Nos últimos anos, Rubel deixou de ser apenas um “segredo” entre fãs de música alternativa e passou a ocupar um espaço cada vez maior no cenário brasileiro. Suas faixas, que misturam poesia, drama e cotidiano, conquistaram o público e transformaram o cantor em uma das vozes mais encantadoras e interessantes do MPB.
Agora, Rubel encontra cada vez mais seu espaço na música contemporânea e torna-se a promessa de uma geração que busca unir diálogo, autenticidade e conexão.
quem é rubel?
Rubel Brisolla, conhecido como Rubel, tem 34 anos e nasceu em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O seu interesse pela música surgiu com seus irmãos, Fábio e Natália, ambos pianistas.
Começou com aulas de violão quando tinha aproximadamente 6/7 anos e chegou a ter uma banda na época da escola, chamada Corleone. Mais tarde, Rubel optou por estudar Cinema na PUC-RJ e deixou a música de lado durante três anos de sua vida.
Somente quando decidiu mudar-se para Austin, nos Estados Unidos, que o cantor passou a se dedicar com mais afinco à carreira de compositor.
a trajetória do cantor na indústria musical
Em 2012, quando retornou ao Brasil, Rubel gravou suas primeiras composições em Austin como uma forma de recordar um momento especial. No ano seguinte, seu primeiro álbum foi lançado, Pearl, e marcou definitivamente a carreira do artista.
“Quando Bate Aquela Saudade”, faixa que faz parte de seu primeiro trabalho, fez um enorme sucesso nas redes sociais e cativou os fãs com a “sanfoninha”, conquistando lugar na trilha sonora da série Onde Nascem os Fortes e ganhando um videoclipe dirigido por Rubel anos depois, em 2015.
Em 2018, Rubel lançou o seu segundo álbum, Casas. Contemplado pela Natura Musical, o disco estreou em março e contou com a participação de nomes como Emicida e Rincon Sapiência. Um ano depois, “Partilhar”, originalmente lançada em Casas, foi regravada como single em parceria com a dupla Anavitória.
O álbum recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, além de ser eleito o 20º melhor disco brasileiro de 2018 pela revista Rolling Stone Brasil.
A turnê de Casas passou por mais de 60 cidades, nacionais e internacionais, como Nova York e Lisboa, além de fazer parte de grandes festivais, como o Coala e Rock the Mountain.Em março de 2023, Rubel apresentou ao público o seu álbum duplo As Palavras, VOL. 1&2. Totalizando 20 faixas, o trabalho é uma tentativa de representar o sentimento de viver no Brasil naquele período. Assim, o compositor passou quatro anos vasculhando livros e discografias, lendo autores brasileiros e revisitando a linhagem da canção no país.
O resultado da investigação é um projeto que une o popular e experimental de Funk, Pagode, Samba, Hip Hop, entre outros. O disco propõe uma conversa entre o tradicional e o moderno, narrado pelas experiências de Rubel e demais personagens.Seu trabalho mais recente é Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?, que contém hits como “A Janela, Carolina” e “Carta de Maria” e se mostra completamente diferente de seu antecessor.
“Ele é a abertura de uma nova trilogia. Vejo os três primeiros como parte de uma série. O quarto disco é um resumo das experiências que tive nos anteriores e, ao mesmo tempo, ele celebra um novo momento”, explica Rubel em entrevista à revista Noize.
O impacto na nova geração
Rubel é um dos artistas que melhor dialogam com a nova geração de ouvintes. Suas músicas, que abordam temas vulneráveis, afetivos e de autoconhecimento, conquistam o público que se reconhece nas letras e na sensibilidade de um novo rosto e voz.
Nas redes sociais, ele mantém uma presença genuína e marcante, compartilhando bastidores, reflexões e fragmentos de seu processo criativo. Suas músicas frequentemente se tornam um espaço seguro em aplicativos de vídeos como o TikTok. A aproximação faz com que fãs se sintam parte de sua trajetória e dividam uma relação com o cantor que transcende o palco e o streaming.
Rubel também cruza com leveza a poesia clássica do MPB e as linguagens contemporâneas da internet, equilibrando arte, algoritmo e exposição, tornando-se um símbolo de autenticidade aos espectadores.
As vozes que caminham com Rubel
Em 2020, Rubel mostrou ao público ainda mais sua versatilidade como intérprete e músico. Neste mesmo ano, ao lado de Gal Costa, gravou duas canções de Caetano Veloso: “Baby” e “Coração Vagabundo”. A segunda integrou o álbum Nenhuma Dor (2021), em que Gal revisita os clássicos com novos artistas da MPB, e onde Rubel ganhou o apelido carinhoso de “o gatinho da Gal”.
No mesmo período, lançou “Você Me Pergunta” em parceria com Adriana Calcanhotto, que consolidou o diálogo entre as diversas gerações da música brasileira. A sintonia entre os dois artistas rendeu um reencontro no Festival Novabrasil 2022, quando se apresentaram juntos em um show elogiado pela crítica.
Liniker, Milton Nascimento, Tim Bernardes e Xande de Pilares também são parcerias que aparecem na discografia de Rubel.
Recentemente, Rubel seguiu expandindo suas colaborações, aproximando-se mais ainda de nomes da nova cena, como Marina Sena e Anavitória, reforçando sua posição de artista que traduz, em cada trabalho, a renovação da música brasileira.
Rubel é um nome que ultrapassa fronteiras. Sua música, delicada e pulsante, é capaz de conectar o passado e o presente da canção brasileira e convida a todos a sentir e pensar com ele.
__________
O artigo acima foi editado por Ana Carolina Carvalho.
Gostou desse tipo de conteúdo? Confira Her Campus Cásper Líbero para mais!