Moda Virtual: Tendência Digital E Sustentável Do Século

Em março de 2021, a Gucci lançou um tênis de, em média, 12 dólares. Por uma peça das grifes mais conceituadas no universo da moda ser vendida a esse preço, as pessoas ficaram, no mínimo, curiosas. O valor consideravelmente menor do que o padrão da marca se deve ao fato de o tênis ser da nova coleção virtual da grife. Os calçados são inseridos por meio de softwares de realidade aumentada nos pés de quem realiza a compra.

 

Peças virtuais sustentáveis

O lançamento da coleção Virtual 25 da Gucci fez o assunto da moda virtual relacionada a avatares e filtros ganhar força nas redes sociais, o que ressurgiu questionamentos sobre a tendência. Desde 2019, estilistas e marcas começaram a lançar peças virtuais, dividindo opiniões dos amantes da moda. Entretanto, apesar de separar pontos de vista em alguns aspectos, a tendência tem seus fundamentos.

Um forte pilar da moda virtual é a sustentabilidade. As peças não são físicas, logo, não podem ser descartadas ou esquecidas no armário. Como muitas peças hoje são fabricadas apenas para os clicks que aparecem nos feeds das redes sociais, a moda virtual surge como uma saída para manter os posts chamativos sem produzir lixo, o que é uma questão importante.

 

Filtros de roupas

Algumas marcas e empresas que desenvolvem o software das roupas possibilitam às pessoas se vestirem ao vivo. Dessa forma, elas podem gravar vídeos e se movimentar com as peças. Outras empresas permitem que as peças sejam inseridas em fotos capturadas anteriormente. 

É principalmente em relação a esse aspecto que a moda virtual divide opiniões nas redes. Internautas desabafam que não pagariam para “Utilizar um filtro da Gucci”, por exemplo. Em contrapartida, Esther Assis*, professora de design de moda, disse que defende a iniciativa da moda virtual e pontuou que “É uma aposta que pode modificar muita coisa dentro dos negócios da moda”.

 

Futuro 3D da moda

Esther* acrescentou que a moda virtual é o futuro, por ser uma forte tendência para o século. “Acredito que, em breve, diversas marcas devem adotar esse tipo de iniciativa”, pontuou. A especialista também comentou que “Hoje temos softwares brasileiros – como o Audaces 3D – que nos possibilita ver o caimento perfeito da peça”.

Pascaline Wilhelm, diretora de moda da Première Vision Group, tradicional feira europeia voltada para o mercado fashion, deu sua opinião sobre softwares 3D em uma entrevista coletiva feita no evento deste ano. Ela pontuou que a tecnologia precisa trabalhar para transmitir as emoções que cada peça pede, mas disse que “Vamos chegar lá”.

Pascaline defende que com o 3D e o ambiente virtual, foi aberto um campo de criação para a moda até então desconhecido, que possibilita o surgimento de novos entendimentos e vontades de apropriação de produtos. Ou seja, a tendência para a geração Z é se familiarizar ao ambiente virtual para realizar as mais diversas tarefas, incluindo a maneira de se vestir.

 

*Esther Assis: O nome da entrevistada foi alterado para preservar a sua identidade.

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O artigo acima foi editado por Giullyana Aya Lourenço.

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