O evento mais importante do mundo da moda acontecerá na primeira segunda-feira do mês de maio, como de costume. O Met Gala, jantar filantrópico com o intuito de arrecadar fundos para o Costume Institute, departamento de moda e figurino do Metropolitan Museum of Art (The Met), também marca o início da nova exposição rotativa que acontece anualmente no museu.
O Costume Institute foi originado em 1937, mas se uniu ao Met apenas em 1946 e é o único setor do museu que se autofinancia. Foi necessário encontrar uma maneira viável para bancar a exposição, assim, alguns anos depois, em 1948, Eleanor Lambert, influente publicitária da moda norte-americana, fundou o baile beneficente. Porém, na época, não acontecia em um lugar fixo, como hoje acontece no próprio museu em Nova York.
Apenas em 1972, quando a então editora chefe da Revista Vogue, Diana Vreeland, entrou como consultora especial que algumas tradições mudaram. O baile deixou de ser apenas um jantar formal e ganhou um ar mais glamouroso, recebendo pessoas famosas e passando a acontecer sempre no mesmo lugar, o Met. Quando Anna Wintour assumiu a organização em 1995, o evento passou a ser a noite mais esperada do ano no mundo fashion.
Neste ano a festa será uma das mais especiais desde 1948, pois marca a inauguração da Condé M. Nast Galleries, uma sala de mais de 1068 m², permanentemente dedicada a exibições de moda. Quando o Costume Institute se fundiu ao Met, ele ocupava uma sala no porão do museu, em uma área de menos de 400 m², o espaço fazia com que as maiores exposições precisassem de galerias emprestadas. A Condé M. Nast Galleries tem mais que o dobro do tamanho anterior e fica no mesmo local da antiga loja de souvenir, sendo a primeira coisa que um visitante vê.
Costume Art
A exibição do departamento sempre se inicia na semana seguinte do baile, mas diferente das outras edições, que permanecem expostas apenas por três ou seis meses, essa ficará por dez meses, acabando dia 10 de janeiro de 2027. A arte do vestuário, em inglês: “Costume Art”, é o tema da mostra deste ano, que apresenta uma nova perspectiva sobre esse mundo, nós fazendo olhar para a moda como arte por conta da sua relação com o corpo humano, como uma extensão, e não apesar dela, ou seja, a roupa veste o corpo e essa combinação é vista como arte.
Em entrevista para o New York Times, Andrew Bolton, o curador do Costume Institute, argumenta que a roupa é frequentemente deixada em segundo plano, mas que é tão importante quanto outras expressões artísticas, ainda mais por conta da sua proximidade com a forma física. Em contrapartida, no mundo fashion, peças de roupas sempre foram vistas como obras de arte onde o manequim ou o corpo eram deixados de lado. Entre esses pontos é importante explorar a moda com o corpo por meio da arte.
A exposição conta com 200 esculturas e desenhos, desde a pré-história até os dias atuais, que dialogam com 200 roupas e acessórios do acervo do museu, que serão organizadas por categorias, como: corpo nu, grávido, envelhecido, entre outros, assim, quebrando a visão única de beleza. Algumas peças já foram confirmadas para a exibição, entre elas está a “Anatomia do Corset” , da coleção de verão 2025 da Renata Buzzo, sendo a única estilista brasileira na lista.
Fashion is Art
O tema e o dress code não são a mesma coisa. O código de vestimenta para esse ano, particularmente, é visto como uma extensão do tema, onde a peça deve conversar com pinturas, esculturas e outras formas do meio artístico. “Fashion is Art”, em tradução livre: moda é arte, é uma declaração bem direta e clara sobre a moda também fazer parte deste mesmo meio, o da arte.
Usar o corpo como uma tela branca, onde os estilistas podem expressar suas ideias, brincar com formas estruturais, modelando ou ressignificando o corpo, ou remeter a movimentos artísticos, como o Surrealismo e Impressionismo, todas essas são ótimas maneiras de seguir o dress code. A temática é ampla e a diretriz permite uma vasta interpretação, deixando muito espaço para a criatividade.
De certa forma é proposto para os convidados que eles usem a oportunidade como forma de expressar sua própria relação com a moda em formato de arte e relacionada ao corpo, e entender que o corpo e a roupa se influenciam. Assim, pode-se esperar peças de coleções emblemáticas que aproximam a relação entre moda e arte.
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O artigo acima foi editado por Leticia Carmo.
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