A saída de Filipe Luís do comando do Flamengo pegou torcedores e analistas de surpresa, e não foi por acaso. A demissão, oficializada em 3 de março de 2026, aconteceu logo após uma goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, resultado que garantiu vaga na final do Campeonato Carioca. Um cenário que, à primeira vista, parece contraditório.
Mas, o futebol raramente se resume ao placar. A decisão partiu do presidente Luís Eduardo Baptista, o BAP, e foi resultado de um acúmulo de fatores que vinham desgastando a relação entre treinador, elenco e diretoria, mesmo diante de um histórico recente extremamente vitorioso.
Por que Filipe Luís saiu mesmo vencendo?
Em pouco mais de um ano e meio, Filipe Luís conquistou títulos importantes, incluindo Libertadores e Brasileirão em 2025. Ainda assim, o início de 2026 trouxe sinais de instabilidade.
Derrotas em decisões pesaram, especialmente na Supercopa do Brasil, contra o Corinthians, e na Recopa Sul-Americana diante do Lanús. Em um clube com o nível de exigência do Flamengo, tropeços em jogos grandes rapidamente se transformam em pressão.
Nos bastidores, o cenário era ainda mais delicado. Problemas na gestão de elenco, incluindo episódios envolvendo o atacante Pedro, e divergências contratuais no fim de 2025 indicavam um desgaste crescente. A goleada sobre o Madureira, nesse contexto, acabou sendo apenas o ponto final de uma relação que já estava fragilizada.
A resposta imediata: Leonardo Jardim
Se a saída foi surpreendente, a reação do clube foi ainda mais rápida que o esperado. Um dia depois, o Flamengo anunciou o português Leonardo Jardim como novo técnico, com contrato até dezembro de 2027.
A escolha sinaliza uma mudança de direção. Jardim chega com a proposta de ajustar o estilo de jogo, buscando mais objetividade e menos “posse de bola estéril”, uma crítica recorrente ao time nos últimos meses.
Ele já iniciou os trabalhos no “Ninho do Urubu” com foco imediato na final do Carioca contra o Fluminense, na qual o Flamengo saiu vitorioso, com o placar final de 0 a 0, e definido nos pênaltis por 5×4. O novo treinador também apresenta uma visão mais ampla: Campeonato Brasileiro, Libertadores 2026 e a construção de um time mais equilibrado ao longo da temporada.
O que muda dentro de campo?
A chegada de um novo treinador sempre representa mais do que uma troca de comando, é uma mudança de ideias. Com Jardim, a tendência é de um Flamengo mais vertical, menos dependente da troca longa de passes e mais focado em transições rápidas. Isso pode impactar diretamente o desempenho de jogadores-chave e abrir espaço para novas peças.
Além disso, o mercado já começa a se movimentar. Nomes como Marcos Leonardo ganham força, enquanto o possível retorno de Lucas Paquetá indica uma tentativa de reforçar o meio-campo com mais criatividade e identidade.
Os primeiros resultados sob o novo comando, incluindo vitórias importantes no Brasileirão, sugerem uma adaptação rápida, mas o verdadeiro teste virá em jogos decisivos, especialmente na Libertadores.
E fora de campo?
O momento do Flamengo também envolve um projeto maior. A gestão de BAP tem como prioridade manter o clube em alto nível financeiro, com receitas bilionárias, e avançar no projeto do estádio próprio no terreno do Gasômetro.
Essa estabilidade fora de campo é crucial para sustentar as mudanças dentro dele. A aposta em um treinador estrangeiro com contrato longo reforça a ideia de planejamento, algo que o clube busca consolidar após anos de decisões mais imediatistas.
Um novo ciclo — e muitas expectativas
A troca no comando do Flamengo marca mais do que o fim de um ciclo vitorioso, é o início de uma nova fase cheia de expectativas e incertezas.
Com Leonardo Jardim, o clube aposta em continuidade com ajustes. Com Filipe Luís, fica o legado de conquistas e a sensação de que a história poderia ter durado mais.
No fim, o futuro do Flamengo dependerá de um equilíbrio delicado: manter o alto nível de competitividade enquanto redefine sua identidade em campo. E, como sempre no futebol, os resultados, mais do que qualquer planejamento, serão o verdadeiro termômetro dessa nova era.
O artigo acima foi editado por Ana Azeredo .
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