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Conclave: entenda a maior eleição religiosa do mundo

Júlia Salvi Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Começa hoje, 7 de maio de 2025, mais um Conclave, a maior eleição religiosa do mundo. Feito de forma muito sigilosa, o conclave é uma votação  realizada por cardeais na Capela Sistina, Vaticano, para a escolha do novo papa da Igreja Católica Apostólica Romana.

Com a morte do Papa Francisco no dia 21 de abril, iniciaram as preparações para a escolha do 267º líder do catolicismo. Os conclaves carregam muitas curiosidades sobre o processo, que é uma tradição antiga, secreta e complexa da Igreja – que inclusive virou filme ganhador do Oscar de melhor roteiro em 2025, disponível na Amazon Prime -, mas a Her Campus Cásper Líbero te ajuda a entender como tudo é realizado.

ORIGEM DO CONCLAVE

Até o século XI, a Igreja Católica não tinha regras claras para a definição de um novo papa, processo que podia ser feito por meio de indicações ou votações, com participação, inclusive, dos próprios fiéis romanos. Isso causava a formação de “partidos” e a escolha do papa era comumente influenciada pelo governante de Roma.

Com o crescimento da Igreja, surgiu a necessidade de se estabelecer um processo fixo, a fim de evitar interferências externas. Em 1059, o Papa Nicolau II emitiu a bula Nomine Domini, que reduzia o poder dos aristocratas e estabelecia que apenas cardeais-bispo poderiam participar da escolha de um novo papa. Em 1179, o Papa Alexandre III estabeleceu ser necessário o mínimo de dois terços dos votos dos cardeais para a definição de um papa.

Em 1268, aconteceu um período conturbado no papado, foram anos sem conseguir escolher o novo líder da Igreja. O povo de Viterbo, Itália, foi orientado a recorrer às medidas que os romanos e napolitanos praticavam quando a eleição se prolongava demais: trancar os cardeais em um palácio. Mas nem isso foi capaz de resolver a questão. Durante a reclusão, os cardeais só recebiam água e pão e os telhados do palácio foram removidos para que ficassem aquém do clima. Alguns até morreram durante o período de confinamento. Depois de quase três anos de Sé Vacante – período sem papa -, o escolhido foi Gregório X, que deu origem ao conclave que conhecemos hoje, com a bula “Ubi periculum“.

A palavra conclave vem do latim “cum clavis” e significa “fechado a chaves”. O objetivo de Gregório X era evitar eleições tão longas quanto a última, mas mantendo o princípio da reclusão absoluta dos cardeais em relação ao mundo exterior, que continua vigente até hoje. O processo foi sendo aperfeiçoado ao longo dos anos: na década de 1970, o pontífice Paulo VI definiu que 120 era o número máximo de cardeais eleitores, e que eles deveriam ter, no máximo, 80 anos para poderem votar. Em 1996, João Paulo II estabeleceu a Capela Sistina, Vaticano, como local oficial e único para o conclave e que a escolha de um novo papa deve ser realizada entre 15 e 20 dias após a retirada do último.

PROCESSO DO CONCLAVE

Assim que um papa morre ou renuncia, todos os cardeais com menos de 80 anos são convocados a comparecerem ao Vaticano para o conclave. Hoje, são 135 cardeais aptos a votar, incluindo sete brasileiros (Dom Odilo Scherer, Dom João Braz de Aviz, Dom Orani Tempesta, Dom Sérgio da Rocha, Dom Leonardo Steiner, Dom Paulo Cezar Costa e Dom e Jaime Spengler).

Após se reunirem na Basílica de São Pedro, os cardeais participam de uma missa chamada Pro Eligendo Pontifice e depois seguem em procissão até a Capela Sistina. Ao chegarem lá, fazem um juramento de sigilo sobre as votações e a Capela é fechada, deixando os cardeais sem qualquer tipo de comunicação com o mundo exterior.

Todos os cardeais aptos a participar do conclave também podem ser eleitos, só não podem votar em si mesmos. O voto é secreto, escrito em cédulas especiais depositadas em recipientes que servem como uma urna. Depois de depositarem os papéis, o cardeal “escrutinador” é o responsável por ler os votos em voz alta e registrar a apuração em uma folha. Se algum cardeal tiver recebido pelo menos dois terços dos votos, ele é eleito papa, caso contrário, uma nova rodada de eleições é realizada até que haja uma definição.

Algumas regras são definidas para a votação:

  • São realizadas até quatro votações por dia: duas de manhã e duas à tarde;
  • Se não tiver consenso após três dias de conclave, ele é suspenso por um dia para orações;
  • Se houver mais sete rodadas sem consenso, mais uma pausa de 24 horas para orações é realizada;
  • Se depois de 34 rodadas ainda não houver um escolhido, é realizada uma espécie de segundo turno com os dois mais votados da última votação.

Após cada rodada da eleição, uma fumaça sai pela chaminé da Capela Sistina. Se for branca, indica que um papa foi eleito; se for preta, significa que ainda não houve definição.

PAPA ELEITO

Depois da escolha de um novo papa, ele deve responder à pergunta “Aceita a sua eleição canônica para Sumo Pontífice?”, depois, decide qual será seu nome de papa. A mudança de nome é uma tradição para homenagear os antigos papas e normalmente está relacionada com a identificação aos papados.

Então, o novo papa é levado à “Sala das Lágrimas”, onde veste as roupas papais e medita antes de ser apresentado aos fiéis. Por fim, é levado à Sacada Central da Basílica de São Pedro e o cardeal-diácono mais velho anuncia: “Habemus Papam” (Temos um Papa).

Os últimos dez conclaves foram rápidos, durando, em média, três dias. O último conclave, que elegeu Francisco em 2013, durou apenas dois dias e envolveu cinco votações. Agora, nos resta aguardar até que a fumaça branca saia pela chaminé e nos seja revelado quem será o novo papa, líder da Igreja Católica.

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O artigo acima foi editado por Marcele Dias.

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Júlia Salvi

Casper Libero '26

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