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Maioria na universidade, minoria na liderança: mulheres na comunicação e as desigualdades no trabalho

Leticia Fonseca Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Jornalismo, publicidade e relações públicas são cursos conhecidos pela forte presença de mulheres dentro da classe. Mesmo que pareça um grande avanço contra a desigualdade de gênero dentro da sociedade, quando chega a hora de assumir posições de maior importância dentro das empresas, o caminho até os cargos de decisão quase nunca termina em uma liderança feminina

Da sala de aula ao mercado

A troca de cenário dentro das universidades nos últimos tempos chama atenção. De acordo com um levantamento do Censo da Educação Superior 2023, as mulheres representam 59,1% das 10 milhões de matrículas das universidades brasileiras. Ainda em uma pesquisa realizada pela USP em 2019, o número de graduandas mulheres na ECA apontava 58%, um crescimento de 5,5% desde os anos 2000. 

Com números tão expressivos como esse é de se esperar que a participação feminina no mercado de trabalho seja igualmente surpreendente, certo? Não exatamente. A presença feminina domina áreas ligadas sobretudo ao cuidado, como educação, saúde e serviços sociais. Mas perde espaço quando falamos de poder e liderança. 

No mercado da comunicação, o chamado teto de vidro transforma a trajetória das mulheres em um percurso nada linear. Muitas vezes, elas são direcionadas para cargos considerados mais “leves”, como em editoriais de lifestyle, moda ou entretenimento. Já as posições estratégicas, de comando e decisão, continuam reservadas, quase que inteiramente, para homens. A ausência de mulheres em espaços de liderança afeta diretamente o curso profissional das futuras comunicadoras.

A desigualdade no mercado de trabalho ressalta também a discrepância salarial entre gêneros. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, alguns fatores como horas extras, disponibilidade de trabalho e cumprimento de metas são grandes responsáveis para definir a remuneração. O problema é que esses critérios são alcançados com mais facilidade por homens, já que, na maioria das vezes, para eles o foco costuma ser apenas o trabalho. Enquanto isso, para as mulheres, recai todo o resto, tornando-se dupla jornada (ou até tripla): carreira, cuidado com filhos ou pessoas dependentes e até a licença maternidade entra na conta. Então, como competir com condições tão desiguais?

Liderança feminina faz diferença

Em 2023, um passo significativo foi dado. Em meio à Fortune 500, lista das maiores companhias dos EUA por receita, 10% das CEOs das empresas citadas eram mulheres. Ainda que um avanço dentro do mercado mundial, uma porcentagem tão pequena como esta demonstra o quanto ainda há para percorrer. 

Segundo uma pesquisa feita pela Leadership Circle, as lideranças femininas possuem mais eficácia e êxito do que dos seus colegas homens, em todos os níveis de gerenciamento. Mas por que isso acontece? Cindy Adams, presidente e CLO (Chief Learning Officer) da Leadership Circle, explica que existem dois tipos de segmentos que um líder pode seguir: o criativo e o reativo.

Cindy relata que na maioria das lideranças femininas, o que mais se sobressai são as competências criativas, destacando-se como a qualidade de gestão. Quando adotam esse viés, as mulheres tornam-se mais fáceis de se conectar e se relacionar com as pessoas. Essa postura humaniza o ambiente de trabalho, fortalece vínculos e cria relações de confiança.

Segundo a presidente, enquanto os homens “jogam para não perder”, as mulheres “jogam para vencer”, se importando com todos e torcendo para um sucesso coletivo. Essa habilidade de gerar conexão, segundo ela, é a verdadeira carta na manga feminina para inspirar equipes e alcançar resultados.

E o futuro?

As novas mulheres na comunicação que vêm aí carregam em suas mãos o poder de escrever uma nova história, ou ao menos melhorá-la cada vez mais para as próximas gerações. Mas apesar de terem grande influência nessa luta desigual, grande parte das decisões não estão ao alcance delas. 

As vagas voltadas às mulheres podem, sim, ser um começo para a mudança, mas não sozinhas. A contratação feminina deve vir acompanhada de projetos de incentivo à liderança, por exemplo. Cindy Adams deixa claro que o desenvolvimento de habilidades deve ser iniciado desde o início, ajudando mulheres a conquistarem o máximo de experiência e conhecimento para cargos de liderança que ainda são atribuídos aos homens. Combinando técnicas como autoconhecimento e aprendizado em grupo, a vantagem da liderança feminina pode ser aproveitada da melhor forma.

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Leticia Fonseca

Casper Libero '28

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