começando do sul até o norte, com Porto Rico por último. Acompanhado por bailarinos e músicos que seguravam bandeiras de diversos lugares, por fim encerra com a frase “Juntos, somos a América”.

@hellomag

“The only thing more powerful than hate is love.” #BadBunny shared an emotional message during his #SuperBowlHalftimeShow performance where he paid tribute to his home of #PuertoRico 🇵🇷 🎥: @NFL

♬ original sound – HELLO!

O protagonismo latino não começa a partir desse espetáculo específico do Bad Bunny, mas vem crescendo cada vez mais em contraposição a uma narrativa de intolerância que avança no mundo. Existe um embate cultural no qual o cinema brasileiro também se destaca, com Ainda estou aqui vencendo o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025 e, em janeiro desse ano, com a vitória do Wagner Moura como Melhor Ator no Globo de Ouro.

O consumo de apenas cultura estadunidense não é mais suficiente, o soft power dos Estados Unidos enfraqueceu à medida que o público da América Latina percebeu que não precisa ser apenas um consumidor do que vem de fora, mas também valorizar e consumir o que se reconhece na sua identidade cultural.

A arte latina tem uma mensagem clara: a língua, a dança, a música, o audiovisual e as pessoas estão presentes, são o continente americano, resistem à opressão e se opõem contra a exclusão e a um discurso baseado no imperialismo.

Para finalizar o show, Bad Bunny canta a faixa “Dtmf” celebra, com músicos e dançarinos, a memória, a identidade e a saudade . Ao fundo, um telão exibiu a frase “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”

________________________

O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann

Gosta desse tipo de conteúdo? Confira a página inicial da Her Campus Cásper Líbero para mais!

Ana Bia Pacheco

Casper Libero '29

Ler e escrever fazem parte da minha vida. Estudo Jornalismo na Cásper Líbero e adoro abordar assuntos políticos.