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Desafiando a norma: experiências lésbicas e o papel imposto às mulheres em um contexto patriarcal

Giovana Macedo Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Não é de hoje que a sociedade é considerada patriarcal, e isso ocorre porque, de forma coletiva, estamos inseridos em  uma cultura, estrutura e relações que favorecem os homens, sobretudo brancos, cisgênero e heterossexuais. As mulheres têm um caminho mais longo e desafiador para serem reconhecidas, além dos diversos tipos de violência que enfrentam – muitas vezes, sem perceber –, uma vez que a misoginia já está tão enraizada no imaginário coletivo que passou a ser normalizada. 

Ser mulher em uma sociedade patriarcal já é uma luta extensa e desafiadora; ser mulher e ser lésbica é quase como um insulto para uma sociedade que culturalmente favorece o homem em todos os aspectos. A existência das mulheres lésbicas, por si só, desafia todas as normas sociais. Estas mulheres são ensinadas desde novas sobre tal cultura: vendo em desenhos de princesas, filmes de heróis, séries românticas; dificilmente vemos representatividade lésbica e somos coagidas, desde novas, a sonhar com o “homem ideal”.

“Foi fácil aceitar que eu gosto de mulheres, mas foi difícil aceitar que não gosto de homens.”

A frase referenciada acima é frequentemente dita por mulheres da comunidade LGBTQIA+, justamente pelo fato de acharmos que não existe a opção de não gostar de homens, tornando ainda mais difícil identificar a falta de atração das mulheres pelo sexo masculino, uma vez que o prazer e a atração das mulheres não são priorizados dentro das relações – mesmo heterossexuais.

Entrando um pouco mais profundamente dentro deste tópico, tempos atrás, era comum o pensamento de que mulheres não sentiam prazer sexual ou que não gostavam tanto de sexo quanto homens, um tipo de pensamento que, ao ser normalizado, dificulta ainda mais a compreensão das mulheres sobre seus próprios interesses.

“Nossa, vocês são tão fofas, vocês são irmãs?”

Nos dias atuais, ainda que exista um preconceito escancarado, é muito comum que mulheres que amam mulheres sofram preconceitos velados – disfarçados de simpatia ou cuidado. Comentários como o supracitado são tentativas de evitar enxergar duas mulheres como um casal, abrindo margem para a invisibilidade dos relacionamentos sáficos, que também é uma forma de violência. Relacionamentos entre mulheres são geralmente vistos como algo provisório e imaturo. Ainda que duas mulheres vivam uma relação estável, há pessoas que se recusam a enxergá-las como um casal – mesmo que elas estejam fazendo coisas que somente casais fazem. 

A falta de validação social é dolorosa, fazendo com que se retraiam, silenciem seus afetos e se afastem. Como citado pela psicóloga Thayline C. Kretzer “A aceitação superficial que apenas ‘tolera’ não basta”, precisamos é de reconhecimento e inclusão total, viver esse amor em voz alta é um ato de resistência e de esperança, e não há nada de “menor” em amar uma mulher.

“Por que você nunca fala com a gente sobre meninos? Deve ter algum que você goste um pouco!”

Provavelmente, a maior parte da comunidade lésbica tem alguma experiência – seja na pré-adolescência ou adolescência, dentro do ciclo de amigos ou familiar–, em que, por conta dessa cultura patriarcal, em algum momento, começa a questionar sobre os garotos (nem pensando na possibilidade de questionar sobre garotas também), e começa a entender a solidão lésbica que sempre esteve vivendo. A falta de representatividade, principalmente outrora, era escassa, fazendo com que essas mulheres achem que há algum tipo de problema com elas e fiquem dependentes da aprovação alheia; não à toa, grande parte de pessoas diagnosticadas com ansiedade e depressão são pessoas da comunidade LGBTQIA+.

@miumiix

solidão lesbica a gente nao cura (so) com pegação amigas 😭😭😭 #wlw #lgbt #orgulholesbico #lesbicastiktok🌈

♬ som original – miwa | lésbica de RI 🏳️‍🌈

Por fim, gostaria de compartilhar uma experiência minha dentro do tema, que, talvez, algumas mulheres lésbicas também possam se identificar. Quando eu estava na minha pré-adolescência – uns 13 anos –, eu sabia da existência de pessoas LGBTQIA+, no entanto, apenas de homens que se relacionavam com homens, e, por algum motivo – certamente, reflexos da misoginia e homofobia tão intrínsecas aos seres humanos –, sequer passava pela minha cabeça que mulheres também poderiam se relacionar com outras mulheres, criar um lar, uma história, ter filhos.

Só fui ter contato com uma representação lésbica quando descobri que uma tia distante minha era casada com outra mulher. Isso é responsabilidade da cultura patriarcal – o caminho para a aceitação de uma mulher lésbica é, muitas vezes, mais complexo devido à combinação de preconceitos de gênero e homofobia.

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O artigo acima foi editado por Rafaela Lima.

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Giovana Macedo

Casper Libero '28

Advertising and publicity student at Cásper Libero. I'm interested in things that give me the opportunity to explore the subject in different ways with different perceptions, such as art, fashion, culture, etc.