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Coronavac, Pfizer Ou Astrazeneca: Por Que Não Faz Sentido Escolher Qual Vacina Tomar?

Desde a chegada das vacinas das farmacêuticas Pfizer, no final de abril, muitos brasileiros estão se recusando a tomar os outros imunizantes disponíveis. No Brasil, no momento, existem três vacinas disponíveis para uso: a Coronovac, produzida pelo Instituto Butantã, a Astrazeneca, produzida por Oxford e a Pfizer, produzida pela farmacêutica americana de mesmo nome em conjunto com a farmacêutica alemã Biontech. Todas têm eficácia comprovada e foram aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para serem utilizadas no Brasil, porém, os seus níveis de imunização diferem. Por isso, a população entra em conflito: já que a maioria das pessoas deseja tomar a vacina que tem eficácia maior. 

Os estudos sobre a Coronavac, por exemplo, apresentaram 100% de proteção em casos moderados a graves de covid-19, e 78% em casos leves da doença. Ou seja, quando tomada duas doses, há um grande potencial de redução dos casos de internações e entubações. Já a preocupação em relação a Astrazeneca é que houveram algumas pessoas que apresentaram alguns efeitos colaterais, como um dia sentindo um resfriado muito forte e, em casos mais raros, trombose. Todos esses fatores contribuem para que a Pfizer seja a mais desejada, porque apresenta 95% de redução nos casos sintomáticos, 87% em casos assintomáticos e poucos efeitos colaterais. 

Mas existem outros motivos pela preferência: há algumas pessoas que afirmam desejar tomar a vacina da Pfizer porque só poderão viajar para o exterior se fizerem o uso dela, pois esse é o imunizante mais usado na América do Norte e Europa. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro faz ataques constantes à vacina do Butantã, contribuindo para sua rejeição por parte da população.   

Outro motivo que explica a rejeição é que a vacina de Oxford tem causado algumas reações adversas, mesmo sendo muito incomuns e tênues. Porém, a divulgação midiática e por parte da população sobre as reações está levando as pessoas a darem preferência pelo imunizante  americano nos postos de saúde. 

Principalmente no estado de São Paulo, há inúmeros relatos de pessoas que foram se vacinar esperando tomar a Pfizer, mas voltaram para casa ao descobrirem que naquele dia essa vacina específica não estava disponível, adiando suas imunizações. 

A vacinação, atualmente, funciona por ordem de chegada das doses e insumos para produção no país. Por esse motivo, as doses de diferentes farmacêuticas chegam nas unidades de saúde de maneira aleatória. Ou seja, o imunizante disponível no dia da sua vacinação não vai ser necessariamente o mesmo de ontem, logo, não é viável querer “escolher” sua vacina. Ao esperar doses específicas, os cidadãos seguem sem imunização e correm risco de se infectar com a covid-19.

A preferência pela Pfizer

Para o médico infectologista Severino Alexandre, que trabalha no Hospital Estadual Leonardo da Vinci, no Ceará, criado em 2020 com o objetivo de tratar as pessoas que contraíram Covid-19, a eleição da Pfizer como a melhor vacina disponível no momento está diretamente relacionada com o senso comum, pois a população quer considerar que a mesma tem a melhor resposta imunológica para si. Então, quando há a existência de uma vacina com 95% de eficácia após a segunda dose, é essa que as pessoas vão desejar, porque é a que vai trazer mais “segurança”. 

“Se eu tiver uma vacina ou medicação que seja eficaz, eu tenho que promovê-la. É importante que você faça uso da vacina e dê preferência a mais eficaz, eu concordo com isso. Mas se eu não tenho a mais eficaz, tenho que garantir aquela que dê proteção”, explica Severino, em relação à eficácia e necessidade dentro de um contexto pandêmico.

A rejeição à Astrazeneca

A vacina Astrazeneca tem sido a mais demonizada no atual momento da pandemia. Os pouquíssimos casos de reações adversas têm causado medo na população, que não deseja fazer uso desse imunizante. Segundo o infectologista, nós temos que buscar relacionar se essa reação foi ou não correlacionada com a vacina específica que a pessoa usou: “Nós temos que buscar quais são as características dessa população que apresentou reação adversa e ver se o indivíduo tem alguma patologia que seja suscetível a apresentar algo que possa estar envolvido”.

Quando falamos especificamente dessa vacina, o maior medo atual é adquirir trombose após tomar todas as doses. A primeira suspeita de que a doença e a vacina tinham relação ocorreu na Europa, após algumas pessoas apresentarem o diagnóstico. O uso do imunizante até chegou a ser suspenso em alguns países durante o primeiro trimestre do ano, enquanto não existiam estudos que explicassem a relação. Em abril, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou um relatório que confirma o risco de trombose e exigiu que fosse listado na bula como um possível efeito colateral muito raro, porque só é visto em um grupo muito pequeno de indivíduos.  No Brasil, os dados do SUS notificam 0,89 casos a cada 100 mil doses da vacina AstraZeneca aplicadas, o que faz com que o Ministério da Saúde classifique como “raros” esses eventos, garantindo que a vacinação segue sendo favorável.  

Segundo um estudo realizado pela Universidade de Oxford, o risco de contrair trombose após se infectar com o novo coronavírus é muito maior do que os que a vacina proporciona: “Embora a magnitude do risco não possa ser quantificada com certeza, o risco após a Covid-19 é aproximadamente de 8 a 10 vezes o relatado para as vacinas”. Além disso, medicamentos corriqueiros e diários nas vidas de muitas pessoas proporcionam um risco maior do que a vacina. Alguns anticoncepcionais, por exemplo, indicam em suas bulas que mulheres que fazem o uso do medicamento correm risco de 4 a 6  vezes maior de desenvolver tromboembolismo.

As três vacinas disponíveis no Brasil foram liberadas e autorizadas pela Anvisa e suas aplicações são completamente seguras, independente de uma ou outra reação adversa. 

Severino Alexandre acredita que é preciso considerar que essa busca pelo imunizante ideal é muito difícil e complicada. Até porque cada pessoa responde de um jeito ao que  está tomando, e os imunizantes foram desenvolvidos em pessoas e populações específicas. Por esses motivos, ao se optar pelo “melhor” imunizante, é preciso ver o que tem mais experiência, foi mais usado e que tem mais perspectiva. “Cada vacina atende a um limite de especificidade. Acredito que nesse momento da pandemia, em que não temos um tratamento específico para Covid-19, realizar a proteção, principalmente ao que se refere a não ter a doença grave, é o mais importante”, finalizou.

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The article above was edited by Luíza Fernandes.

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Júlia Girão

Casper Libero '24

Journalism student at Cásper Líbero
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