A experiência do pós-Carnaval não é igual para todos os brasileiros. Durante o período de festas, cidades como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, têm recebido um número de visitantes significativamente alto, principalmente pela quantidade de bloquinhos e shows que movimentam o turismo. É nesse contexto que muitos brasileiros conseguem empregos temporários, enquanto outros acabam cedendo ao descontrole financeiro.
Com a abundância de festas de rua para todos os gostos, São Paulo, que já tem um fluxo grande de pessoas, tem alcançado públicos crescentes desde a pandemia. No último carnaval, 6,7 bilhões de reais foram injetados na economia paulista, de acordo com dados da prefeitura.
Em entrevista com Pedro Moino, gerente de banco formado em Ciências Contábeis pela FIPECAFI, ele afirma: “O Carnaval é o segundo maior evento no Brasil, depois do Réveillon. Assim como as pessoas, as empresas também precisam se programar, o que inclui ter capacidade de suprir a demanda dessa época. Por isso, tantos empregos temporários são gerados. Se a pessoa se organizar bem para isso, pode servir como uma ótima fonte de renda ou até virar um trabalho permanente”. Não muito fã de festejar, o gerente não é contra a festa e ainda afirma: “Mesmo com os contratos temporários e a ressaca econômica do pós-Carnaval, os empregos criados para esse evento movimentam de forma positiva a economia brasileira”.
A festa, apesar de ter data marcada, que é indicada pela Quarta-feira de Cinzas, acontece durante o mês de fevereiro. No caso de 2025, a festa teve sua duração prolongada, já que o feriado caiu para o começo de março, fazendo com que as comemorações acontecessem durante todo o mês de fevereiro e por mais duas semanas de março, com todos os finais de semana apresentando eventos carnavalescos.
Os eventos prolongados trouxeram consequências distintas, que variaram conforme a percepção do público, podendo ser boas ou ruins. Agora, para as pessoas que usam esse tempo como renda extra ou oportunidade de conseguir um emprego temporário, não há do que reclamar quanto ao fruto de tantos dias de festa. Considerando que, nos três finais de semana de desfile, segundo a Agência Brasil, durante este Carnaval, cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos foram criados, com um impacto financeiro de R$3,4 bilhões.
Já para outros, o Carnaval não trouxe rendeu tantos frutos positivos. “Neste ano fui em 5 bloquinhos entre o pré e o pós do Carnaval. Comprei umas duas roupas diferentes para usar, o resto foi reutilizado de outros anos, estava tentando economizar nos preparativos porque eu sabia que ia gastar muito nos bloquinhos”, diz Heloisa Maschietto, estudante universitária do primeiro semestre de administração. Ela, que apenas estuda e tem a sua renda pela mesada que recebe dos pais, também afirma “Agora vou ter que me segurar e não sair muito, talvez no próximo mês eu já consiga me recuperar dos estragos.”
Diante desse cenário é importante pensar no equilíbrio entre a diversão e o controle financeiro, já que para as pessoas que apenas gostam de festejar, como a Heloisa, e acabam até emendando o feriado, o resultado não foi bom. O grande número de despesas que foram gerados em fantasias, apetrechos temáticos e, principalmente, com bebidas e comidas nas ruas, será um dano que a população brasileira terá que lidar por um tempo. Alternativas, como fazer a fantasia em casa e tentar buscar promoções em meio aos bloquinhos, não foram suficientes para todos e com certeza alguns vão evitar saídas para restaurantes, bares, compras ou qualquer evento por um tempo, para se recuperar.
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Texto editado por Ana Luiza Sanfilippo.