O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República foi realizado neste domingo (23), por um pool de veículos de imprensa. Apesar da ausência de alguns dos principais nomes cotados para vencer a disputa, o compromisso foi marcado por um clima tenso, com trocas de críticas, sobretudo, aos participantes que não compareceram.
Quem esteve presente
O primeiro encontro entre os candidatos à Presidência foi organizado pelo grupo Bandeirantes (Band), e teve transmissão de veículos parceiros, como TV Cultura, Estadão, TV Gazeta e Jovem Pan News. Estavam presentes, no total, três dos seis candidatos: Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT) e Romeu Zema (Novo) decidiram não ir ao debate. No momento, o presidente Lula lidera a corrida eleitoral do primeiro turno, com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro, segundo o Datafolha. Porém, para recusar o convite, ele alegou que não compareceria devido a falta de outros candidatos de esquerda no evento, o que, de acordo com o mandatário, tornaria o debate desequilibrado. Sua ausência desencadeou a desistência dos outros dois participantes.
Propostas dos candidatos
Desde o primeiro momento de apresentação dos candidatos os principais temas abordados foram segurança pública e educação. Ao responderem às perguntas dos apresentadores, os concorrentes deram continuidade a essas pautas, que nortearam o início do primeiro bloco.
O candidato Renan Santos afirmou que pretende decretar Estado de Defesa em regiões afetadas pelo crime organizado acionando a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) nas regiões afetadas, com o objetivo de eliminar as organizações criminosas. Também defendeu que, caso os estados não colaborem com o combate, haverá intervenção governamental e a integração dessas unidades federativas. Complementando sua proposta acrescentou a criação de “super presídios”, com o objetivo de ampliação das vagas no sistema carcerário.
Já o candidato Ronaldo Caiado quando questionado sobre o desequilíbrio fiscal, a dívida pública e os juros, defendeu a contenção de despesas. Ele ainda afirmou que buscaria reduzir os juros e levar a inflação para a faixa de 3% a 4%
O candidato Augusto Cury, ao ser questionado sobre educação, afirmou que o sistema de ensino exclui estudantes neurodivergentes e defendeu mudanças no ambiente escolar para promover a inclusão desses alunos. Criticou o que chamou de “educação cartesiana”, argumentando que os professores deveriam estimular os estudantes a questionar, pensar e participar mais ativamente do processo de aprendizagem. Além disso, defendeu uma revolução no ensino público.
No primeiro momento de confronto direto, Renan Santos defendeu a alfabetização pelo método fônico e a criação de uma “Lei de Responsabilidade Gerencial”. A ideia é de que ela vincule recursos aos resultados obtidos por estados e municípios em áreas como educação, saúde e segurança.
Cury defendeu mudanças no Bolsa Família. Além disso, o candidato falou também sobre o financiamento de mais de 10 milhões de microempresas, divisão do BNDES e a criação de escolas e agências voltadas ao empreendedorismo em comunidades, favelas e escolas públicas.
Caiado afirmou que o avanço do feminicídio é algo alarmante. Ele propôs confiscar os bens dos agressores de mulheres e repassá-los às famílias das vítimas, além do aumento da pena.
Já no segundo bloco, jornalistas fizeram perguntas aos candidatos. Entre os principais destaques, Ronaldo Caiado criticou a postura do Itamaraty, quanto a um suposto partidarismo do órgão; Renan Santos se posicionou contra o fim da escala 6×1; e Augusto Cury saiu em defesa do agronegócio nacional.
Caiado defendeu a PEC da Segurança Pública e prometeu a criação de 40 presídios federais, argumentando que as unidades estaduais estão sobrecarregadas com criminosos ligados a facções. Cury afirmou que o Brasil não pode ser subserviente aos Estados Unidos, por mais que seja a favor da pacificação entre os dois países, criticando os tarifaços. Ele também prometeu reformular as embaixadas brasileiras pelo mundo e que trataria a corrupção como crime hediondo.
No terceiro bloco, Augusto Cury propôs a criação de uma nova força de combate ao crime e o fortalecimento da Polícia Federal, além da formação de 400 mil novos policiais. Renan Santos, por sua vez, afirmou que, caso fosse eleito, iniciaria, já no primeiro dia de governo, um “banho de sangue contra os membros das facções”.
Crítica aos candidatos ausentes
Apesar de terem apresentado suas propostas ao longo dos três blocos, os candidatos presentes também direcionaram grande parte de seus discursos aos adversários que não compareceram. As ausências de Lula e Flávio Bolsonaro foram frequentemente mencionadas, fazendo com que o debate fosse marcado não apenas pela discussão de propostas, mas, principalmente, por críticas e ataques diretos aos candidatos que decidiram não participar.
Assim, além de apresentar diferentes propostas para áreas como segurança pública, educação e economia, o primeiro debate também teve como uma de suas principais características o confronto entre os candidatos presentes e aqueles que não foram.
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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.
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