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Após o encerramento da apuração do primeiro turno das Eleições de 2026, o contraste de sentimentos tomou conta das noites paulistanas. De um lado, a celebração e o entusiasmo diante de uma vitória expressiva da direita; do outro, a apreensão e a surpresa com os números que saíram das urnas. Não apenas em São Paulo, mas em grande parte do território nacional, a direita e a extrema-direita consolidaram maiorias no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e em diversos Governos Estaduais pelos próximos quatro anos.
Entre os corredores, as salas de aula e os debates acalorados da Faculdade Cásper Líbero, os estudantes acompanham essa movimentação com um olhar duplo: o de cidadãos afetados pelas escolhas políticas e o de futuros jornalistas e comunicadores atentos à narrativa dos fatos.
Em um cenário em que o eleitorado jovem se mostra cada vez mais fragmentado, exigente e dinâmico, 2026 surge não só como um marco eleitoral, mas também como um teste de fogo para as pautas sociais, econômicas e democráticas que essa geração considera inegociáveis.
O choque das urnas e o sentimento de “desespero”
Para grande parte dos alunos de perfil progressista, o resultado das urnas foi recebido como um balde de água fria. A distância entre a “bolha” das redes sociais e a realidade do voto popular gerou perplexidade imediata.
A estudante de jornalismo do 2º semestre, Natália Perez, descreve a sensação de ver os dados se consolidando ao longo da apuração: “Eu não esperava, sendo bem sincera. A extrema-direita voltou de uma maneira muito silenciosa”, desabafa.
Esse sentimento de vulnerabilidade e angústia diante da reconfiguração das forças políticas ganhou contornos ainda mais contundentes na fala de Clarice, aluna de publicidade e propaganda do 2º semestre. Questionada sobre o que sentiu logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno, a estudante resumiu o impacto em apenas uma palavra que sintetiza o clima do campus:
“Desespero.”
Clarice complementa que a sensação atual é de colapso nos canais de diálogo tradicionais. “Tá um caos, todos os lados estão complicados”, sintetiza a futura publicitária, expressando o temor de parte dos alunos quanto ao rumo dos próximos anos.
O “alívio” da direita e a força do voto conservador jovem
No entanto, a poucos metros de distância, a leitura do mapa eleitoral adquire um sentimento completamente diferente. Para os estudantes que se alinham à direita, o resultado do primeiro turno não foi motivo de espanto, mas de confirmação e alívio.
É o caso de João Vitor, estudante de jornalismo do 4° semestre, que enxerga no avanço das bancadas conservadoras uma vitória estratégica para os projetos que defende. Questionado sobre o sentimento pós-apuração, ele não hesita:
“Depois da primeira apuração, é um sentimento até de alívio. Principalmente aqui em São Paulo pelo Haddad não ter sido eleito.”
João celebra a formação do maior bloco partidário no Congresso Nacional e projeta vitória para a disputa presidencial no segundo turno:
“Até aqui já tá muito bom. […] E para presidente vai dar a lógica no segundo turno, com a vitória do Flávio,” afirma o estudante.
A empolgação de eleitores como João reflete a capacidade de mobilização da direita entre os jovens paulistas, alavancada pelo desempenho de figuras expressivas do PL, como Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, que conquistaram votações expressivas e ajudaram a pavimentar a hegemonia conservadora no estado.
Indecisão, redes sociais e a surpresa com a realidade
Apesar dos polos bem definidos entre o desespero e o otimismo, há uma expressiva parcela de jovens que se encontra no centro de um dilema: a desilusão com o sistema político e a hesitação diante das urnas.
Caio Santos, graduando de jornalismo do 4º semestre, admite que a surpresa com a dimensão do voto conservador no Legislativo e no Executivo estadual o fez refletir sobre as opções postas para a Presidência da República:
“Eu, de verdade, não faço ideia se vou votar em alguém ou se vou votar em branco no segundo turno,” confessa Caio, retratando o desencanto de jovens eleitores que não se sentem plenamente representados pelas alternativas no segundo turno.
Esse descompasso entre a expectativa e a realidade não ficou restrito ao ambiente universitário. A intensa movimentação nas redes sociais após a apuração revelou que nem mesmo as lideranças políticas mais experientes conseguiram prever a força da onda conservadora nessas eleições.
O próprio Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em coletiva concedida à imprensa após a apuração, resumiu a frustração do campo governista diante das projeções que falharam: “Estava convencido que iria ganhar essa eleição no primeiro turno.”
Entre a polarização ideológica e o desafio de cobrir a história em tempo real, os estudantes da Cásper Líbero chegam às semanas decisivas do segundo turno cientes de que, seja qual for o resultado no Palácio do Planalto, o Brasil que sai das urnas em 2026 já é significativamente diferente.
O artigo acima foi editado por Catharina Gonçalves.
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