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Casper Libero | Life

Como ser mulher em uma sociedade que não te vê como ser humano?

Catharina Gonçalves Student Contributor, Casper Libero University
This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

Por muitos séculos, foi “ensinado” às mulheres qual era o seu lugar: dentro de casa, cuidando do lar, criando seus filhos, servindo ao marido e silenciando os próprios desejos. Esse roteiro, repetido de geração em geração, moldou uma sociedade que naturalizou a discriminação, a desigualdade e transformou a existência feminina em funções, nunca em escolhas.

Ainda que o tempo tenha avançado e conquistas tenham sido adquiridas – como acesso aos direitos básicos, ao trabalho e à educação – a liberdade feminina segue incompleta. As mulheres continuam enfrentando violência psicológica e física, desvalorização, sobrecarga e, sobretudo, a objetificação de seus corpos e vidas. Em uma sociedade que insiste em não as reconhecer plenamente como seres humanos, ser mulher é resistir à invisibilidade, à opressão, à agressão e à negação de sua própria humanidade.

O machismo estrutural enraizado na sociedade do século 21

Esse cenário, que se caracteriza pelo machismo crescente na comunidade, é sustentado por um machismo enraizado na estrutura social, que se manifesta de forma cotidiana e muitas vezes passa despercebido. No mercado de trabalho, mulheres seguem recebendo salários inferiores aos dos homens mesmo exercendo as mesmas funções, além da maternidade ser vista como um “empecilho” profissional, enquanto a paternidade nunca gera impactos negativos na carreira masculina. Em outros espaços, como esportes e meios de comunicação, a presença feminina é julgada, muitas vezes, apenas por sua aparência, e não por sua competência real.

Muitos homens, “amparados” por essa mentalidade, passam a enxergar mulheres não como pessoas, mas como objetos de controle, como algo de posse. A objetificação do corpo feminino ocupa lugar central nesse debate. Em diferentes mídias e discursos, mulheres seguem sendo tratadas como produtos, imagens, a serem consumidos e avaliados. E a violência, nesse caso, deixa de ser um ato isolado e passa a ser consequência direta de um sistema que normaliza a redução das mulheres à aparência, à opressão e silencia as vítimas.

Mas afinal, como é ser mulher nessa sociedade que nos desumaniza?

Conforme nós, mulheres, tivemos de nos “adaptar” ao difícil dia a dia nessa sociedade, aprendemos como viver, mas principalmente, a sobreviver.

Infelizmente, graças ao fato de que quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aos estupros e assédios, diversos grupos e movimentos de mulheres para mulheres foram criados – como o Levante Mulheres Vivas, uma mobilização nacional com intuito de levar a população as ruas, lutando em prol da vida feminina, contra a violência, e honrando aquelas que já sofreram -, além de delegacias da mulher e, a pioneira de tudo: a Lei Maria da Penha.

Mas a realidade de que a comunidade precisa de medidas e organizações como essas preocupa, porque se nós fôssemos respeitadas, vistas e lembradas, nada disso seria necessário. Não precisaríamos viver com medo, sair de casa pela manhã e não saber se voltaremos pela noite; pegar um transporte público e ficar perto da porta de saída, com medo de mexerem conosco. E pensar que os homens não entendem – e sequer poderiam conceber – em totalidade o que é demorar mais tempo para escolher suas roupas para evitar serem assediados. O terror nisso. Que muitas mulheres preferem morrer a serem violentadas.

Ser mulher na sociedade de hoje, na qual nós não somos vistas, é amparar umas às outras; tentar viver como se o perigo não pudesse estar dormindo ao nosso lado; sobreviver ao dia a dia; lutar pelo nosso direito de viver; não ter medo de denunciar quando necessário; é celebrar o Dia Internacional da Mulher sendo um ato de força, de sobrevivência, e não simplesmente mais uma data comercial. O que acontece no Brasil e no mundo não deveria ser normal.

Não podemos ficar caladas. Denuncie: 180.

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O artigo acima foi editado por Luiza Kellmann

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Catharina Gonçalves

Casper Libero '29

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