Mais do que a recente reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, as medidas tomadas pelo presidente desde 2017, no seu primeiro mandato, hoje impactam de forma generalizada a questão ambiental. Tendo em vista seu histórico e posicionamento, especialistas em clima e meio ambiente reforçam como esse novo governo estadunidense está colocando em risco os esforços para combater a crise climática.
Para Trump, interesses geopolíticos referentes à extração de combustíveis fósseis estão acima de qualquer crise climática. Sendo assim, com a maior economia do mundo e a segunda maior emissora de gases do efeito estufa, o principal responsável pelo aquecimento global. O republicano acredita que favorecer o setor petrolífero, que apoia sua base eleitoral, é garantir sua permanência no governo – estagnando cada vez mais a transição para fontes de energia sustentáveis.
Negacionismo climático e suas consequências
Uma das decisões que impactou negativamente o governo Trump, em 2017, foi a sua saída do Acordo de Paris que tem como seu principal objetivo minimizar os efeitos da crise climática. Ele alegava que esse acordo prejudicava a economia americana e beneficiava outros países às custas dos Estados Unidos. A decisão foi ratificada em 2024 por 195 países e representa o não interesse proativo do governo em relação às questões ambientais, uma vez que o próprio presidente afirma não acreditar nas mudanças climáticas.
Segundo a CartaCapital, o republicado reforçou seu negacionismo climático durante a última campanha eleitoral: “Faz muito frio aqui fora hoje”, ironizou. Essa posição se difere ao que os estadunidenses estavam acostumados no governo de Joe Biden, que se mostrou proativo a essas questões e recolocou os EUA no acordo em 2021.
Logo no início de seu segundo mandato, Donald Trump entrou com um novo pedido para a saída dos EUA do acordo, que deve ser efetivada apenas em 2026.
Fora isso, a política “drill, baby, drill” do presidente estadunidense faz alusão a extração exacerbada de combustíveis fósseis, o que dificulta não só os avanços ambientais nos EUA, mas a postura que os demais países irão tomar frente à influência da potência estadunidense sobre eles. Consequentemente, países poluentes e também de grande influência como a China e Índia, a longo prazo, podem vir a deixar seus planos ecológicos.
Abandono da OIAI e EPA
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), através de Donald Trump, está determinada a se livrar dos planos de energia limpa para o país.
A lógica é simples: a chamada OIAI (“Once In, Always In”, ou “Uma Vez Enquadrada, Sempre Enquadrada”, em tradução livre) impunha que se uma empresa poluísse acima do limite legal, ela teria que arcar com os “custos”, ou seja, de se equiparar aos menores níveis dos poluentes.
Sem a OIAI, a EPA de Trump estabeleceu uma eliminação dos limites de gás poluente pelas empresas, rompendo com a política ambiental de Barack Obama e contribuindo cada vez mais com a emissão exagerada desses poluentes.
Ataque ao governo de Obama
O enfraquecimento de mais de 100 regras de proteção ambiental durante o mandato de Donald Trump, em específico àquelas criadas durante o mandato de Obama, mostra a atual força do governo que se nega a apoiar essa causa. As regras do ex-presidente estadunidense variam desde a limitação da quantidade de agrotóxicos que fazendeiros poderiam usar em áreas próximas a rios e lagos, até a lei que criava um teto para as emissões de gases de efeito estufa de carros e termelétricas.
A política de Obama era vista como um passo histórico na luta contra a mudança climática, mas Trump está disposto a caminhar no sentido oposto. Obama visava reduzir as emissões em 30% até 2030, já o republicano estadunidense tenta a todo custo acabar com toda e qualquer política referente ao clima e ao meio ambiente, uma vez que tais políticas comprometem o setor industrial e a economia do país. Segundo o jornal El País, Trump busca recuperar a “independência energética” e “não aplicar políticas que ponham a economia em perigo”.
A questão do Brasil
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), que acontece neste ano de 2025, em Belém, no Brasil, também pode ser afetada com Trump na presidência. Quando pensamos no Fundo Amazônia, criado em 2008, a responsabilidade internacional de investimentos nessa área não ficou por fora dos Estados Unidos.
Durante a presidência de Joe Biden, houve um anúncio de que seu governo contribuiria com 2,5 bilhões de reais para o fundo. Com a vitória de Trump, esses recursos não chegarão mais, um retrocesso quando pensamos na responsabilidade ambiental mundial. O negacionismo climático imposto pelo presidente nos Estados Unidos, terá influência direta na Amazônia e consequências globais devastadoras a longo prazo.
Essa guerra ambiental causada pelas inúmeras medidas tomadas por Trump, comprovam a ameaça ao clima, ao meio ambiente e a democracia quando pensamos no futuro da Floresta Amazônica; na possibilidade dos demais países que fazem parte do Acordo de Paris retrocederem a questão ecológica; e principalmente, uma ameaça ao futuro da humanidade como um todo.
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O artigo acima foi editado por Clara Rocha e Juliana Santos.
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