Nos cinemas brasileiros desde março e agora dísponivel na Amazon Prime, Mickey 17, estrelado por Robert Pattinson e dirigido por Bong Joon-ho (Parasita) tem causado um burburinho entre os fãs de ficção científica. O longa é inspirado no livro Mickey7 e mistura ficção científica e questões sociais. A seguir, conheça a história do livro e as adaptações para as telonas:
O livro
Mickey7, publicado em 2022, é um best-seller do autor estadunidense Edward Ashton que nos leva pela trajetória de vida de Mickey7, o sétimo clone do protagonista homônimo. Em 2021, antes mesmo de publicar a obra, Ashton compartilhou a ideia com Joon-ho – que abraçou o tema e começou a escrever o roteiro.
Em um tempo futuro, onde a Terra sofre de superlotação e das consequências atreladas a esse fenômeno, são realizadas expedições para colonizar Niflhem e Mickey7 é um dos atuantes. Ele enfrenta diversos questionamentos existenciais, enquanto passa por atividades perigosas em Niflhem, tentando garantir a sobrevivência humana.
Com a falta de espaço e recursos na terra, cientistas tentam a colonização de outro planeta, o gelado Niflhem. Neste processo, a clonagem se torna algo “comum” e “pragmático” para os cientistas, já que necessitam de cobaias para as expedições, e, se eles morrem, a exploração tem que continuar. Com suas crises existenciais, Mickey decide se oferecer para integrar o “time” de expedição, na tentativa de fugir de sua realidade, em todos os sentidos.
O risco das missões deixa a probabilidade de morte praticamente certa. E, quando ele morre, é gerado um novo clone que prosseguirá com a missão. Como faz parte dos descartáveis, portanto, é praticamente imortal, ele é encarregado pelas missões mais perigosas, levando a drásticos fins, que são lembrados por suas novas cópias.
O grande plot twist do filme é quando, ao voltar de uma das missões, Mickey se depara com uma cópia de si em sua cama. É totalmente proibido, no universo, que duas cópias coexistam, portanto, Mickey precisa encontrar maneiras de esconder a situação e assim, garantir sua sobrevivência.
CRÍTICAS E ALEGORIAS COM A REALIDADE
Diversas críticas e questionamentos ao funcionamento da sociedade (daquele universo) são abordados no filme, e, embora seja uma realidade distante, existem assimilações que podem ser feitas com a atualidade, como diversas teorias propõem.
Os clones, como figuras descartáveis e nada pessoais, podem ser alegorias ao sistema de trabalho, onde trabalhadores podem ser “chutados” ou simplesmente substituídos a qualquer momento. Onde eles são apenas objetos de trabalho e não pessoas com suas próprias vidas.
A utilização da clonagem de maneira descontrolada, continuamente tratado a ação de forma nada pessoal, pode remeter a como as redes sociais (e até a IA) afetam a personalidade dos indivíduos, colocando-os cada vez mais em um mundo onde todos seguem (ou tentam) o mesmo estilo de vida e tem as mesmas personalidades, nada mais é individual e autêntico.
Ainda no ato de clonagem, a forma como esse avanço tecnológico é utilizado afeta diretamente um código de ética que pode ser trazido para o uso indevido de ferramentas de IA, onde, fazendo uso de recursos, se passam por outras pessoas, disseminam fake news etc.
Dentre vários outros aspectos, também podemos destacar a crítica ao consumismo, onde vidas (humanas ou clones) são desmoralizadas em nome do lucro, a “sociedade do espetáculo”.
Diversos telespectadores destacam as semelhanças de alguns personagens com personalidades reais da nossa sociedade.
FILME x LIVRO
O filme, estrelado por Robert Pattinson e dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-Ho, conhecido por PARASITA, também conta com Mark Ruffalo e Toni Collette.
Quanto ao personagem principal, suas versões são aumentadas, de 7 para 17, e suas origens também são modificadas, no longa ele é um trabalhador braçal; a mudança acontece na tentativa de aproximá-lo com o mundo contemporâneo.
“Eu encontrei o potencial para o personagem ressoar ainda mais com pessoas jovens contemporâneas, especialmente da classe trabalhadora, porque é sobre um cara que morre todo dia por seu trabalho”, afirmou o sul-coreano em conversa com a SFX Magazine.
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O artigo acima foi editado por Gabriela Antualpa.
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