Quem esteve presente no segundo final de semana de agosto no Parque Villa-Lobos, em SP, assistiu mais que um simples show, viveu uma verdadeira experiência da EQUILIBRIVM Tour. A turnê, que teve início dia primeiro de agosto, apresenta ao vivo os álbuns Equilibrivm e Equilibrivm II da cantora Anitta, lançados entre abril e julho de 2026.
A “Vila Equilibrivm”, espaço imersivo de bem-estar e autocuidado integrado à nova turnê da artista, reúne diversas atividades gratuitas inspiradas na temática do projeto.
Cuidado de dentro para fora
A Vila oferece mais de 15 atividades gratuitas como: dança circular, práticas de Kundalini, meditação, ioga, sessões de terapia e rodas de cura. Com curadoria da Virada Zen, o maior festival de autoconhecimento, saúde e bem-estar da América Latina, o funcionamento do espaço vai muito além do horário dos shows. Anitta combina espetáculo e reconexão com a natureza.
Por dentro de EQUILIBRIVM
Após o fim da turnê “Ensaios da Anitta”, realizada em 2025, a artista sentiu a necessidade de se aproximar de suas raízes. Internautas apontam ter sido uma aposta ousada: a cantora conhecida pelo pop e funk, lançar algo espiritual e místico.
O álbum traz referências do Candomblé e da ancestralidade de povos originários. Anitta, em nenhum momento, abandona suas antigas versões, segue sendo a cantora pop, a mulher sensual, a performer, apenas, agora, sob um olhar diferente.
A direção criativa é assinada por Nídia Aranha, artista visual conhecida por suas criações futuristas e surrealistas e que já atuou com diversos nomes do pop brasileiro, como Pabllo Vittar, IZA e Glória Groove. A própria cantora afirmou em entrevista ao programa Sem Censura, que o ábum Equilibrvm só saiu do papel graças a Nídia.
Brincando com o tema “Fé e Festa”, e expressando a identidade nacional ao mesclar reflexão, funk e celebração – características marcantes da cultura brasileira, Anitta dá voz à história indigena. Faixas como “Oke” contam com as participações de Brô MC’s e Katú Mirim, destacando a importância, a voz e a resistência dos povos originários.
A turnê deu vida à algumas músicas como: “Contemplação”, “Ogum Me Rodeia”, “Deus Mãe”, “Respira” e “Tudo Isso”. O álbum também inclui covers que têm ligação direta com sua fé e ancestralidade, como “É d’Oxum” (Gerônimo), “Andar com Fé” (Gilberto Gil) e “Presente de um Beija-Flor” (Natiruts).
As vozes que dão corpo ao álbum
Anitta reúne um time diverso com mais de 10 artistas de diversas gerações e estilos, buscando fazer reverência àqueles que vieram antes dela: Alceu Valença em “Não Me Cutuca”, Mart’nália em “Feitiço”, além de parcerias com o sanfoneiro Mestrinho, MC Tha, Alexandre Carlo, Grupo Ofá, King Saints, Los Brasileros, KBrum e os grupos indígenas Brô MC’s e Katú Mirim.
Uma das faixas mais marcantes do álbum, “Ogum me rodeia”, carrega a voz de Maria Bethânia, uma das figuras mais importantes da música brasileira que legitimou e deu visibilidade ao Candomblé dentro da música popular. Vale lembrar que a ancestralidade brasileira não é só afro-indígena, é também nordestina, regional. A sanfona de Mestrinho e o forró vivenciado no álbum escancaram esse passado brasileiro. A musicalidade de Anitta é um verdadeiro mapa sonoro do país.
resistência em tempos de intolerância
O álbum chegou ao público no momento perfeito. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque 100, canal de Serviço de Atendimento a Violações de Direitos Humanos, registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa, com impacto focalizado em religiões de matriz africana. Em tempos de intolerância, cantar sobre diversidade é fundamental.
O ódio a religiões afro-brasileiras hoje não é só uma questão de fé, é uma questão social. A Intolerância religiosa é impedir no outro de viver a sua crença.
Atacar uma cultura é atacar também a identidade racial e ancestral de um povo. O racismo religioso não é fruto de indivíduos preconceituosos isolados. Ele é estrutural, enraizado nas leis, instituições e sociedades. Religiões afrodescendentes ainda são sub-representadas na mídia, quando comparadas a outras religiões.
Ao falar abertamente sobre temas tão importantes para sua crença como: encruzilhadas, sete saias, jogo de búzios, Nanã e Oxalá, Anitta traz a representatividade que os fiéis precisavam.
A EQUILIBRIVM Tour ainda vai reverberar pelo Brasil, encerrando no dia 29 de agosto, em Salvador, um dos maiores centros do candomblé no Brasil. A ancestralidade deve ser celebrada com orgulho, reafirmando a força da cultura brasileira.
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O texto acima foi editado por Larissa Olm.
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