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Guerra no Oriente Médio: os brasileiros devem se preocupar?

Heloisa Moraes Sousa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nos últimos meses, a intensificação dos conflitos no Oriente Médio voltou a mobilizar a atenção da comunidade internacional. Confrontos envolvendo Irã, Israel e a participação direta dos Estados Unidos ampliaram o temor de que a crise possa gerar impactos em escala global.

Entre os acontecimentos recentes, destacam-se ataques às bases militares no Irã, lançamentos de mísseis contra Israel e ameaças de fechar o estratégico Estreito de Ormuz — importante rota de passagem de petróleo. Soma-se a isso a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e discussões sobre quem seria seu sucessor.

Decisões também vêm sendo discutidas pelo Senado em relação ao poder de Donald Trump no conflito, indicando uma possível ampliação da presença americana na região.

Diante dessas circunstâncias, mesmo a quilômetros de distância, surge a pergunta: quais efeitos podem ser esperados desse cenário para o Brasil?

O que está acontecendo agora no Oriente Médio

Na manhã do sábado do dia 28 de fevereiro, um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel atingiu o território iraniano. O alvo era o líder supremo Ali Khamenei, e o Irã respondeu com ataques às bases americanas e israelenses. 

Até então, o conflito estava mais “nas sombras”, mas agora impacta diretamente as relações entre esses países e muda a dinâmica do Oriente Médio.

Neste domingo, 8 de março, o órgão religioso do Irã nomeia o filho do ex-líder, Mojtaba Khamenei, como novo líder supremo. O sucessor foi escolhido pela Assembleia de Peritos, grupo responsável por eleger o líder supremo desde a Revolução Islâmica.

O Oriente Médio encontra-se em fogo cruzado. O exército israelense organizou um ataque contra o prédio da Assembleia de Peritos do Irã, chamando os locais de “complexos de liderança do regime terrorista iraniano”. Dessa forma, o ataque enfraquece os sistemas de comando e o controle governamental do Irã. 

Donald Trump não fica de fora. Logo após o anúncio do suposto sucessor, o governante afirma que o próximo líder supremo não irá durar muito.

Afinal, o evento desencadeador de todo esse conflito começou somente agora?

Como tudo começou

A rivalidade estrutural começou desde a  Revolução Iraniana de 1979. O Irã passou a considerar os EUA e Israel como seus principais inimigos, por outro lado esses dois países também começaram a enxergar o Irã como uma ameaça aos seus interesses econômicos. 

No século XX, o país era governado pela monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi, criticado por corrupção, desigualdade e pela aproximação com os EUA. A insatisfação popular levou à Revolução Iraniana, que derrubou a monarquia e estabeleceu um novo regime crítico aos Estados Unidos, mudando a política interna e as relações na região.

As ameaças de Trump e a tensão internacional

O G1 atualiza a matéria publicada no final de semana que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou sobre novas ameaças ao Irã neste sábado (7).

“O Irã não é mais o valentão do Oriente Médio, mas sim o perdedor do Oriente Médio, e continuará sendo por muitas décadas até se render ou, mais provavelmente, entrar em colapso total!”, disse o republicano para o seu perfil Truth Social. 

Além disso, Trump não descartou enviar tropas terrestres ao país no futuro, caso seja necessário controlar instalações nucleares ou derrotar o regime iraniano. O que sinaliza que o governo americano irá priorizar os seus interesses independente do cenário.

Com a tensão crescendo, o Congresso Americano mencionou supostas bases chinesas no Brasil. Especialistas dizem que, na verdade, são apenas projetos de cooperação científica e tecnológica.

Mesmo sem comprovação da existência dessas bases militares, esse tipo de acusação pode afetar a posição diplomática do Brasil, que tradicionalmente busca manter neutralidade em conflitos internacionais.

Quais impactos essa guerra pode causar no Brasil?

Um dos pontos centrais da atual tensão é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa grande parte do petróleo comercializado internacionalmente.

Karina Calandrem, professora de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais São Paulo  (IBMEC), Dawidson Belém Lopes, professor de Política Internacional da Universidade Federal de Minas Gerais, e Roberto Gular Menezes, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, avaliaram em um podcast da DW Brasil sobre os impactos da guerra no Irã no Brasil.

Segundo os especialistas, os impactos para o Brasil não devem ser militares nem diretamente geopolíticos, mas principalmente econômicos. O aumento das tensões pode afetar toda a nossa rede de transporte e rodoviária, principalmente por causa do diesel mais caro e tarifas mais altas.

Eles também apontam que, por não ter um inimigo declarado no conflito, o Brasil não enfrenta riscos diretos de envolvimento militar. No entanto, podem surgir consequências indiretas no cenário político. Como o Brasil mantém relações próximas com os Estados Unidos, decisões do governo de Donald Trump, como medidas tarifárias, são interpretadas pelo governo brasileiro como formas de pressão e manipulação política.

Nesse contexto, a relação entre Brasil e Estados Unidos pode se tornar tensa diante da possibilidade de interferências indiretas nas eleições brasileiras deste ano. Agora, resta ficar de olho nos próximos capítulos dessa tensão.

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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann

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Heloisa Moraes Sousa

Casper Libero '29

Journalism student at Cásper Líbero, passionate about culture, art, entertainment, books, music, and cinema. Always learning and observing the world.