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Sports Girl Soccer Player
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Casper Libero | Culture

Machismo no futebol: por que a presença de mulheres ainda incomoda?

Victoria Monteiro Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

“Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, disse Gustavo Marques, jogador do Red Bull Bragantino, referindo-se à Daiane Muniz, que apitava a partida.  

A árbitra não foi a única e, infelizmente, não será a última. Os recentes episódios exemplificam que as mulheres que se inserem no futebol, um esporte predominantemente jogado, praticado e dirigido por homens, ainda estão sujeitas a lidar com frases e atitudes machistas. 

E a pergunta que fica é: por que a presença das mulheres na paixão nacional ainda incomoda, mesmo nos dias de hoje? 

AS MULHERES PODEM ENTRAR EM CAMPO?

Pensamentos parecidos com o de Gustavo Marques não são novidade, e na verdade, acompanham as jogadoras do esporte há décadas. 

Getúlio Vargas, ex-presidente do Brasil, foi um exemplo disso ao lançar, em 14 de abril de 1941, um decreto que dizia: “Às mulheres, não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.” 

As mulheres estavam então proibidas de jogar futebol, e assim permaneceram por quase 40 anos. 

O decreto foi revogado em 1979, mas apenas para esportes que fossem reconhecidos internacionalmente. As mulheres foram surpreendidas com a notícia de que o futebol não estava incluído nesse parâmetro e, somente em 1983, o futebol feminino foi regulamentado oficialmente no Brasil. 

Em 1991, há apenas 35 anos, aconteceu a primeira Copa do Mundo feminina oficial. As jogadoras, então, colocaram em campo o que mais aprenderam com a história: resistência e  garra. O cenário final não foi favorável, o Brasil acabou sendo eliminado ainda na fase inicial, afinal, o esporte feminino, para além de ter sido proibido por décadas, também não recebia incentivo.

De lá para cá, o futebol feminino passou a participar de outros campeonatos e até nas olimpíadas. Nesse caminho,  surgiram grandes nomes, como Marta Vieira e Formiga

Marta é a maior artilheira da história do futebol brasileiro, tanto da seleção feminina como da seleção masculina, e Formiga, participou de sete Copas do Mundo. 

As duas evidenciam que falta de qualidade e esforço definitivamente não são problemas que o futebol feminino enfrenta. 

DIANTE DE CONQUISTAS E AVANÇOS, ISSO NUNCA MUDOU: A LUTA CONTRA O MACHISMO 

Ana Paula Oliveira, enquanto atuava como árbitra de futebol, se encontrou diversas vezes encurralada ao receber falas machistas: “Pô, bota pra lavar roupa”, de Jairzinho (ex-jogador) e “Claro que os homens erram também, mas os homens geralmente erram uma vez” de Carlos Augusto Montenegro (ex-presidente do Botafogo) foram apenas algumas delas. 

A ex-árbitra relata que, na época, não teve apoio da instituição organizadora do campeonato, da imprensa e nem dos companheiros de trabalho. Segundo ela, se fosse processar os responsáveis, ela provavelmente não atuaria mais na profissão. 

Felizmente, no caso da árbitra Daiane Muniz, o jogador Gustavo Marques teve uma punição: foi suspenso por 12 jogos e recebeu uma multa de R$ 30 mil. 

“O nosso intuito aqui é educar a sociedade e o respeito para com a mulher em qualquer segmento que ela queira atuar”, disse Ana Paula comentando o caso da fala machista do jogador. 

O QUE ELAS ESTÃO FAZENDO? 

Uma pesquisa do Globo Esporte mostra quais as funções são exercidas por mulheres nos departamentos de futebol dos times da Série A. O levantamento aponta que apenas 0,4% delas ocupam funções específicas do mundo do futebol, como comissão técnica, por exemplo. O restante participa de funções como limpeza, refeitório, saúde, administrativo e comunicação. 

A luta pelo espaço da mulher continua, e é constante. A pesquisa mostra uma transformação gradual acontecendo e indica que as mulheres do esporte devem continuar resistindo para ocupar  posições efetivas dentro do futebol, como lugares de gestão e lugares técnicos. 

O Brasil é conhecido como o país do futebol. Mas a pergunta que permanece é: para quem? Esse é o dilema que mulheres presentes no esporte ainda enfrentam constantemente. 

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O artigo acima foi editado por Maria Eduarda Goulart.

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Victoria Monteiro

Casper Libero '29

Estudante de Jornalismo: contadora de histórias por vocação :)