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Casper Libero | Culture > Entertainment

Do look ao feed: por que o Rock in Rio virou uma experiência para além da música?  

Isabella Lima Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

O Rock in Rio é conhecido por reunir grandes nomes da música, mas a experiência de quem vai ao festival começa muito antes de os primeiros acordes tomarem conta da Cidade do Rock. Entre a escolha do look, o planejamento para registrar cada momento e as ativações das marcas, as redes sociais também passaram a fazer parte da experiência do público.

A experiência começa antes do festival 

Além dos shows, os festivais reúnem públicos de diferentes regiões, estilos e identidades. Atualmente, esses eventos deixaram de ser apenas uma programação musical e passaram a reunir elementos que ultrapassam a música, com fãs que se aventuram nos looks, aproveitam as ativações presentes no espaço e registram cada momento para compartilhar nas redes sociais.

No Rock in Rio 2026, não foi diferente. A vivência no festival começa muito antes do evento: a compra dos ingressos, a escolha dos shows, a definição do visual, a expectativa para cada apresentação e até a escolha das ativações que serão visitadas, também passam pelas redes sociais.

Antes mesmo de chegar à Cidade do Rock, o público já acompanha conteúdos de outras pessoas, busca referências de looks, conhece os espaços mais comentados e cria expectativas sobre o que deseja encontrar e registrar. As mídias deixam de ser apenas um espaço para mostrar o que acontece no festival e passam a influenciar a forma como o público se prepara, participa e registra o evento.

As experiências instagramáveis estão cada vez mais presentes nos festivais. O público quer mais do que registrar onde estiveram: as fotos também se tornam uma forma de mostrar que fizeram parte daquele momento. 

Participar de atividades, interagir com as marcas e ganhar brindes, por exemplo, deixa de ser apenas uma forma de entretenimento e passa a ser também uma oportunidade de produzir conteúdo para as redes sociais. Ao tirar uma foto em um espaço pensado para isso ou compartilhar o registro de uma ativação, o público não apenas aproveita o festival, mas também mostra aos outros que esteve ali. A busca por esse tipo de interação está relacionada ao desejo de pertencer e de tornar pública a participação em determinados grupos e momentos.

Um estudo publicado na revista Computers in Human Behavior, intitulado The Desire to Belong Publicly on Social Media, identificou justamente a existência de um “desejo de pertencer publicamente”, relacionado à vontade de mostrar nas redes sociais os grupos e relações dos quais se faz parte.

O festival também está no feed 

Redes sociais como TikTok, Instagram e Pinterest também se tornaram muito presentes na experiência de quem vai aos shows. É por meio delas que o público busca referências sobre as experiências de outras pessoas em festivais, além de ideias sobre o que vestir,  acessórios, maquiagens, lugares para visitar e os melhores espaços para tirar fotos. 

No Rock in Rio 2026, muitos influenciadores são convidados por marcas e passam a ir além da cobertura dos shows. Nesse contexto, o processo de preparação ganha destaque, com publicações voltadas também aos outfits e a experiência no evento. O comportamento revela uma mudança na forma de participar do festival: registrar e compartilhar cada etapa também passa a fazer parte de estar ali, desde a escolha do look até a chegada ao evento.

Um exemplo disso pode ser percebido no conteúdo da ex-BBB Samira Sagr, convidada pelo Gshow para produzir registros diretamente do festival, mostrando looks, bastidores e diferentes momentos do evento. 

Em um dos seus vídeos, ela chega a trocar de roupa no meio do gramado, transformando o local em uma espécie de camarim e fazendo da preparação parte do conteúdo. Esse comportamento revela uma mudança na forma como os festivais são percebidos: o evento deixa de ser apenas um espaço para a música e passa a dividir o protagonismo com a moda, a beleza e a estética.

O público também organiza os looks pensando na proposta do evento e nos artistas favoritos que irão se apresentar. Se a programação for mais voltada à música eletrônica, por exemplo, o visual pode acompanhar esse tema, já em shows de rock, o estilo pode aderir algo mais ousado. Cores, botas, maquiagens e penteados passam a fazer parte dessa escolha. Um exemplo disso é a cantora Zara Larsson, uma das atrações do encerramento do Rock in Rio 2026. 

