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Fama, beleza e negócios: por que as celebridades estão criando suas próprias marcas?

Maria Comitre Student Contributor, Casper Libero University
Leticia Carmo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Nos últimos anos, uma mudança começou a aparecer com cada vez mais frequência nas redes sociais: pessoas que ficaram conhecidas produzindo conteúdo passaram a ocupar também o lugar de empresárias. E não estamos falando apenas de linhas de maquiagem ou produtos que combinam naturalmente com o conteúdo de um influenciador.. Suplementos, roupas, produtos de bem-estar e diferentes tipos de serviços também entraram nessa conta.

O movimento pode ser visto tanto fora quanto dentro do Brasil. Rihanna construiu a Fenty Beauty, Selena Gomez criou a Rare Beauty e Hailey Bieber lançou a Rhode. Por aqui, nomes como Mari Maria, Virginia Fonseca, Manu Cit, Mari Saad e Camila Loures também levaram suas comunidades para o mercado.

Mas existe uma diferença entre esses casos que vale observar: enquanto algumas celebridades já tinham uma relação antiga com o segmento em que decidiram empreender, outras passaram a vender produtos de áreas que não eram o centro de seu conteúdo.

do entretenimento aos suplementos

Camila ficou conhecida principalmente pelos vídeos de entretenimento, com temáticas de desafios, vlogs e conteúdos sobre sua rotina. Em 2025, entrou no mercado de bem-estar com a Yoha, marca que trabalha com suplementos, nutrição e produtos relacionados a saúde e performance. A empresa se apresenta como um projeto de bem-estar e atualmente possui categorias como suplementos funcionais, nutrição e produtos de lifestyle.

A escolha chama atenção porque o universo fitness não foi o principal responsável pela construção da carreira de Camila na internet.

O mesmo não acontece com Manu Cit.

Em 2025, a Exame descreveu Manu como uma das principais influenciadoras do universo fitness da geração Z. Antes disso, ela havia começado a compartilhar nas redes sua rotina de estudos e, posteriormente, passou a produzir conteúdos relacionados a musculação, corrida, alimentação e hábitos saudáveis. Foi nesse contexto que surgiu a Guday, marca de suplementos em formato de goma da qual ela é cofundadora. 

A própria Manu conta que a ideia da Guday veio de uma dificuldade que ela tinha com os formatos tradicionais de suplementação. A proposta da marca foi transformar esse consumo em algo mais prático e agradável.

Os dois exemplos mostram caminhos diferentes. No caso de Manu, existe uma ligação clara entre o conteúdo que construiu sua audiência e o produto que passou a vender. Camila, por outro lado, levou uma comunidade construída principalmente pelo entretenimento para um segmento diferente.

E essa diferença ajuda a explicar por que as marcas de celebridades se tornaram tão interessantes para o mercado.

nem toda marca começa com uma especialista

Mari Maria e Mari Saad representam outro caminho. Mari Maria construiu sua carreira falando sobre maquiagem e, depois, criou a Mari Maria Makeup. A marca expandiu sua atuação para além da maquiagem, chegando também ao skincare.

Mari Saad também já tinha uma trajetória consolidada na área de beleza antes da criação da Mascavo. Por isso, em ambos os casos, existe uma continuidade bastante evidente entre a imagem construída na internet e o mercado escolhido.

A história da Mascavo, porém, também mostra que essa associação pode ser mais complicada do que parece.

Em setembro de 2026, Mari anunciou que estava deixando a administração da empresa. A influenciadora afirmou que enfrentava problemas relacionados à operação, ao acesso a informações da empresa e a produtos que apresentaram problemas após chegarem aos consumidores. Ela também disse que a situação havia chegado à Justiça. A outra parte envolvida, contestou as acusações e afirmou que a gestão seguia os acordos estabelecidos entre os sócios e que as operações financeiras e comerciais estavam regulares. O caso continua em disputa judicial.

O episódio acrescenta uma questão importante à discussão: ter uma pessoa conhecida associada à marca pode ajudar a apresentá-la ao público, mas não elimina os desafios de construir e administrar uma empresa.

quando o nome já chega com o público

É justamente essa relação anterior com o público que diferencia as marcas de celebridades de muitos negócios tradicionais.

Uma empresa que está começando precisa encontrar consumidores, construir reconhecimento e explicar por que seu produto merece atenção. Uma influenciadora que já passou anos compartilhando sua vida nas redes começa de outro ponto: existe uma audiência que já sabe quem ela é.

Isso não significa que todos os seguidores vão se tornar consumidores. Mas significa que o lançamento acontece dentro de uma comunidade que já existe.

Virginia Fonseca é um exemplo dessa expansão. Conhecida por conteúdos de lifestyle e por compartilhar aspectos da vida pessoal nas redes sociais, ela lançou a WePink em 2021 ao lado de Samara Pink. A empresa começou com cosméticos e ampliou seu portfólio ao longo dos anos. 

Mais do que o número, o caso mostra como uma marca pode crescer junto com a presença digital de sua fundadora. O público que acompanha Virginia não precisa ter chegado até ela por causa de maquiagem para conhecer a WePink. O produto é apresentado dentro de uma relação que já existia antes dele.

Essa lógica ajuda a entender por que o fenômeno não está restrito à beleza.

o que está por trás dessa expansão?

As redes sociais mudaram também a maneira como uma carreira pode ser construída.

Antes, uma celebridade costumava ser associada principalmente à profissão que a tornou conhecida. Hoje, a mesma pessoa pode produzir conteúdo, fazer publicidade, lançar produtos, participar de empresas e construir diferentes negócios ao mesmo tempo.

A própria audiência também mudou. Quem acompanha um criador não necessariamente está interessado em apenas um assunto. A pessoa pode chegar pelo entretenimento, continuar pela personalidade e, com o tempo, passar a acompanhar outros aspectos daquela rotina.

É nesse espaço que novos negócios encontram oportunidade.

Existem estratégias diferentes, mas que partem de uma mesma transformação: a audiência deixou de ser apenas uma consequência da fama e passou a ter valor na hora de criar novos negócios. 

influência que vira negócio

No fim, criar uma marca pode ser uma forma de transformar uma carreira construída na internet em um negócio que vai além do conteúdo. Os exemplos mostram que não existe um único caminho: algumas marcas surgem de uma relação direta entre a área de atuação da influenciadora e o produto, enquanto outras apostam na força de uma comunidade já construída para entrar em novos mercados.

Para quem acompanha essas pessoas, a mudança também levanta uma questão: quando alguém que seguimos há anos começa a vender um produto completamente diferente do conteúdo que a tornou conhecida, quanto dessa escolha vem do produto e quanto vem da relação que já construímos com ela?

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O artigo acima foi editado por Maria Comitre.

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Maria Comitre

Casper Libero '29

Em formação no Jornalismo 📝 | Apaixonada por histórias e conhecimento 🗣️
Leticia Carmo

Casper Libero '28

A journalism student exploring how culture and entertainment connect us