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MIRAMAX
Casper Libero | Culture > Entertainment

O apelo dos jumpscares: filmes de terror só são bons se dão susto?

Izabel Grecu Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Outubro traz uma tendência de temporada que vem se popularizando cada vez mais no Brasil: o Halloween, feriado norte-americano conhecido como Dia das Bruxas. Com ele, tudo fica mais assustador, são decorações por toda parte, festas temáticas e muito mais, e no cinema não é diferente.

Entre o mês de outubro e a primeira semana de novembro deste ano, 2025, redes como a Cinemark realizaram a “Semana do Terror”, uma série de exibições especiais de filmes do gênero. A programação contou com preços promocionais e exibiu desde clássicos e queridinhos, como como O Exorcista (1973), Tubarão (1975), Sexta-Feira 13 (1980), IT: A coisa (2017), até lançamentos de terror inéditos nos cinemas, como O Telefone Preto 2 (2025), A Meia-Irmã Feia (2025), entre outros. Com os filmes de terror em destaque, muitos debates foram levantados. Entre eles, o questionamento: “filmes de terror só são bons se dão susto?”.

O susto faz o terror ou o terror faz o susto?

O objetivo de um filme de terror, e que o encaixa na categoria, é a intenção de provocar medo, tensão, desconforto, pavor e repulsa. É comum esperarmos certas características ao escolhermos um filme do gênero: pode ser um palhaço assustador, um espírito assombrando uma família recém-chegada a uma casa nova ou um tubarão perseguindo um grupo de amigos. Mas o que popularmente sempre fez o terror, ser terror, são os sustos.

Esconder o rosto quando a trilha sonora muda, jogar a pipoca para o alto sem querer quando a câmera vira de um lado para o outro e, quando volta, há uma figura assustadora ali. O Jumpscare é um recurso conhecido no gênero: os famosos sustos repentinos, uma característica clássica dos filmes de terror, que levou muitos roteiros não tão bons, nem tão assustadores, a serem considerados horripilantes.

Outras formas de fazer terror

A grande questão é que existem formas de causar o medo, o desconforto e o horror nos espectadores sem depender dos sustos. O “terror psicológico” é um dos subgêneros do terror que não se baseia nesse recurso, e o encontramos em produções icônicas como: O iluminado (1980) e O Bebê de Rosemary (1968), que já exploravam esse território antes dos debates atuais. 

Filmes de terror que não dão sustos, ainda são puro terror. O filme Midsommar (2019), lançado pelo estúdio A24, é uma grande prova disso. O filme se passa praticamente em toda a sua íntegra, à luz do dia, o que, por si só, destaca-se de outro padrão do gênero: de apelar para a noite, para o escuro. Ele causa horror nos espectadores através de outros recursos: a trama é macabra e o desconforto é garantido.

A obra tem muitos elementos do gênero, até mesmo Gore. Midsommar vai exatamente contra essa “receita” de como se faz um filme de terror. Assim como em outros sucessos, nessa obra, o foco não são os sustos, mas não deixa de se encaixar na categoria.

Há produções que exploram o psicológico, outras que se apoiam no grotesco ou até na crítica social, e todas continuam pertencendo ao terror. Filmes como Corra! (2017) e Mãe! (2017), por exemplo, não dependem de sustos para causar incômodo, o horror está nas situações, nos símbolos e nas emoções que despertam. Em certas produções, o terror é menos sobre o grito, e mais sobre o desconforto que fica depois do silêncio. Em outras, o susto é tudo o que as carrega.

Só é filme de terror se der medo?

Outro questionamento levantado nas redes sociais foi o de que filmes que não dão medo não são terror. Essa afirmação, porém, é equivocada, porque o medo é subjetivo. O que assusta uma pessoa pode não causar o mesmo efeito em outra. O filme “O Menu (2022)”, por exemplo, pertence ao subgênero “terror”, que mistura comédia e terror. A trama carrega uma crítica social e tem a intenção de embrulhar o estômago do espectador e, ainda assim, é parte do gênero.

Susto e medo são popularmente associados ao terror. E, de fato, são características do gênero, mas nem sempre estão presentes nos filmes da categoria, seja por percepção pessoal ou por escolha do diretor. Cada obra tem um objetivo diferente, um propósito que deseja alcançar. 

Muitas vezes, suavizar nossas expectativas sobre como a narrativa deveria acontecer é um bom caminho para uma percepção final muito mais interessante. Busque produções que te agradem: se você deseja sustos, procure filmes com Jumpscares garantidos, se violência não é o que procura, não invista seu tempo em um filme declarado Gore. Compreender o que estamos prestes a assistir é o primeiro passo para termos experiências cinematográficas mais ricas.

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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann.

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Izabel Grecu

Casper Libero '28

Apaixonada por música, cinema, literatura e futebol!