A presença da cantora também pode ser relacionada à construção de uma identidade visual entre seus fãs, que buscam referências em seus looks coloridos e brilhantes e em suas maquiagens marcantes. 

Nas redes sociais, muitos deles acompanham tendências no TikTok e no Instagram e reproduzem elementos associados à estética da cantora. Essa escolha, muitas vezes, também considera a forma como o visual será registrado e compartilhado nas plataformas digitais. A influência, porém, não se limita à aparência. Os fãs também reproduzem coreografias que estão em alta e compartilham com seus seguidores.

Quando a marca vira parte do passeio

As marcas também estão cada vez mais presentes nesse tipo de experiência. Elas deixam de ser apenas uma forma de publicidade e passam a fazer parte do próprio passeio sendo pensadas como momentos instagramáveis. O público pode ir até esses espaços,  participar de alguma atividade, tirar foto ou gravar vídeo e, na maioria das vezes, receber um brinde, transformando a vivência em conteúdo.

A presença dos produtos modifica a forma como as pessoas circulam pelo festival. Para as marcas, estar nesses ambientes significa não apenas apresentar um item, mas associá-lo a um momento de lazer e entretenimento, aproximando a publicidade da rotina de quem participa do festival. 

Os estandes não estão apenas para divulgar a marca das empresas, mas também para gerar conteúdo para as redes.

Nesta edição, são mais de 100 ativações, entre distribuição de brindes, atividades e produtos para venda. Com tantas ações espalhadas pelo evento, o festival se torna um espaço repleto de possibilidades para a produção de fotos e vídeos. 

Essa lógica aparece na própria construção dos espaços das marcas. Um exemplo disso é a Piracanjuba, que criou um uma área com arquibancada, túnel de LED e uma moldura gigante para fotos e vídeos. Nesses casos, o espaço deixa de funcionar apenas como ponto de contato entre consumidor e marca e passa a oferecer um cenário que incentiva o público a produzir e compartilhar conteúdo. Outro exemplo é o Itaú, que transformou sua presença em algo de maior escala, com um pavilhão de três andares, palco próprio e uma roda-gigante.

Os elementos ao redor, como as ativações, os letreiros e a própria estética do local, tornam esse tipo de registro possível. Esses espaços são pensados para serem fotografados, filmados e compartilhados, contribuindo para transformar a experiência em algo marcante para o público.

Do celular para a Cidade do Rock  

O Rock in Rio não é apenas um festival, mas um espaço que combina entretenimento, música e estética, criando, por meio de fotos e vídeos, registros que permanecem para além do evento. As pessoas não vão ao festival apenas para assistir aos artistas. 

A experiência começa antes mesmo de chegar à Cidade do Rock, passa pela escolha do look, pelas tendências acompanhadas nas redes e pelas experiências compartilhadas durante o evento. 

Depois, continua no celular, em que fotos, vídeos e publicações prolongam aquele momento e ajudam a construir a imagem de quem esteve ali. No fim, o festival não se resume ao que acontece diante dos palcos, parte dele também é construída nas redes, antes, durante e depois dos shows.

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O artigo acima foi editado por Júlia Sofia Barreira.

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Isabella Lima

Casper Libero '29

I am a second-semester Public Relations student at Faculdade Cásper Líbero, in São Paulo. I have always enjoyed communicating and building relationships with people, which led me to pursue a degree in Public Relations. Throughout my academic journey, I have also developed a growing interest in journalistic writing and in exploring different ways of telling stories through communication.
Music, art, films, and writing have always been an important part of my interests. I enjoy researching subjects that catch my attention, discovering new perspectives, and turning my interests into stories and ideas. I am curious about different forms of culture and enjoy learning more about the topics that inspire me.
For me, developing a story or creating a journalistic piece is an opportunity to explore a subject more deeply and share what I discover with others. I believe that my curiosity and passion for communication continue to shape my interests and my journey as a student and young communicator, while encouraging me to explore new ways of expressing ideas and connecting with people.