O apito final na derrota por 2 a 1 para a Noruega, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, marcou mais do que o fim da participação brasileira no Mundial. Para Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, aquele momento também representava o início de uma nova etapa.
Quase três meses depois, a Seleção voltou a campo para dar os primeiros passos rumo ao próximo ciclo, com dois amistosos diante da Austrália e outro contra a Índia. A equipe somou duas vitórias e um empate, os números são positivos, mas o desempenho apresentado mostra que ainda existe trabalho pela frente.
Os primeiros testes do novo ciclo
O primeiro compromisso aconteceu no dia 25 de setembro, contra a Austrália, em Townsville. O confronto terminou empatado em 1 a 1 e evidenciou dificuldades na construção ofensiva brasileira. Mesmo com maior presença no ataque, a Seleção encontrou resistência na defesa australiana e precisou esperar os acréscimos para evitar a derrota. Rayan marcou o gol de empate aos 50 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio de Raphinha.
Quatro dias depois, as equipes voltaram a se enfrentar, desta vez em Brisbane. O Brasil saiu na frente com Vanderson, mas sofreu a virada ainda no primeiro tempo, com gols de Alessandro Circati e Connor Metcalfe. Antes do intervalo, Raphinha converteu um pênalti e deixou o placar igualado. Na segunda etapa, a equipe brasileira conseguiu reagir e construiu a vitória por 4 a 2, com gols de Bruno Guimarães e Vinicius Junior.
A partida apresentou uma mudança na postura ofensiva da Seleção, principalmente após as alterações realizadas por Ancelotti. A participação de Endrick na construção do terceiro gol, que terminou com a finalização de Bruno Guimarães, mostrou uma alternativa de movimentação no ataque. Outro teste importante foi a entrada de Gabriel Bontempo pelo meio, atuando ao lado da dupla de volantes. A mudança permitiu que Raphinha atuasse mais adiantado, com liberdade para se aproximar dos jogadores de ataque. A estratégia ajudou a equipe a ganhar presença ofensiva e mostrou como pequenas mudanças na formação podem abrir novas possibilidades para o time. Apesar da vitória, a equipe voltou a demonstrar dificuldades defensivas, especialmente nos momentos em que permitiu a reação australiana.
O último compromisso da sequência aconteceu neste sábado (3), contra a Índia, em Calcutá. No primeiro confronto da história entre as seleções principais masculinas, o Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Estêvão, Pedro e Samuel Lino, que balançou as redes duas vezes.
O nível de exigência, porém, era diferente daquele encontrado nos confrontos contra a Austrália. Enquanto os australianos apresentaram maior resistência física e organização defensiva, a Índia, 138ª colocada no ranking da FIFA, ofereceu menos dificuldades ao Brasil. Ainda assim, o placar elástico não escondeu todos os problemas apresentados pela equipe, que encontrou dificuldades para transformar o domínio territorial em uma atuação mais envolvente. O primeiro gol saiu aos 27 minutos do primeiro tempo, com Estêvão, após uma falha do goleiro adversário. Pedro ampliou ainda antes do intervalo.
Na segunda etapa, Samuel Lino marcou duas vezes e fechou o resultado. Ancelotti aproveitou a vantagem para realizar diversas substituições e observar outros jogadores. Entre as novidades estiveram o goleiro Pedro Morisco e o zagueiro Arthur Dias, que receberam oportunidades durante a partida.
Renovação e busca por identidade
Mais do que os resultados, os amistosos serviram para Ancelotti observar diferentes formações e ampliar as possibilidades do elenco. A quantidade de jogadores utilizados reforça esse caráter de teste: dos 26 convocados para a sequência, 25 já haviam entrado em campo nos dois primeiros jogos contra a Austrália. Ao fim dos três amistosos, nove jogadores fizeram sua estreia pela Seleção principal. Entre eles, estão nomes como Rayan, Estêvão e Gabriel Bontempo, que ganharam espaço neste início de ciclo, enquanto jogadores mais experientes, como Vinicius Junior, Raphinha e Bruno Guimarães, continuam ocupando posições importantes na equipe.
Um ponto que merece atenção é a construção do meio-campo. Após a vitória sobre a Austrália, Ancelotti reconheceu que a Seleção ainda precisa encontrar alternativas entre os jogadores mais jovens da posição. A questão também passa pela organização tática. O treinador experimentou diferentes configurações durante os compromissos, buscando uma formação que consiga equilibrar criação, velocidade e segurança defensiva. “A verdade é que, neste momento, não temos uma produção grande de muitos jovens meio-campistas”, afirmou o treinador, que citou Bontempo e Breno Bidon entre os jogadores que serão observados.
A alternância entre bons momentos e dificuldades mostra que a equipe ainda está em processo de adaptação às ideias do treinador. A vitória sobre a Austrália demonstrou capacidade de reação, enquanto o confronto com a Índia permitiu observar novos atletas.
o caminho até 2030
A primeira sequência de amistosos do ciclo terminou com sete gols marcados contra a Austrália e a Índia, além de três partidas que permitiram a observação de diferentes jogadores e estratégias. Entretanto, os resultados não são suficientes para definir o estágio de desenvolvimento da Seleção. O desafio de Ancelotti será transformar os testes em uma equipe consistente, capaz de manter regularidade diante de adversários com diferentes características.
O próximo compromisso da Seleção será em novembro, quando enfrentará o Japão, no dia 14, e Singapura, no dia 17, ambos no Estádio Nacional de Singapura. Até lá, o treinador terá mais tempo para avaliar os jogadores e trabalhar nas questões identificadas durante o período.
O novo ciclo começou com vitórias, oportunidades para jovens e mudanças na equipe. Mas, se os três primeiros jogos deixam uma mensagem, é a de que o caminho até 2030 não será construído apenas com bons resultados. A Seleção Brasileira ainda precisa encontrar sua identidade em campo e transformar potencial individual em força coletiva.
O artigo acima foi editado por Sophia Foster
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