Desde que as “Fast Fashions” começaram a dar as caras no Brasil no início dos anos 2000, se tornou cada vez mais difícil manter uma marca independente. Afinal, quem é que não prefere peças que são produzidas em menos tempo, mais baratas e que estão sempre dentro das tendências do momento?
As dificuldades criativas e financeiras são dois dos desafios mais difíceis de serem encarados por quem está por trás de uma marca. Além disso, lidar com a pressão do mercado é complicado, porque se tem uma coisa que a moda exige é essência e verdade e, neste momento, com a internet, as tendências vêm e vão muito rápido.
Será que vale a pena estar sempre na “moda” e perder aquilo de mais importante que a moda proporciona para quem a veste? Para descobrir, a Her Campus Cásper Líbero conversou com uma das duas fundadoras da marca Ziovara, Giovanna Girioli, e com Maria Luísa Magalhães, criadora da marca Malum, sobre os desafios de manter uma marca de moda no país.
Quais são os maiores desafios para quem tem uma marca?
Se firmar no mercado exige “aprender a crescer sem perder a essência”, assim comenta Giovanna Girioli, fundadora da marca Ziovara, junto com sua irmã Giulianna. Ela afirma que, à medida que a marca vai crescendo, surge uma pressão quase natural para que ela se encaixe no que já é o “normal” do mercado, um ritmo mais rápido, com uma produção maior e mais acelerada. Em contrapartida, o público consumidor busca propósito, profundidade e coerência. Ela continua: “A Ziovara tenta ser esse ponto de encontro entre o cool e o íntimo, entre o comercial e o autoral”.
Já Maria Luísa Magalhães, criadora da marca Malum, conta que sempre se guiou pelo lema “fazer com o que se tem, sem idealizações”. Seu maior desafio como pequena empreendedora é ser uma marca totalmente independente e sem investimentos externos. Ela comenta que “limita muito, desde os produtos que vou criar, matéria-prima que vou usar e consequentemente, o marketing”. Malu, que começou a criar suas peças despretensiosamente em 2015, compartilha que a marca é um sonho que foi surgindo e se realizando ao mesmo tempo.
Dessa forma, o mais importante é encontrar o equilíbrio perfeito entre ser “pé no chão” para entender suas necessidades e não romantizar o que não deve ser romantizado e, ao mesmo tempo, não perder aquilo que cada um carrega de mais importante, a própria individualidade, por pura pressão de um mercado que busca muito mais quantidade do que qualidade.
QUAL É O PREÇO DA AUTENTICIDADE?
Giovanna acredita que a autenticidade te diferencia do resto do mercado, apesar de também cobrar. “Mas eu sempre acreditei que é o único caminho que vale a pena”, ela conclui. A marca, que carrega o apelido da Gi durante a faculdade, reflete as criações das irmãs, que têm personalidade e que carregam a essência das duas, além de criar conexões com os consumidores.
Elas mantêm vivas as raízes do interior de São Paulo, de onde vieram, e valorizam o afeto e a criatividade. “Elementos como o amor pelos felinos, as estampas autorais com energia mística, a veia sarcástica e divertida que traz leveza ao nosso conteúdo”, reflete uma das idealizadoras da Ziovara.
Maria Luísa segue o mesmo princípio das irmãs em relação a manter sua marca autêntica e única, e ainda destaca: “caminhar nesse mercado de moda que nos obriga uma instantaneidade, é difícil manter os princípios de uma marca slow fashion”. Em um mundo onde se produz mais do que se pode consumir, é muito importante seguir o seu próprio ritmo e encontrar dentro de si o momento de se dedicar com o corpo e com a alma para a criação de algo tão grande e com tanto potencial como uma coleção de roupas. Por isso, ela finaliza dizendo que a Malum tem um tempo muito autoral e foge das promoções do resto do mundo.
COMO PODEMOS AJUDAR UMA MARCA NACIONAL E INDEPENDENTE?
Mais importante do que deixar as grandes fast fashions em segundo plano, é saber exteriorizar o que vem de dentro de si e saber diferenciar o que é apenas uma tendência do mercado e o que realmente faz parte da sua identidade.
Inúmeras marcas como a Ziovara e a Malum buscam constantemente destaque no mercado e, para que elas alcancem este lugar, é necessário que haja consciência do que se compra e do que se usa, usando a moda como a sua principal ferramenta para expressar seu estilo e posicionamento.
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O artigo abaixo editado por Ana Carolina Carvalho.
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