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De “Orgulho e Preconceito” a “Razão e Sensibilidade”: por que os clássicos de Jane Austen continuam impactando novas gerações?

Eloá Costa Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

 É muito provável que, dentro do universo do romance literário, você já tenha se deparado com frases famosas como “É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro que possua uma grande fortuna deve estar à procura de uma esposa” ou “Preciso lhe dizer: você me enfeitiçou, de corpo e alma, e eu a amo, eu a amo, eu a amo”. 

Esses e outros símbolos tão reconhecidos, como alguns personagens, ironia e crítica à sociedade, são só algumas das criações da escritora Jane Austen, que transcendem a Inglaterra do século XIX e se consolidam na literatura e no cinema do mundo moderno. 

Mesmo após dois séculos desde a publicação de algumas de suas obras mais aclamadas dentro da literatura mundial, como “Orgulho e Preconceito”, “Emma” e “Razão e Sensibilidade”, a autora britânica não só mantém seu lugar nas prateleiras de livros favoritos de seus leitores, mas prova a atemporalidade de suas narrativas com adaptações para as telas do cinema, palcos de teatro e novas produções inspiradas em suas histórias ainda hoje.

As influências da literatura austEniana no cinema moderno

 Os ideais de romance de Austen são um fenômeno cultural. Apesar de escritas no século XIX, suas histórias são versáteis, com personagens marcantes e críticas sociais pertinentes a, não só o cenário em que a escritora viveu, mas ainda hoje. Por isso, graças a tais fatores, suas obras ganham reinvenções no mercado audiovisual moderno, utilizando das estruturas narrativas de Jane como inspiração para novas abordagens.

Esse é, por exemplo, o caso de “As patricinhas de Beverly Hills” (1995), que tem como base o livro “Emma”, publicado em 1815. A protagonista Cher Horowitz é um reflexo perfeito da jovem rica, espirituosa, e bem intencionada Emma Woodhouse, do romance austeniano. Assim como Emma, Cher têm a personalidade de “cúpido”, mas que acaba criando confusões amorosas para si mesma e para aqueles que tenta ajudar.

 O maior sucesso de Jane Austen não fica de fora: “O Diário de Bridget Jones (2001)” é uma releitura da grande obra “Orgulho e preconceito”, publicada em 1813. O filme narra através da trajetória de Bridget conflitos modernos de carreira, posicionamentos feministas e o amor de uma forma livremente inspirada em uma das personagens máximas da literatura austeniana, Elizabeth Bennet. 

Curiosamente, no filme, o interesse romântico de Bridget ganha o nome de Mark Darcy, em referência a Mrs. Darcy, um dos protagonistas de “Orgulho e Preconceito” e par romântico de Elizabeth. As referências e coincidências não estão apenas nos personagens e no enredo do filme: Mark Darcy é interpretado por Colin Firth, que posteriormente havia interpretado Mrs. Darcy na minissérie da BBC em 1995.

A constância das obras originais e suas novas formas 

Apesar de novos enredos escritos a partir do berço narrativo de Austen, suas obras em forma e conteúdo original seguem fazendo enorme sucesso nos dias atuais através das adaptações para as telas do cinema mundial. 

O sucesso absoluto da obra “Orgulho e Preconceito” rendeu não somente uma, mas duas grandes adaptações, com a mais famosa lançada em 2005, e estrelada por Keira Knightley e Matthew Macfadyen. Dirigida por Joe Wright, o filme tornou-se um marco cultural da imortalidade de Jane no imaginário popular, recebendo 4 indicações ao Oscar, e alcançando uma bilheteria de cerca de US$132,9 milhões.

Esse ciclo de fascínio se renova com o livro “Razão e Sensibilidade”, que também conta com duas grandes adaptações cinematográficas de sucesso, uma em 1995 e outra que será lançada no dia 15 de Outubro de 2026 com protagonismo de Daisy EdgarJones.  

Mais de trinta anos após a emblemática versão roteirizada por Emma Thompson e dirigida por Ang Lee, a nova produção chega às telas para reapresentar às jovens gerações o dilema entre o pragmatismo e a paixão avassaladora vivenciado pelas irmãs Elinor e Marianne Dashwood. 

 Além das grandes telas, a permanência do legado de Austen é impulsionada pela cultura digital. Comunidades digitais como o BookTok e o Bookstagram atuam como os novos clubes de leitura da Geração Z, nos quais trechos de livros austenianos, análises das escolhas de cada personagem e tendências estéticas como o “Regencycore” acumulam bilhões de visualizações. 

O reflexo e importância política das obras de Jane Austen

 A nova versão de “Razão e Sensibilidade” reafirma que os conflitos morais, financeiros, sociais e políticos vividos pelas irmãs Dashwood continuam ecoando com força no mundo contemporâneo. Em uma realidade em que predominam debates sobre saúde mental, independência feminina e busca por comunicações genuínas em meio a era das redes sociais, o choque de personalidade entre as personagens retoma a relevância de sua época de forma inédita, provando que as angústias e sentimentos humanos do século XIX permanecem reais, ainda que em um mundo reinventado.

A força política e social da escrita de Austen reside justamente no fato de que suas heroínas nunca foram meras espectadoras de seus próprios destinos. Ao colocar personagens femininas ocupando todos os espaços da sociedade e liderando suas próprias vidas e destinos, Jane Austen antecipou pautas sobre autonomia e liberdade individual que continuam no centro das discussões atuais e que ganham ainda mais força a cada adaptação midiática de suas obras.

No fim, a resposta para a permanência desse legado está na capacidade de Austen de traduzir a essência humana sem prazos de validade. Seja nas páginas amareladas de um livro, no feed do BookTok ou nas telas de cinema em 2026, continuar lendo e assistindo Jane Austen é, acima de tudo, um exercício contínuo de nos reconhecermos em suas histórias. 

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O artigo acima foi editado por Mariana Aires.

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Eloá Costa

Casper Libero '28

Eloá Costa is a stage actress, artist, journalism and language student. She enrolled in journalism at Cásper Líbero in 2025, and in language studies at USP in 2026. Eloá is highly interested in linguistics, politics, art and culture. In 2025, she became a Chapter Board Member at Her Campus Cásper Líbero.