“Justice”, de Justin Bieber, flutua entre conceitos incertos

Após seu último álbum de lançamento, Changes, que foi mal recebido pela crítica e por parte do público, Justin Bieber apostou em Justice, lançado em todas as plataformas de streaming em março de 2021. Bieber passava por um hiato de lançamentos de álbuns antes de Changes, com o foco maior em pequenos singles com DJs e rappers, sua relação amorosa com Hailey Bieber, a marca Drew House e a conexão com o cristianismo.

  1. 1. Nova era de Justin?

    Após dois anos seguidos de obras autorais, a impressão que se tem é de que Justin Bieber se perdeu nas exigências estéticas de uma nova era de artistas pop. Hoje, até mesmo o grande público procura por álbuns com conceitos elaborados que se estendem a clipes e histórias conectadas, tanto entre a parte instrumental quanto entre as letras, como Igor de Tyler, The Creator ou até mesmo Lemonade de Beyoncé.

  2. 2. A desconexão do álbum

    No entanto, isso não é claro no lançamento de Justin. Após a série de manifestações políticas antirracistas na América do Norte em 2020, Bieber usou do momento para relembrar falas de Martin Luther King. A primeira faixa, “2 Much”, inicia com uma das mais emblemáticas falas de MLK, “A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo lugar”, traduzido para o português.

    É muito relevante relembrar momentos históricos que cooperam com a realidade atual em obras artísticas consumidas pelo público. Apesar disso, Justin não conseguiu trabalhar nessa possibilidade, pois após citar King, a música inicia com uma letra que se trata de uma declaração para sua esposa Hailey, como em “Eu falo que te amo baixinho, mais vezes que você poderia aceitar”, o que torna o álbum desconexo. O mesmo erro se repete quando o álbum usa um discurso de Martin Luther King como interlúdio e logo após começa-se a parceria do cantor com Dominic Fike, que também se trata de uma canção de amor.

  3. 3. Parcerias

    Apesar dos pontos desconexos do álbum, um dos grandes acertos são as parcerias. Como “Peaches”, com Daniel Caesar, faixa que atingiu a segunda posição no HOT 200 da Billboard e hoje possui mais de 320 milhões de reproduções no Spotify, além das parcerias com Khalid e Dominic Fike. Justin soube apostar em nomes ainda não tão conhecidos no mainstream e ao mesmo tempo habituar essas parcerias ao que é comum na identidade de seus projetos.

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O artigo acima foi editado por Giullyana Aya Lourenço.

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