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Culture

Conheça “O Grilo”: a mistura de rock e brasilidade que você precisa ouvir

Em 2019, uma banda teve a oportunidade de abrir o maior festival de música alternativa do Brasil, o Lollapalooza, através de um concurso de rádio. Inscritos de última hora, com um novo membro e somente um EP com 5 músicas lançadas na época, tiveram que se virar às pressas para se tornar um grupo digno de se apresentar no famoso palco Onyx em apenas sete dias. Essa banda era O Grilo, que hoje já conta com mais de 59  mil ouvintes mensais só no Spotify.

“A gente costuma falar que foi a semana mais estressante da nossa vida”, diz Lucas Teixeira, 23 anos, sobre a preparação para tocar no festival. Ainda assim, para o baterista da banda, a apresentação foi a realização de um sonho. Um vídeo no youtube que mostra os bastidores do show, ao som da música “Sofia”, já tem 47 mil visualizações.

 

História

O Grilo surgiu ainda na época de escola. Lucas Teixeira e Gabriel Cavallari, o baixista de 22 anos, se conheceram na infância e participavam da banda do colégio. Com a entrada na faculdade, os garotos começaram a sentir falta de tocarem juntos em um grupo, então convidaram Pedro Martins, o atual vocalista, para participar da banda. Mais tarde, se juntaram também Gabriel Xavier e André Maya, que participaram da gravação do EP Herói do Futuro, mas no início de 2019 saíram da banda para a entrada de Felipe Martins.

Esse processo de reestruturação, segundo Pedro Martins, acabou sendo mais rápido do que o esperado. “A gente ficou boiando porque eram cinco membros e viramos três do dia para a noite”, ele explica. Contudo, logo encontraram Felipe Martins, que estudava produção musical junto com Teixeira. A escolha, de acordo com Pedro, não poderia ter sido melhor. “Nós queríamos alguém que efetivamente trouxesse alguma coisa pra gente e o Fepa se mostrou esse cara mais do que ninguém”, ele completa.

O primeiro EP da banda, “Herói do Futuro”, foi lançado em 2017 e foi a primeira experiência profissional dos garotos, após a decisão de gravá-lo no estúdio Family Mob. Lucas Teixeira explica que esse processo foi muito importante para entenderem como funciona o mercado musical. A partir daí, O Grilo seguiu independente até entrar no Selo Rockambole, que atualmente cuida da gestão da carreira do grupo.

Músicas

Já tem lançamento a vista para O Grilo. O disco “Você Não Sabe de Nada” está previsto para o início do ano que vem e, pela animação dos integrantes, parece que vem coisa boa por aí. Segundo eles, o processo de composição do álbum foi diferente do das músicas já lançadas. Antes, a letra ou a melodia costumava partir de um integrante e o restante da banda se inteirava. Agora, no entanto, eles afirmam que as composições são mais coletivas. “Acho que tem esse negócio do estúdio e do entrosamento da banda mesmo. Depois da gente ter passado um ano tocando muito e ensaiando juntos, a gente acaba conhecendo o jeito um do outro”, diz o vocalista.

A produção das músicas também teve mudanças. Depois de ganharem experiência em um estúdio profissional, a banda decidiu gravar o seu disco de maneira independente, com os recursos que tinham. Para Lucas Teixeira, esse processo contribuiu para a qualidade do disco: “O Você Não Sabe de Nada é muito mais autêntico nesse sentido, muito mais autoral também no sentido da produção e da gravação, porque a gente colocou mais a mão na massa”.

O estilo musical do álbum é algo difícil de ser definido. De acordo com Pedro Martins, os integrantes da banda têm o costume de ouvir todo tipo de música juntos e, com isso, acabam pegando as mais diversas referências. “É bizarro porque você escuta e parece que as coisas não conversam, mas na hora do estúdio deu certo”, ele brinca.  O baterista Lucas Teixeira ainda completa: “Eu diria que o Você Não Sabe de Nada tem pelo menos uns oito ou nove gêneros musicais diferentes. A gente passa desde o rock, até o psicodélico, o brega forró,  reggae,  mpb, até o funk. É uma viagem”.

Para que o lançamento do álbum fosse possível, O Grilo realizou um financiamento coletivo. Dependendo da quantia doada, os colaboradores receberam um brinde especial da banda. De acordo com Lucas, o período de espera para ver se conseguiriam o dinheiro necessário foi de muito estresse e ansiedade. No entanto, quando atingiram a meta, a sensação foi de muita gratidão. “Nos últimos cinco, seis dias, a gente conseguiu 20% da meta. Foi incrível, muito gratificante”, conta o baterista.

O primeiro single lançado, “Trela’, já mostra um pouca da brasilidade do grupo e a recepção tem sido positiva: 60 mil reproduções no Spotify em menos de um mês de lançamento. Para a divulgação da música e do resto do disco, O Grilo criou um personagem chamado Lauro, ilustrado em quadrinhos por Pietro Soldi, a quem os membros não poupam elogios. “A gente teve esse ideia de fazer tirinhas justamente por encararmos o álbum com essa linguagem muito ‘cotidianesca’”, explica Pedro Martins. Para eles, o disco trata de temas normais da vida e traz justamente o conceito de não saber de nada.

Cenário musical brasileiro

Grandioso ou não, O Grilo tem ganhado cada vez mais espaço no cenário musical brasileiro. “Serena Existencialista”, uma das primeiras músicas da banda, tem mais de 1 milhão de reproduções do Spotify. Os números ainda impressionam os integrantes, mas eles explicam que esse desenvolvimento foi devagar e que ainda desejam conquistar muitas coisas com a banda. “É difícil falar como eu me sinto porque são números grandes, mas foi um processo lento, de degrau a degrau nesses últimos dois, três anos, e agora a gente espera consolidar isso com um lançamento muito mais bem estruturado”, afirma Lucas Teixeira. 

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The article above was edited by Laura Ferrazzano

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Julia Queiroz

Casper Libero '23

Soon to be journalist. Passionate about writing, telling stories and getting to know the world.
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