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Mulheres nos jogos: como o protagonismo feminino vem crescendo no universo dos games

Eloá Costa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Durante toda a vida de uma mulher, é comum perceber e até mesmo receber críticas direcionadas a todo tipo de representação feminina no mundo virtual, principalmente no ambiente dos games, sendo majoritariamente dominado pelo público masculino.

Desde os ataques a mulheres que produzem conteúdo no nicho até a criação de jogos com focos direcionados a personagens femininas, a baixa visibilidade da mulher é explícita e a tentativa de maximizar essa problemática acontece a todo custo. 

Em contrapartida, desde o surgimento da primeira protagonista feminina com a Miss Pac-Man em 1982, a tal presença feminina vem sendo fortalecida cada dia mais no mundo dos games, muito por conta do aumento do interesse do público feminino por esse meio. 

Com a representatividade bem exercida e representada, assistimos à ascensão dessa visibilidade nos mais variados tipos de conteúdos relacionados à área.

A Representatividade feminina nos jogos

Cenário incomum há alguns anos, mas que vem florescendo cada vez mais. A chegada de novos jogos centrados em protagonistas femininas incorporam o mundo dos games de forma extremamente significativa, ainda que diversas franquias que prestigiam essa representatividade necessitem de ainda mais destaque por serem fundamentais no processo da normalização do protagonismo feminino nos jogos. 

Mas, cada vez mais jogos importantes dão ênfase às mulheres como personagens principais! Então, aqui estão alguns dos melhores jogos com protagonismo feminino da atualidade: 

  1. The Last of Us II — Ellie

A Sequência renomada de jogos desenvolvidos pela Naughty Dog traz Ellie Williams como uma das principais figuras do universo, destacando sua participação com protagonismo em The Last of Us: Left Behind e principalmente, The Last of Us II, jogo no qual Ellie passa por contratempos pessoais e internos — que levam a personagem a busca por vingança — enquanto está inserida num contexto pandêmico. Há ainda, na mesma sequência, o protagonismo representado pela personagem Abby Anderson

  1. Celeste — Madeline

Celeste é um jogo indie de plataforma produzido pelos canadenses Maddy Thorson e Noel Berry, tendo Madeline como a protagonista do enredo. No jogo, a personagem parte para a missão de escalar a montanha Celeste, com intuito de provar para si a sua capacidade, e durante o trajeto, enfrenta diversos contratempos, não somente físicos e de percurso, mas também pessoais, retratando dilemas como a ansiedade e autodescoberta. 

  1. Life is Strange — Max Caulfield

Reconhecido e extremamente jogado, Life is Strange é uma aventura gráfica que conta com suas duas protagonistas mulheres. 

A História se passa na cidade fictícia de Arcadia Bay e é contada na perspectiva de Max Caulfield, uma estudante de fotografia que se depara com a possibilidade de poder voltar no tempo a qualquer momento, fazendo com que cada uma de suas escolhas levem a um efeito borboleta.

Tais efeitos sobrenaturais surgiram como uma metáfora que representa as tempestades internas da personagem.

Max foi a segunda protagonista feminina publicada pela Don’t Nod Entertainment – sendo Nilin, do jogo “Remember me” a primeira – e considerando que a maioria das publicadoras em potencial não estavam dispostas a publicar um jogo em que não houvesse protagonismo masculino. 

No mesmo universo, Max conhece Chloe Price, personagem que também exerce papel de protagonismo no jogo, assim contribuindo para a representatividade feminina em peso no jogo.

  1. Tomb Raider — Lara Croft

Lara Croft é possivelmente uma das protagonistas femininas mais renomadas no mundo dos games, protagonizando a série de jogos de ação Tomb Raider, que contam a sua história: Lara é uma arqueóloga britânica que viaja pelo mundo em busca de artefatos e locais esquecidos, sendo frequentemente associados a elementos sobrenaturais, e se aventura em tumbas e ruínas. 

A Série foi desenvolvida inicialmente pela Core Design, e posteriormente pela Crystal Dynamics é mundialmente conhecida e aclamada.

Lara Croft é considerada uma personagem significativa na cultura popular e no mundo dos jogos, contando com seis recordes mundiais no Guinness e é uma das primeiras personagens de videogame a ser transformada em uma adaptação de sucesso para o cinema, alcançando ares inigualáveis. 

Os desafios das mulheres que produzem conteúdo para o nicho

Por outro lado, mesmo com a representatividade feminina crescendo no universo dos jogos através da criação de personagens de protagonismo, mulheres que criam conteúdo para a área ainda enfrentam contratempos relacionados à misoginia no cenário dos jogos. 

Como exemplo, temos a youtuber e streamer Niki Nihachu, que produz conteúdo sobre o mundo dos jogos para a internet desde muito cedo. 

Niki conta que o estigma começou ainda no ambiente familiar: “Eu cresci em uma família muito tradicional, e algo que eu sempre ouvia quando eu via meus irmãos jogando videogame era que meninas não podem jogar videogames, porque jogar videogames não é algo feminino […] Quanto mais me diziam pra não fazer isso, mais eu me interessava, porque eu ficava intrigada e me perguntava ‘O que você quer dizer com “não é feminino jogar videogames?” Por que eles podem e eu não?’.

Durante a pandemia, Niki alcançou o seu auge como produtora de conteúdo, conquistando grandes números em visualizações e seguidores em suas redes. Uma contribuição significativa para o seu crescimento foi o convite para o RPG de minecraft “DreamSMP”, pautado em um servidor multiplayer de minecraft com roteiro pré-escrito, fugindo do tradicional RPG de mesa e atraindo a atenção de diversos públicos. 

Niki enfrentou o maior desafio de sua carreira, em consequência por ser uma mulher no nicho dos jogos: A Misoginia. 

Em sua entrevista “The Untold Story of Nihachu”, para o Team Liquid, Niki relata: “Sabe, geralmente tudo é bem animador e de repente tudo se tornou ódio. No início todo mundo era gentil e legal, mas isso mudou. […] Eu não conseguia nem mesmo falar com os meus amigos durante as lives. Os garotos do DreamSMP pareciam uma BoyBand, a fanbase de uma BoyBand é composta majoritariamente por meninas adolescentes e isso acontece muitas vezes na história, você vê uma garota aproveitando com a sua Boyband favorita e essa garota é odiada por isso. Então eu acho que muito disso é misoginia internalizada.”

O Time de moderadoras de Niki conta que, após um campeonato de minigames do jogo Minecraft, o MCC, os ataques pioraram, pois nesse contexto, Niki era atacada por “Ter jogado mal na competição”, com a justificativa de que isso havia acontecido porque “Ela era uma mulher que não tinha força o suficiente para ser uma streamer e gamer de verdade”

Com esse cenário, é explícito que ainda que o protagonismo feminino venha crescendo no ambiente dos jogos, ainda há muito a ser melhorado para formar uma comunidade saudável e inclusiva.

Ainda assim, as conquistas se tornam cada dia maiores, e a visibilidade é cada vez mais importante para reverter cenários negativos. Afinal, esse contexto só tem efetivamente mudado, ainda que gradualmente, por conta da essencial e marcante presença de protagonismo feminino em ascensão no universo dos games.

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O texto acima foi editado por Eduarda Lessa.

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Eloá Costa

Casper Libero '28

My name is Eloá, better known as Lola, I'm 18 years old and my biggest interests are journalism, art (most teather), music, politics and culture in general. I'm a journalism student at Cásper Líbero and a Stage Actress.