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Entertainment

Nego Do Borel, Machismo E A Relativização Da Violência Contra Mulher Na Mídia

The opinions expressed in this article are the writer’s own and do not reflect the views of Her Campus.

Indiciado e processado por violência contra a mulher, o cantor Nego do Borel marcou presença entre os convocados para compor o elenco da décima terceira edição do reality show “A Fazenda”, da Record TV.

Como se não bastasse este processo, o funkeiro foi expulso ainda nas primeiras semanas do programa devido a uma acusação relacionada a assédio sexual.

Não é a primeira vez que “A Fazenda” apresenta personagens problemáticos entre seus escolhidos. No último ano, o funkeiro Biel estava presente e chegou, inclusive, a final do reality. Biel já esteve envolvido em dois casos diferentes. Um deles envolvendo um assédio direcionado a uma jornalista e outro relacionado a sua ex-companheira, a modelo Duda Castro, que o denunciou por violência moral e doméstica.

Nego do Borel, ao entrar no programa, respondia a denúncias feitas por sua ex-esposa, Duda Reis, que o acusou de violência doméstica e agressão também. Duda, que mesmo em meio a todo esse caos, teve que assistir seu agressor em rede nacional como se fosse alguém inocente.

Casos como esses expõem uma problemática antiga brasileira: a relativização do machismo e da violência contra a mulher na mídia. Nessas duas ocasiões, o agressor se tornou alvo de entretenimento e diversão, enquanto a vítima se escondia atrás das telas.

Agora, como dito antes, além da denúncia feita por Duda Reis, Nego do Borel responde também pela acusação de “estupro de vulnerável”, praticado ao vivo e durante a transmissão do programa. O cantor aproveitou-se da participante Dayane após uma festa, onde ela se encontrava em uma situação de embriaguez e incapacidade, e forçou relações sexuais. A modelo tentou rebater e pedir para ele parar, mas o ato não foi interrompido.

Duda Reis se manifestou em suas redes sociais após o ocorrido dizendo que iria se afastar por um tempo por conta de ter desenvolvido gatilhos fortes ao ver seu agressor violentando uma mulher sem condições de se defender.


Porém, o tratamento da emissora quanto a situação foi extremamente polêmico. Como se não bastasse o ato de “dar palco” a alguém que possuía um histórico problemático, sua expulsão foi feita de forma que visava manchar o mínimo possível a imagem do programa e de sua administração.

Os outros participantes não foram informados do real motivo da expulsão. Algumas cenas foram cortadas durante a transmissão ao vivo e o discurso da apresentadora deixou muito pouco claro o que aconteceu. E a vítima, por sua vez, não recebeu suporte imediato que tenha ficado explícito, seja médico ou psicológico. Mais um dos grandes exemplos que mostram como a cultura do estupro é enraizada na sociedade, normalizada até mesmo por uma mídia de grande influência.

Nego do Borel e casos como esse, de agressores e personalidades machistas, expostos na mídia e tratados em programas assim como inocentes só naturalizam casos relacionados. É por estas e outras que grande parte das mulheres desistem de prestar ocorrência ou denúncia quando violentadas.

O holofote posto em cima de Nego do Borel prejudicou, inclusive, a situação de sua vítima, Duda Reis.
Duda se tornou alvo de ataques, assim como Dayane mais tarde. As duas foram vistas como “oportunistas” ou “dramáticas” e Nego, por muitas vezes, como “alguém que errou”. Grande parte de comentários assim eram vistos nas publicações de grandes portais de entretenimento que repercutiam as matérias.

De acordo com um levantamento feito pelo Datafolha, uma em cada quatro mulheres foram vítimas de violência doméstica nos últimos dois anos de pandemia. É alarmante, mas pior ainda é ver que grande parte delas é silenciada, e que quem é ouvido, na verdade, são seus agressores.

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O artigo acima foi editado por Izabella Giannola.

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Izabella Giannola

Casper Libero '23

Izabella is a student of journalism at Cásper Libero. She is passionate about sports, fashion, literature and life. She dreams of representing the power of women in journalism by doing what she loves most.
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